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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
12
Jul17

AINDA GLOSANDO FLORBELA ESPANCA III

Maria João Brito de Sousa

medo.jpg

 

RENÚNCIA



A minha mocidade há muito pus
No tranquilo convento da tristeza;
Lá passa dias, noites, sempre presa,
Olhos fechados, magras mãos em cruz...

Lá fora, a Noite, Satanás, seduz!
Desdobra-se em requintes de Beleza...
E como um beijo ardente a Natureza...
A minha cela é como um rio de luz...

Fecha os teus olhos bem! Não vejas nada!
Empalidece mais! E, resignada,
Prende os teus braços a uma cruz maior!

Gela ainda a mortalha que te encerra!
Enche a boca de cinzas e de terra
Ó minha mocidade toda em flor!

Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"

 

 



AFIRMAÇÃO

 

“A minha mocidade há muito pus”

No cantinho das coisas já passadas

Que guardo, dia a dia acumuladas,

Porque só a memória as reproduz...

 

“Lá fora, a noite, Satanás seduz!”

Mas eu que, renegando almas penadas,

Observo as gentes tristes e cansadas,

Deduzo cada medo que as traduz;

 

“Fecha os teus olhos bem! Não vejas nada!”

- Só fecho os olhos quando, atordoada,

Possa o sono nublar-me a lucidez!

 

“Gela ainda a mortalha que te encerra!”

- E eu quero lá saber de quem me enterra,

Se morro por chegar a minha vez?!

 

 

Maria João Brito de Sousa – 12.07.2017 - 16.26h



 

 

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