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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
20
Nov17

CONVERSANDO COM JOSÉ SARAMAGO

Maria João Brito de Sousa

rasto.jpg

SONETO ATRASADO



De Marília os sinais aqui ficaram,
Que tudo são sinais de ter passado:
Se de flores vejo o chão atapetado,
Foi que do chão seus pés as levantaram.

Do riso de Marília se formaram
Os cantos que escuto deleitado,
E as águas correntes neste prado
Dos olhos de Marília é que brotaram.

O seu rasto seguindo, vou andando,
Ora sentindo dor, ora alegria,
Entre uma e outra a vida partilhando:

Mas quando o sol se esconde, a noite fria
Sobre mim desce, e logo, miserando,
Após Marília corro, após o dia.



José Saramago

In “Os Poemas Possíveis”

 

**************

 

SONETO DO ENCONTRO TARDIO



Atrás de mim vieste e me alcançaste

No rasto dos sinais por mim deixados,

Mas tivesse eu mais rio, mais chão, mais prados,

Soubesse eu desses sonhos que sonhaste,



Mais sinais deixaria onde passaste;

Mais lágrimas, mais risos entoados,

Mas muito menos passos apressados

Teria dado até onde me achaste...



Caminhava apressada pela vida,

Sem cuidar de cuidar que havia um fim,

Sem notar que passava distraída,



Mas que um rasto deixava e, sendo assim,

Te apontava uma rota percorrida

Que antecipava a tua, atrás de mim...



Marília



(Maria João Brito de Sousa – 20.11.2012 – 11.20h)

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