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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
13
Set10

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XVIII

Maria João Brito de Sousa

 

BEM TE VI

 

Bem te vi, velho cuco que passavas

Na mira de ocupar alheio ninho

E, repleto de pão, farto de vinho,

Nem por um só segundo vacilavas.

 

 

Bem te vi quando tanto procuravas

Voando sobre a mata e, de mansinho,

Mergulhavas a fundo, tão baixinho

Que quase – temi eu… – te despenhavas.

 

 

Bem te vi, mas não disse ter-te visto

Na tua insana busca. A natureza,

Deste mesmo planeta em que eu existo

 

 

Te criou alheado das razões

Que me vão tendo, a mim, nesta pobreza…

(E não. Nenhum de nós teve ilusões.)

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 04.09.2010 – 11.29h

 

 

 

O LOUCO, O ENIGMA E A ESPERA

 

 

 

… e ria-se das coisas que não tinha

Esquecido, já, das tantas que tivera

Se, em noites de luar, descia à vinha

Ébrio do louco amor que tinha em Hera



E, a seguir, nos vinhedos, se entretinha,

Tão nu como se a própria Primavera

Da nudez lhe engendrasse uma adivinha

Que decifrasse a dor de cada espera…



Se chovia, explodia num desnorte!

Escorria-lhe esse estigma encosta abaixo,

Turbava-se-lhe a fronte em desespero



E, louco, maldizendo a sua sorte,

Sumia-se entre as pedras, cabisbaixo,

Ansiando exactamente o que eu nem espero.

 

 

Maria João Brito de Sousa  - 13.09.2010





 

 



Maria João Brito de Sousa – 05.09.2010 – 11.50h



NOTA – Soneto reformulado a 22.08.2015

 

 

 

 

 

 

HOJE

 

 

Hoje não será dia de poema

E, caso os anjos falem, só dirão

Que eu, hoje, ostentarei o velho emblema

Da minha apetecida solidão.

 

 

Hoje é um dia mudo e não há tema,

Nem motivo, nem verbo ou convicção,

Não há uma alegria, um só problema

Que possam merecer-me uma atenção.

 

 

Hoje este meu soneto não tem voz…

É estático, insondável e proscrito

E não aspira a mais do que ao mutismo.

 

 

Ato as amarras d`alma com mil nós,

Desminto absurdamente o que foi escrito,

Cerro os dentes, engulo o meu lirismo!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 07.09.2010 – 10.08h

 

 

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