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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
11
Abr23

COISA NENHUMA - Jay Wallace Mota e Mª João Brito de Sousa

Maria João Brito de Sousa

Linha de Möebius.jpg

COISA NENHUMA
*

Coroa de Sonetos
*

Jay Walace Mota e Mª João Brito de Sousa


1.
*


Qual toda nulidade és indizível;

És o vazio, contrário do existir,

Tu que não foste e nem serás tangível,

Quem poderia enfim te definir?
*

Zero à esquerda, és sempre desprezível

E pra coisa nenhuma hás de servir…

Mas, sem ser ou ter, és indestrutível

Afinal, ninguém pode te atingir…
*

Como ausência, absoluta ou relativa,

No big bang, o ponto de partida,

Testemunhaste o início do universo!
*

Portanto, antes de tudo que há no mundo,

Preexististe num ínfimo segundo;

Tu és o Nada que havia antes do Verso!
*

São Paulo, 07 de abril de 2023.

Jay Wallace Mota.
***

2.
*

"Tu és o nada que houve antes do verso"

E tudo o que hoje existe, em simultâneo,

Pois nada sendo foste também berço,

Filho de ti, teu próprio sucedâneo
*


E houve fagulhas de hélio e de titânio

Semeando no vácuo o sonho emerso

Até que a emergência de um gerânio

Mais tarde suscitasse um caos inverso...
*


Eram beleza e vida a ganhar forma

E a demonstrar que o nada tem por norma

Transformar-se em matéria. Nada o pára
*


Que os átomos se enlaçam, se entrelaçam,

Formando longas teias que esvoaçam

Sobre o Nada que em tanto se tornara!
*


Mª João Brito de Sousa

08.04.2023 - 20.10h

***
3.
*

Sobre o nada que em tanto se tornara,

A partir de um caótico projeto

Que desde então se expande e nunca pára,

Qual barriga, sem útero e sem feto,
*


Cuja paternidade se faz clara

Na proporção do vácuo e do concreto

Onde o grande vazio mostra a cara

Deste grande universo tão discreto
*

Se descendentes tens, são obscuros

Buracos invisíveis tão escuros,

De gravidade quase ilimitada,
*

A puxar para si matéria e luz,

Numa grande atração que se traduz

Na inversão de volta para o nada…
*

São Paulo, 07/04/2023.

Jay Wallace Mota
***

4.
*

"Na inversão de volta para o nada (...)"

Se nada houver por lá, nessoutro lado

Para o qual a matéria foi sugada

Bem como toda a luz que houver gerado
*


Ninguém sabe, porém, nada do Nada

Nem para onde irá quanto é sugado...

Talvez noutro universo em alvorada

Desague a matéria inacabada
*

E nasçam novos astros, novos mundos

Desses abismos negros e profundos

Que por enquanto são puro mistério
*


Que sei eu? Nada mais que conjecturas

Tão próprias das humanas criaturas

Que levam tais mistérios muito a sério
*


Mª João Brito de Sousa

08.04.2023 - 22.40h
***
5.
*

"Que levam tais mistérios muito a sério,"

Sem no entanto perder-se na ilusão

De aceitar qualquer coisa sem critério,

Que possa pôr em dúvida a razão.
*

Sem porém cometer o impropério

De achincalhar quem vê a criação

Como o simples produto de um mistério,

Ou obra da divina intervenção…
*

Sem a tal teoria unificada,

Não pode parecer pacificada

Ação primordial sem precursor
*


Se a singularidade concentrada,

Num átimo, surgiu mesmo do nada,

O Big Bang implica um criador!
ª


São Paulo, 08/04/2023.

Jay Wallace Mota.
*

6.
*

"O Big Bang implica um criador"

A menos que a si próprio se criasse

Do Nada que existia em seu redor,

De um átomo, tão só, que ali vogasse
*

E que ainda que sem razão maior

Com átomo dif`rente então chocasse

E explodissem gerando luz, calor

E átomos sem fim que se espalhassem
*

No (im)perfeito caos que foi começo

De novas explosões que já não meço

Por não podê-las ter presenciado
*


Mas sei que foi assim que aconteceu:

A matéria, eclodindo, antecedeu

Tudo quanto alguns julgam projectado.
*

 

Mª João Brito de Sousa

90.04.2023 - 12.15h
***

7.
*

Tudo quanto alguns julgam projetado,

À falta de melhor explicação,

Precisa mesmo ser considerado,

Antes de se pôr fim à discussão…
*


O que a ciência tem apresentado

Parece não haver contestação,

Exceto o que existia no passado,

No instante anterior à explosão.
*

Se esta então se apoia em simples mágica,

Não se pode fugir da questão prática

Que desafia crentes e ateus
*

Dispostos a matar esta charada:

Se o ponto de partida foi o nada,

Seria Deus o Nada, ou o Nada Deus?
*

São Paulo, 09/04/2023.

