QUE PODE O VENTO FAZER?
![]()
Espreite aqui
Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]
![]()
Espreite aqui
![]()
Tela de minha autoria
fotografada e digitalizada por Vitor Martinez
*
L`IMPORTANT C`EST LA ROSE
*
Da natureza emerjo e sou quem sou
Consciente de aqui estar, mas tão serena
Que ao espelhar-me em luares de lua plena
Aguardo receber quanto lhes dou
*
E moldo cada raio que brilhou
Sem me sentir culpada, ingrata, obscena,
Por espinho, dissabor ou qualquer pena
Que emerja desta flor que del` brotou…
*
Então repasso o disco semi-gasto
De um mundo inexistente em que me basto
E hoje serei lunar porque me apraz
*
Ter um corpo distante, inerte e casto,
Do qual, sem dar por isso, só me afasto
Se me acontece qu`rer sem ser capaz
*
Maria João Brito de Sousa
19.01.2013 – 19.43h
***
Reedição reformulada
![]()
Leia aqui, por favor
![]()
Imagem ChatGPT
*
ESTE EU QUE AQUI GRAFO
*
Seja este EU que aqui grafo, um TU fraterno
Ainda que jamais paterno seja
Por não crer que haja um céu nem um inferno
Nem um poder mais alto que proteja
*
Este EU, que és TU, do gelo deste Inverno,
Da agressão, da calúnia, da inveja,
Dos desgovernos deste desgoverno,
Dos fanatismos vis e da peleja
*
Se ambos lutamos do lado da PAZ
E sei que este EU, que és TU, é bem capaz
De, nessa luta, dar-se todo inteiro
*
Não sendo crente, creio no que digo:
Castigar-te seria o meu castigo
Venhas TU de onde venhas, forasteiro.
*
Mª João Brito de Sousa
23.01.2026
***
![]()
Imagem ChatGPT
*
MOVER MONTANHAS
*
Não te procurarei até que venhas
E que tragas contigo o que levaste
De mim, que te dei mais que o que sonhaste,
De mim, que hoje abandonas e desdenhas
*
Como se as tuas glosas fossem estranhas
Aos versos que comigo partilhaste
Por isso voa até onde te encantaste
Ainda que voando me detenhas
*
Mas se em verdade, Musa, me olvidaste,
Enquanto noutras vozes te entretenhas
Ache eu a voz da voz que em mim calaste
*
E ainda que me percas se me ganhas,
É no poema que hoje me negaste
Que encontro força pra mover montanhas.
*
Mª João Brito de Sousa
19.01.2022 - 13.45h
***
![]()
PARTIR SEM TER SONHADO
*
Sou apenas um bicho, um bicho humano,
Diurno, persistente, ensolarado,
De corpo estoicamente habituado
À dor do desconforto, ao desengano
*
Às coisas que me vão causando dano
E a outras que me vão criando enfado,
Mas comigo convivem, lado a lado,
Ao longo do percurso, ano após ano...
*
Se o digo, é por senti-lo e, sem cuidado,
Dispenso-me indagar se, sendo, agrado,
Ou se erro por não ter traçado um plano
*
Mas caia, ou não, a nódoa em alvo pano,
Nunca direi que estou sem ter cá estado,
Nem que daqui me vou sem ter sonhado.
*
Maria João Brito de Sousa
19.01.2015 -23.45h
***
![]()
Por aqui, faça favor
![]()
![]()
Fotografia de Carlos Ricardo
*
DEZASSETE DE JANEIRO
*
Irei desintegrar-me em dez segundos
Após a conclusão do que decreto
Aqui, preto-no-branco, a branco e preto,
Em caracteres ousados e rotundos
*
Há vermes a soltar viscos imundos
Sobre o que já foi sonho e foi projecto
E agora pode ser o mais abjecto
Dos actos sujos, vis, nauseabundos...
*
Nada de novo aqui, neste poema:
Bem melhor abordou o mesmo tema
Henriques Britto, o bom soneticida
*
Que no seu "Dezanove de Janeiro"
Fuzilou um soneto passageiro
Meteu-se na "bagnole" e fez-se à vida.
*
Maria João Brito de Sousa
Portugal
*
Inspirado no soneto "Dezanove de Janeiro" do poeta brasileiro Paulo Henriques Britto
*
Bagnole - automóvel, veículo de 4 rodas ou carripana em francês
![]()
Imagem ChatGPT
*
AS TUAS MÃOS
Nas tuas mãos eu, ave, te confesso
Que esvoaço, sucumbo e, já rendida,
Procuro nessas mãos uma guarida
Em que a chama que sou não tenha preço
*
Eu, ave, só te entrego o que não peço:
Submeto-me à carícia prometida
Nas asas da loucura em mim escondida
Que tu nem sonharias e eu não meço
*
E que outra ave marinha ofertaria
Tanta e tão profundíssima alegria,
Que outra alma se daria em seda pura?
*
As tuas mãos… quem mais se atreveria
A desvendar-lhes sede e fantasia
Para enchê-las de amor e de ternura?
*
Maria João Brito de Sousa
Maio 2007
***
![]()
Não se assuste, venha comigo!
![]()
Imagem Pinterest
*
TEMPO
*
Tu dizes Eu
como quem bebe um copo de astros
e
esculpes os corpos
nas arestas do dia a dia
com a leveza das mãos que não tens
*
Tu dizes Vida
como se ela estivesse ainda por nascer
e continuas a moldá-la
e
a cobri-la
dos indispensáveis acessórios:
as teias, os fungos, as algas, os dourados bolores...
*
Tu passas
como se de todo não passasses
e
não tens memória
que,
a essa,
somos nós,
nós, bichos e sombras e plantas
e
serenas pedras de todos os caminhos
que
ta vamos doando
para que nela te possamos (re)conhecer
*
Maria João Brito de Sousa
15.01.2019 – 12.43h
***
Hoje, no meu blog de sonetos, um poema que não é um soneto...
![]()
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.