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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
26
Out16

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XV

Maria João Brito de Sousa

A RONDA DA NOITE -Rembrandt.jpg

ENTARDECER

 

Despeço-me do sol que se anoitece
Quando lá muito ao longe desce fogo
E perfilo-me firme como em prece
Analisando as regras do seu jogo



Na calma da penumbra calo e afogo
Os suspiros e ais que a vida tece
Para deixar que a noite no seu rogo
Se enlace no meu corpo que arrefece



Do fogo do horizonte inspirei luz
Que na noite me aquece e me conduz
Por imagens e sonhos em bailados



Deixo-me adormecer em tal quimera
Do fogo que já foi nasce uma esfera
De intensa e branca luz com rendilhados



MEA
14/10/2016

 

"CHIAROSCURO"

 

"Despeço-me do sol que se anoitece"

Sempre em serenidade, como um rogo,

Vendo como se esconde e desvanece

Na linha de horizonte, aceso em fogo...

 

"Na calma da penumbra calo e afogo"

Esse eco que, de dia, me abastece...

Faz-se silêncio, enfim, que ao fim do jogo

Tão só se espera que outro recomece...

 

"Do fogo do horizonte inspirei luz"

E, para o compensar, dela repus

Quanto de luminoso havia em mim...

 

"Deixo-me adormecer em tal quimera",

Iluminando ainda e sempre à espera

Que o grande, imenso jogo, alcance um fim...

 

 

Maria João Brito de Sousa -26.10.2016 - 13.57h

 

 

Nota - Ambos os sonetos estão escritos em decassílabo heróico.

 

 

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