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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
25
Nov16

DIALOGANDO COM DAVID MOURÃO FERREIRA

Maria João Brito de Sousa

The colours of Nature (página).jpg

 

E POR VEZES

 

 

E por vezes as noites duram meses 
E por vezes os meses oceanos 
E por vezes os braços que apertamos 
nunca mais são os mesmos    E por vezes 

encontramos de nós em poucos meses 
o que a noite nos fez em muitos anos 
E por vezes fingimos que lembramos 
E por vezes lembramos que por vezes 

ao tomarmos o gosto aos oceanos 
só o sarro das noites não dos meses 
lá no fundo dos copos encontramos 

E por vezes sorrimos ou choramos 
E por vezes por vezes ah por vezes 
num segundo se evolam tantos anos 



David Mourão-Ferreira, in 'Matura Idade'

 

 

PORÉM...

 

 

Noutras vezes, porém, os dias voam

E as noites são parcelas de segundos

No ciclo biológico dos mundos

Que aos sonhos dos humanos não perdoam

 

 

E, passando a voar, nos atordoam

O estremunhado sono em espasmos fundos,

A nós que aqui provamos ser fecundos

Na esp`rança de que uns deuses se condoam...

 

 

 

Passageiros da vida, é no naufrágio

Que temos cais seguro e prometido,

Votado e assegurado por sufrágio

 

 

Da própria natureza que nos gera...

(pois não! Não nos foi nunca garantido

mais tempo do que o tempo desta espera)

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 24.11.2016 - 14.36h

 

 

 

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