Jay Wallace Mota

***

8.
*

"Seria Deus o Nada, ou o Nada Deus?"

Perguntam os humanos, não sabendo

Que pouco importam tais anseios seus:

Nomes serão só nomes, mais não sendo
*


Do que humanas palavras, dependendo

Do que entendam os crentes e os ateus

E somos quem criou, segundo entendo,

Tudo quanto foi nome, até dos céus!
*


Por isso é que a charada não tem fim:

Tu respondes por ti e eu por mim,

Segundo o que sentimos ser verdade
*


E ainda que não faça mais sentido

Falar do Nada em Deus já convertido,

Vence a Palavra, em Força e em Vontade!
*


Mª João Brito de Sousa

09.04.2023 - 14.40h
***
9.

*
"Vence a Palavra em Força e em Vontade",

Desde que não se imponha em detrimento

Da incerteza por trás da tal verdade,

Sempre infensa a qualquer engajamento.
*


Pra discussão fluir com liberdade,

Não cabe aqui nenhum cerceamento

Como o tal argumento autoridade,

Contrário a autoridade do argumento;
*


E pra não perder tempo com semântica,

Como demonstra a tal física quântica,

Ao revelar modelos novos seus
*


Que o universo tal como concebido

Requer um elemento conhecido

Como Bóson, Partícula de Deus!
*


São Paulo, 09/04/2023.

Jay Wallace Mota.
***

10.
*

"Como Bóson, Partícula de Deus!"

Semântica também! Analogia

Com a visão antiga dos hebreus

Que a um só Deus a vida atribuía
*


Já que antes dessa havia pelos céus

E até por sobre a Terra a fantasia

De deuses e titãs e filhos seus

Que próprio ser humano concebia...
*


De quântica sei pouco... um quase nada

Que a Teoria das Cordas é tramada

E a Linha de Möebius, de complexa,
*


Faz-me ter pena de não ter nascido

Muito depois do meu tempo devido

Para entender se é côncava ou convexa...
*


Mª João Brito de Sousa

09.04.2023 - 18.18h
***

11.
*

Para entender se é côncava ou convexa,

Depende de quem olha a faixa dita

Que deixa a cada volta desconexa

A pessoa que passa pela fita!
*


Assim como também fica perplexa

A ciência quase sempre adstrita

A limites que a deixam genuflexa,

Ante a dualidade tão inaudita…
*


Fenômenos de dupla natureza

Que ancoram o princípio da incerteza,

Num inexato jogo de advinha…
*


Quem pode então dizer o que é correto

Sobre o que ora é sujeito ora objeto,

Tal qual a questão do ovo e da galinha?
*

São Paulo, 09/04/2023.

Jay Wallace Mota
***

12.
*


"Tal qual a questão do ovo e da galinha ",

Quem nos prova se há Deus ou se o não há

Se a nossa jovem espécie mal gatinha

E julga saber tudo, agora e... já!?
*


Intui-se, às vezes, mas não se adivinha

Onde a humana razão nos levará...

E que Deus para a paz nos encaminha

Se em guerra andamos e ao deus-dará
*

 

Nós, servos de outro deus, o deus/dinheiro,

Cumprindo o que lhe int`ressa a tempo inteiro

E alimentando a própria escravidão,
*


Tudo entregamos a quem nos esmaga:

Alienados, falta-nos a garra

Pra levantar a voz e dizer - Não!
*


Mª João Brito de Sousa

09.04.2023 - 22.50h
***


13.
*

"Pra levantar a voz e dizer - Não!"

Requer antes de tudo consciência

Que o deus mercado e a tal religião

Roubam do cidadão a própria essência,
*


Impondo-lhe completa alienação,

Às vezes co’o respaldo da ciência,

Usada pra dar ares de razão

Às regras que controlam a insurgência.
*

 

Porquanto, independente do argumento,

É mister contrapor-se ao testamento

E até mesmo arriscar ser controverso;
*

 

Melhor desconfiar que ser vencido

Por um falso consenso construído

Em torno dos mistérios do universo!
*


São Paulo, 09/04/2023.

Jay Wallace Mota.
*

14.
*

"Em torno dos mistérios do Universo"

Nunca girou o grande deus/mercado:

Foi no capitalismo que achou berço

E é pelo consumismo alimentado
*


Se algo criou esse ídolo perverso

Ao consagrar-se não sendo sagrado,

Foi o poder de em nós viver imerso

E de nos comandar, sem ser notado...
*


A quem que o viu crescer e ser parido

Por um sistema há muito instituído,

Quem o verá se o monstro é invisível?
*


Ó deus/dinheiro que nego e que odeio,

É por te conhecer que em ti não creio:

"Qual toda a nulidade, és indizível"!
*

 

Mª João Brito de Sousa

10.04.2023 - 10.00h
***

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