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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
31
Out16

DE NOVO; FLORBELA E EU...

Maria João Brito de Sousa

florbela a ler.jpg

 

MARIA DAS QUIMERAS

 

 

Maria das Quimeras me chamou

Alguém... pelos castelos que eu ergui,

Plas flores de oiro e azul que a sol teci

Numa tela de sonho que estalou...

 

Maria das Quimeras me ficou;

Com elas na minha alma adormeci,

Mas quando despertei, nem uma vi,

Que da minh`alma Alguém tudo levou!

 

Maria das Quimeras, que fim deste

Às flores de oiro e azul que a sol bordaste,

Aos sonhos tresloucados, que fizeste?

 

Pelo mundo, na vida, o que é que esperas?

Aonde estão os sonhos que sonhaste,

Maria das Quimeras, sem quimeras?

 

 

Florbela Espanca

In "Livro de Soror Saudade"

 

 

MARIA SEM CAMISA

 

 

Maria sem Camisa, chamo-me eu,

Usando de ironia - ou talvez não... -

E espelhando, no nome, a condição

Do pouco, ou quase nada, que há de meu...

 

Desse ´baptismo` insólito nasceu

- não saberei dizer por que razão... -,

Da vossa parte, alguma confusão,

Da minha, a força hercúlea que me ergueu,

 

Pois, sem camisa, embora enregelada,

Sobrevivo há ´milénios`, produzindo,

E de oiro(s) me cobri, não tendo nada;

 

Das infindas carências vão surgindo

Os versos que, no metro bem escorada,

De oiro e de seda azul, me vão cobrindo...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 30.10.2016- 17.00h

 

 

(Inédito, respondendo ao soneto "Maria das Quimeras", de Florbela Espanca)

digitalizar0041.jpg

 

 

 

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