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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
30
Dez25

NATAL - Custódio Montes e Maria João Brito de Sousa

Maria João Brito de Sousa

NATAL 2025 (1).png

Imagem gerada pelo ChatGPT

*

 

COROA DE SONETOS

*

 

NATAL

*

A neve cobre o monte iluminado

Nas palhas o menino adormecido

Os sinos com um toque enternecido

Espalham o evento encantado

*

Nasceu já o menino anunciado

Deitado sobre a cama e aquecido

Embora sem ter roupas e despido

Mas com todo o calor do povoado

*

Natal, é nascimento e alegria
Para que seja assim no dia a dia
Com glória, com fartura e riqueza

*

Acabe-se a miséria, finde a guerra
Que haja sempre alimento sobre a terra
Para acabar a fome e a pobreza

*

Custódio Montes
***

2.

*

"Para acabar a fome e a pobreza"

Será que um Natal basta? Não sei não,

Mas tem-se, nesta noite, essa ilusão

Ainda que em momentos de incerteza...
*

Momentos de amargura ou de tristeza

Podem render-se face à tradição,

Mas não esqueçamos quem não tem nem pão

Pra, nesta noite, pôr à sua mesa
*

Ou quem balas recebe por presente

Não por ser menos gente do que a gente

Mas porque a guerra pode sempre mais...
*

Se quem com espada mata à espada morre,

Porque é que este horror todo ainda ocorre,

Porque é que eu ouço o mundo inteiro aos ais?
*

Mª João Brito de Sousa

24.12.2025 - 19.20h
***


3.
*

“Porque é que eu ouço o mundo inteiro aos ais?"

O mundo inteiro não, só o dos pobres

Que os outros comem tudo, enchem os odres

E não têm problemas como os mais
*

Passeiam-se em bons carros, dão sinais

De terem tudo a volta, não uns cobres

Nem serem uns plebeus, mas antes nobres

E são considerados maiorais
*

 

Como disse o poeta “comem tudo”

E todo o mundo vê mas fica mudo

Por causa de não ter perseguição
*


As armas que constroem são de guerra

Por isso há muitos ais por sobre a terra

De pobres sem ter nada, sem ter pão
*

Custodio Montes
29.12.2025
***

4.
*

"De pobres sem ter nada, sem ter pão",

Jovens, velhos, crianças... tantos, tantos

Que vestem da miséria os magros mantos

Do que couber à sua humilhação
*


Os grandes, por não terem coração,

Passam por eles sem mágoa nem quebrantos

Nunca lhes dando mais que desencantos,

Nem sequer vendo a sua frustração...
*


Cada vez mais soberbos falsos nobres

Ignoram, pr`aforrarem mais uns cobres,

Os que tombam na guerra ou mesmo à míngua
*

De alimento e cuidados. Triste mundo

Este que bem podia ser fecundo...

Pra tanto mal já vai faltando língua.
*


Mª João Brito de Sousa

29.12.2025
***

5.
*

“Pra tanto mal já vai faltando língua”

E vai faltando paz, um bem supremo

Sem haver solução, é o que eu temo

Porque de gente boa há muita míngua

*

 

Também no mundo há quem não distinga

O bem do mal nem haja mão ao remo

Para levar o barco a um bom termo

E dar o pão ao pobre que mendiga

*

 

Pensamos que o Natal é nascimento

E que há muita fartura e alimento

Com tanta luz à volta e com calor

*

 

Mas nem se esconde a fome e o sofrer

De quem nada tem nem de comer

Com morte, sofrimento e tanta dor!

*

 

Custódio Montes

30.12.2025
***


6.
*

"Com morte, sofrimento e tanta dor"

Carregam essa cruz infindas vidas

Sempre entre mil chegadas e partidas

E também entre o ódio e o amor...
*


E este eterno vaivém é tão maior

Quanto mais as dor`s são desmentidas

Apesar de por nós serem sentidas,

Apesar de, pra nós, terem valor...
*


E engordando a elite à nossa custa

Sabemos que esta vida é mesmo injusta

Apesar dos encantos do Natal
*


Porque até o menino, esse inocente,

Cresceu e foi punido cruamente

Tão só por não ter feito nenhum mal...
*

 

Mª João Brito de Sousa

30.12.2025
***

7
´
*
“Tão só por não ter feito nenhum mal”

Mas por não agradar à judiaria

E ser opositor com rebeldia

A dar o seu exemplo bem frontal
*

 

Fosse hoje palestino era igual

Judeus e americanos, em harmonia

Destruíam-lhe a casa e a alegria

E roubavam-lhe a terra e o seu quintal
*

 

Melhor será pensarmos no amanhã

Desejarmos bom ano com afã

Cobrirmos a tristeza sem engano
*


Com neve, chuva ou vento a soprar

Melhor será, com alma, desejar

A todos, com amor, um melhor ano
*

 

Custódio Montes
30.12.2025
***

8.
*

"A todos, com amor, um melhor ano"

Desejo, pode crer, com tal fervor

Que até me esqueço da profunda dor

Que espiçaça este corpo velho, insano
*


Cansado de andar neste desengano

De não saber criar maior valor...

