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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
02
Ago16

GLOSANDO A POETISA GLÓRIA MARREIROS

Maria João Brito de Sousa

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TERRA DA MINHA VIDA

 

 

Recordo aqueles troncos imponentes,
na serra onde nasci e fui menina.
E nem sequer sonhava com a sina
traçada sobre linhas resistentes.



Fui ave nas ramadas mais ardentes
e encostas maquilhadas de neblina.
Ouvi vozes de brisa calma e fina
falar-me de saudades já dormentes.



Toquei nas rosas bravas das roseiras
que trepam por memórias e ladeiras,
deixando antigos cheiros no meu rosto.



E vejo nesta terra mil peugadas
dos beijos que não dei, nas madrugadas
suspensas na agonia do sol-posto.



Glória Marreiros





FUSÕES...



"Recordo aqueles troncos imponentes"

Dos abrunheiros a que me abraçava

Quando, menina em flor, lhes segredava

Canções das que calava para as gentes...



"Fui ave nas ramadas mais ardentes",

Radícula que freme, emerge e escava

E acaba transmutada em fruta brava

Na gestação de muitas mais sementes...



"Toquei nas rosas bravas das roseiras"

Sem me picar, porque essas companheiras

Sabiam-me uma irmã dos seus folguedos



"E vejo nesta terra mil peugadas"

Dessas fusões por tantos condenadas

Que são, do que hoje escrevo, honestos credos...





Maria João Brito de Sousa - 12.0.2016 - 14.11h

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