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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
06
Jul25

AMOR II - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

Maria João Brito de Sousa

AMOR - Custódio e eu II (1).png

Imagem processada pelo ChatGPT

*

AMOR II
*
Coroa de Sonetos
*

Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa
*

1.
*

Amor é um desejo que se sente

De ter junto de nós a nossa amada

Um só até chegar a madrugada

E, vindo o dia, não se vai da mente
*


Amor conjuga amor eternamente

É bem que se transforma na jornada

Em ânsia de ter tudo e não ter nada

Que culpe a nossa vida impenitente
*


Se sofres tu não sentes amargura

Espelho dum amor que traz candura

E também, cada dia, um novo alvor
*


Abris de primavera a florescer

Em ti eu tenho tudo a renascer

Transformo tudo em mim com teu amor
*


Custódio Montes

10.7.2024
***

2.
*

"Transformo tudo em mim com teu amor"

Dizia o vate enquanto a mão beijava

Da bela Ninfa que então recuava,

A doce face tinta de rubor
*


"Não sei que responder-vos, meu Senhor...

Jamais alguém me disse que me amava

E receio de amor vir a ser escrava,

Eu, que nasci do húmus como a flor,
*

Que nada sei da dor nem do desejo,

Sinto na mão o ardor do vosso beijo

E só posso dizer-vos que jamais
*


Senti algo que fosse semelhante...

Deixai, Senhor, que vos passe adiante,

Devo ir cuidar das flor`s e animais!"
*


Mª João Brito de Sousa

03.07.2025. 22.30h
***

3.
*

“Devo ir cuidar das flor’s e animais”

Do meu jardim à beira mar plantado

Sobranceiro a Oeiras instalado

Ao lado de frondosos canaviais
*


Por entre árvores piam os pardais

E sente-se o mar muito animado

Um barco nele ao lago fundeado

Com risos de crianças, mães e pais
*


Eu sei que vive aí bem junto ao mar

Onde há jardins de flores pra cheirar

E que aqui pelo Norte é só calor
*


Que inunda a pradaria e a minha serra

Mas mesmo assim é bela a minha terra

À qual desde criança tenho amor
*


Custódio Montes

4.7.2025
*

4.
*

"À qual desde criança tenho amor"

Tal como eu, desde muito pequenina,

Amo o cravo, a giesta e a bonina

E tudo, tudo aquilo que abra em flor...
*


Sim, vivo junto ao mar cujo esplender

Caminha ao lado desta minha sina

De cuidar das marés, da areia fina

E de tudo o que viva em seu redor ...
*

Desta vez, porque em ninfa transmutada,

Estou de cuidados sobrecarregada

Pois sou de mar e terra cuidadora
*

E vós, Senhor, cuidais da vossa serra

Que sei ser das mais belas sobre a Terra

Que de todas as serras é escultora
*


Mª João Brito de Sousa

04.07.2025 - 12.20h
*

5.
*

“Que de todas as serras é escultora”

Ao alto encimada pela alvura

E cada rocha aumenta em altura

Que desta minha terra é protectora
*


E quando é gabada hora a hora

A serra lança à volta só ternura

Com fetos e giestas de alma pura

A minha serra aqui é uma senhora
*


Quem ama a minha serra a mim me ama

Comigo ao leme aumenta a sua fama

E o mar ao longe fica iluminado
*


As praias com as ondas e a areia

Encontram junto a si uma sereia

À qual digo daqui muito obrigado!
*


Custódio Montes

4.7.2035
*
6.

"À qual digo daqui muito obrigado!"

"Mais grata fico eu", respondo então

Sorrindo muito elevantando a mão

Para tentar mostrar-lhe o meu agrado
*

Sereia sou agora, que há bocado

Tímida Ninfa era e vós, varão...

Mas se quiserdes, posso ser Dragão,

Fada, Duende ou mesmo um ser alado
*


Escolhei, Senhor, a minha natureza

Que eu juro obedecer-vos com presteza

E tranformar-me no que mais agrade
*


À vossa ideia e ao vosso capricho:

Faço um sinal à Musa e passo a bicho,

Faço outro e passo a ser um deus de jade.
*


Mª João Brito de Sousa

04.06.2025 - 15.50h
***

7.
*

“Faço outro e passo a ser um deus de Jade”

Um deus muito importante a oriente

Mas fica muito longe aqui da gente

E para o ver não há facilidade
*


Encontre um outro aí pela cidade

Que possa ser também eloquente

Mais próximo de nós que frente a frente

Possamos ver a sua majestade
*


E não fica em vão nosso poema

Que toda a divindade é um bom tema

Se a sentirmos bem próxima de nós
*


E quem nos ler também se delicia

Apegado ao enredo aprecia

Que sem haver leitor ficamos sós
*


Custódio Montes
4.7.2025

8.
*

"Que sem haver leitor ficamos sós"

E nem o jade de uma estatueta

Que já nem sei se deus ou se profeta,

Pode fazer seja o que for por nós...
*


Ao longe, muito ao longe, um albatroz,

Que quase confundi com um cometa,

Desce à velocidade de uma seta

Sobre o corpo indefeso de um caboz
*.


