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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
13
Dez16

DIALOGANDO COM FLORBELA ESPANCA

Maria João Brito de Sousa

fabula-e-verdade- Jose de Brito.jpg

 

A MINHA DOR

*

 

A minha Dor é um convento ideal,

Cheio de claustros, sombras, arcarias,

Aonde a pedra em convulsões sombrias

Tem linhas dum requinte escultural.

*

 

Os sinos têm dobres de agonias

Ao gemer, comovidos, o seu mal...

E todos têm sons de funeral

Ao bater horas no correr dos dias...

*

 

A minha Dor é um convento. Há lírios

Dum roxo macerado de martírios,

Tão belos como nunca os viu alguém!

*

 

Nesse triste convento aonde eu moro,

Noites e dias rezo e grito e choro,

E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém...

*

 

Florbela Espanca

 

In "Livro de Mágoas"

 

----------------------------------------------------------------------

 

 

 

MINHA DOR, MINHA MUSA

 

*

 

A minha Dor, se às vezes me domina,

As mais das vezes bate em retirada;

Diante de um poema, vale um nada

Do que me vale o verso que a fascina!

*

 

Minh`alma - minha carne e minha sina -

Quando por tanta dor desencantada,

Consuma-se em soneto e, consumada,

Torna-se a dor, menor, mais pequenina

*

 

E se, em verdade, a Dor molda o meu mundo,

Também a ela a moldo, se a confundo

Com tão frontal estratégia e, já confusa,

*

 

Envergonha-se e tenta-se esconder...

Quanto daria a Dor para entender

Como é que dela faço a minha Musa?

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 11.12.2016 - 10.10h

 

 

IMAGEM - "Fábula e Verdade" , José de Brito (meu bisavô)

 

 

 

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