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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
02
Dez10

QUARTA E QUINTA FEIRA

Maria João Brito de Sousa

 

 

AONDE O MEU BALOIÇO OUSOU PEDIR-ME...

 

 

Na manhã desse dia eu quis voar,

Mas estava presa à terra e vacilei…

Só no dia seguinte é que voei

Sem que o mundo me ousasse aprisionar


Não sei se era de noite e se o luar

Me abençoou, ou não, quando lancei

Corpo e alma no espaço e conquistei

O direito a poder, ou não, pousar


Foi depois que nasceram os poemas,

Que as asas, a crescer, ganharam penas

E me senti mais perto de cumprir-me


Era eu menina e as asas que cresceram

Eram frágeis demais, nunca puderam

Levar-me onde o baloiço ousou pedir-me…

 

 


Maria João Brito de Sousa – 30.11.2010 – 19.26h

 

 

 

NO OLHAR DE CADA SEM-ABRIGO

 

 

A pobreza tem voz, tem dignidade,

Sabe de cor a cor dos nossos medos,

É arauto gritando os mil segredos

Que nunca revelamos de verdade


Se chora, chora mesmo! É a saudade,

São as horas amargas dos degredos,

São as noites passadas nos lajedos

Dos edifícios velhos da cidade…


A pobreza diz mais, sem dizer nada,

Pois conhece os degraus de cada escada,

Desdenha do valor de cada perigo


E percorre, em silêncio, a longa estrada

Da sobrevida ao longo da calçada

No olhar de cada um dos sem-abrigo…

 

 


Maria João Brito de Sousa - 01.12.2010 – 18.29h


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