Em tudo o que se mova ou que pareça

Quedar-se imóvel apesar da pressa

Com que a Terra volteia sabre si
*


Encontro o tal Amor indistinguível

Do outro a que Camões chama invisível...

E eu também, que em chamas nunca o vi!
*


Mª João Brito de Sousa

04.07.2025- 20.40h
*

9.
*

“E eu também, que em chamas nunca o vi”

Nem mesmo penso nele, veja bem

Se é deus na terra, céu ou no além

Ou descrito em livros que já li
*


Mas ao falar de amor nunca entendi

Que haja um deus supremo ou mesmo alguém

Que entre nesse amor e nem convém

Porque o fogo a sentir não vem daí
*


“É um contentamento descontente”

E só quem ama o outro é que o sente

E não há deus ou fada pelo meio
*


Ao fazer um poema também não

Se deve ir para além do coração

Que doutro modo se anda ao seu rodeio
*


Custódio Montes
4.7.2025
*

10.
*

"Que de outro modo se anda ao seu rodeio"

E se procura ali, aqui, além,

Mas não se encontra nada nem ninguém,

Que Amor ergue montanhas de permeio
*


Entre si e o que busca, sem receio,

Conhecer o que a Amor lhe não convém...

Julgo que possa Amor sentir desdém

Por quem, em vez do seu, busque o alheio...
*


Mas volto a mim, que estive envolta em chamas

E nunca as vi, embora as outras damas

Jurassem tê-las visto e não sentido...
*


Eu nelas me queimei sem tê-las visto

E, inda que seja Amor por mim benquisto,

Não mais dele aproximo o meu vestido...
*


Mª João Brito de Sousa

04.07.2025 - 23.50h
***

11.
*

“Não mais dele aproximo o meu vestido”

Nem deve aproximar pois se não queima

Embora sem se ver o amor teima

Que é fogo invisível mas sentido
*


Esse calor aumenta desmedido

Mesmo sem se querer ele enxameia

Retorna e insiste volta e meia

Cada vez mais aumenta intrometido
`*


Ao sentir-se aumentar a sua chama

Torna logo impotente quem inflama

Que de fugir-lhe já é incapaz
*


Nos braços do amor então envolto

Jamais se se desprende ou fica solto

E se quiser fugir não volta atrás
*


Custódio Montes
5.7.2025
***

12.
*

"E se quiser fugir não volta atrás"

Mas pode, pode sim, seguir em frente

Inda que encontre um mundo bem dif`rente

Do tal que só ardendo se compraz
*


E durante algum tempo não tem paz,

Por mais que a paz procure diligente...

Só com mais tempo, uns anos mais à frente,

Se recorda do tanto que é capaz
*

 

Por brutal que pareça essa procura,

Será nela que, enfim, encontra a cura

Para as chagas abertas pelo fogo
*


E mesmo nada tendo, ou quase nada,

Não sente dor, a chaga está curada,

Passa a pobreza extrema a desafogo...
*


05.07.2025 - 14.40h
***

13.
*
“Passa a pobreza extrema a desafogo”

Mas mesmo assim não sabe o que pensar

Se foi um perder tempo tanto amar

Ou não devia ter ido a jogo
*


Que mal se ama a luz apaga logo

Só temos um lugar para se olhar

Passamos todo o tempo a contemplar

Sem ver a labareda desse fogo`
`*


Mas mesmo em desafogo há a lembrança

De todos os momentos de pujança

Em que o amor passava a eternidade
*


Neste constante andar do pensamento

A gente volta atrás por um momento

E o amor lembra de novo com saudade
*


Custódio Montes
25.7.2025`
*
14.
*

"E o amor lembra de novo com saudade"

Embora a liberdade conquistada

Exija outra visão, que a tudo e nada

Eu posso amar agora, em liberdade
*

Talvez deva chamar fraternidade

A este amor que sinto e que em mim brada

Contra a guerra que grassa e que em escalada

Ameaça extinguir a humanidade
*


E um pouco mãe de toda a cria humana,

Mais me rebelo contra a guerra insana,

Mais desta atrocidade estou ciente
*


E ao desejo de Paz, chamo-lhe Amor,

Talvez o mais urgente, o Amor Maior:

"Amor é um desejo que se sente".
*

 

Mª João Brito de Sousa

05.07.2025 -21.00h
***

 

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