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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
01
Jun11

NO DIA DA CRIANÇA - 01.06.2011

Maria João Brito de Sousa

 

No dia da criança,

venho dizer-te bom-dia, mãe,

e olhar o teu sorriso

na memória das sardinheiras quase murchas,

mas ainda vermelhas, mãe,

nas conchas de barro onde as plantavas

 

Venho,

neste dia da criança,

lembrar-te, mais uma vez,

que te amo, mãe,

e agora,

que não sei se és, nem onde és,

confessar-te que sempre considerei

que olhavas demasiado a superfície das coisas,

que te esquecias de reparar

nas raizes do tempo por detrás das janelas

e nos sonhos

para além da luta pelo abraço imediato

 

Mas isso era eu, mãe,

eu tão pequenina como as sardinheiras,

tão abraçada às raizes do tempo,

tão estranhamente além das janelas,

esquecida,

também eu,

de não poder julgar-te

porque eras tu, afinal,

quem plantava as sardinheiras e sorria

sem suspeitar, sequer, de que viriam a murchar…

 

Hoje, dia da criança,

dia em que não sei se és, nem onde és,

mas não esqueço que foste,

uma lágrima, mãe,

só uma, como tu,

que tanto medo tinhas da morte

e te deixaste levar

sem teres percebido

que as sardinheiras murcham

a seguir ao abraço das raizes do tempo…

essas que estavam por detrás das janelas

além da superfície

das coisas- tantas! –

que nunca chegaste a descobrir

 

E fica-me

o teu sorriso

por detrás da janela,

vermelho como as sardinheiras,

enquanto nesta lágrima,

tão única como tu,

tão eterna quanto o tempo,

hoje, como dantes, Mãe,

tento esquecer a superfície das coisas…

 

 

Maria João Brito de Sousa – 01.06.2011 – 09.29h

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