Perdoe-me esta falta de vigor,

Mas pra traje a rigor não tenho pano...
*


Se a tal me atrevo quando tonta estando

A si o devo que me foi tentando

E eu não sei resistir a desafios...
*


Está a chegar a "senhora do banho"

E por mais que pareça tonto ou estranho

Estou coberta de sono e calafrios...
*


Mª João Brito de Sousa

30.12.2025
***

9.
*


“Estou coberta de sono e calafrios”

Mas tem que acordar que lhe faz bem

Pense ter vinte anos que ninguém

Descobre que tem esses desvarios
*

 

A sua rapidez nos desafios

É douta e com sono ninguém tem

A sua lucidez que nos convém

E dá calor em dias frios, frios
*

 

Poemas são estrelas a brilhar

Mais belas se se virem junto ao mar

Escreva porque este ano vai-se embora
*

 

Desaparece o dono e a poesia

Acorda-a e a nós dá alegria

Ao lê-la, dia a dia, hora a hora
*

 

Custódio Montes

30.12.2025

***

10.
*

"Ao lê-lo dia a dia, hora a hora"

Sinto-me muito mais acompanhada

Que a escrita é companheira abençoada

Pois sempre me seduz e me enamora...
*


Não tarda mesmo nada irei embora

Para me abastecer de um quase nada

Que amanhã comerei. E consolada

Estarei enquanto este ano se demora ...
*


Voltarei, no entanto, e se puder

Estarei consigo e pronta a responder

Ao próximo soneto da Coroa
*


Se o andarilho assim mo permitir

Daqui a poucas horas torno a vir

Beber quanta poesia me atordoa!
*


Mª João Brito de Sousa

30.12.2025
***

11.
*

“Beber quanta poesia me atordoa!”

Que faz bem, como sabe, a poesia

E nos dá importância e alegria

Quando nos envaidece por ser boa
*


Não só quando viaja por Lisboa

Mas quando nos visita dia a dia

Nos enche de vaidade e inebria

Em cada canto onde ela é bela e voa
*

 

E dou como exemplo a grande fada

Que vive junto ao mar e inspirada

Faz com que a mim me surja inspiração
*


Há tempos relaxei o escrever

E com a sua ajuda e saber

Sonetos e sonetos aí vão
*


Custódio Montes
30.12.2025
***

12.
*

"Sonetos e sonetos aí vão"

Voando como pombas ou pardais

Que não querem chegar tarde demais

E não desdenham desta animação
*


Sei que, ao escrever-lhe, não lhe escrevo em vão

Pois recebo de volta mil sinais:

Vai esta C`roa dando voltas tais

Que nunca acabará em decepção!
*

 

Reconheço, porém, que a minha escrita

Inda não está perfeita nem bonita...

Talvez ainda fraca e combalida
*


Precise de sentir-se confiante...

Mas que fazer senão seguir avante?

A escrita, meu amigo, é como a vida...
*


Mª João Brito de Sousa

30.12.2025
***

13.
*

“A escrita, meu amigo, é como a vida”

Que anda sempre em frente sem parar

Mas a vida amanhã pode acabar

A escrita é eterna por ser lida
*

 

E se for poesia bem sentida

E quem a venha a ler dela gostar

De certo até a pode eternizar

E ter-lhe mais amor por tão querida
*

 

Quando se não escreve o esquecimento

Envolve cada dia e momento

E não se lembra o bem nem lembra o mal
*

 

Dum soneto falou-se dum menino

Da paz que a gente quer como destino

E tudo isso à volta do Natal
*

 

Custódio Montes

30.12.2025
***

14.
*

"E tudo isso à volta do Natal"

De um menino que o mundo não esqueceu,

Que num precário abrigo enfim nasceu

Para fazer o bem vencendo o mal...
*

 

Com el` um sonho nasce, um ideal

Que perdura, que nunca se perdeu...

Dizem alguns que veio lá do céu

Pra na Terra tornar-se enfim real...
*


Desse pequeno ser nunca esquecido

Eu julgo ouvir um som. É um vagido,

Um som quase inaudível, abafado...
*


Vêm vindo pastor`s pra conhecê-lo

E tornando o cenário inda mais belo

"A neve cobre o monte iluminado"
*


Mª João Brito de Sousa

30.12.2025
***

30
Dez25

FOME(S ) II - Reedição

Maria João Brito de Sousa

ondas - Luis Rodrigues (1).png

Fotografia de Luís Rodrigues

*

FOME(S) II
*


Se tens fome do pão que ao rico sobra,

A força da razão está do teu lado

Quando acusas traído o resultado

De tudo o que é produto de mão de obra
*


E se, do que criaste, outrem te cobra

O fruto inteiro ou o maior bocado

E a ti te deixa pobre e esfomeado

Certo de que te cala e que te dobra
*


Mal sabe que te entrega a força toda,

Que essa força em ti cresce e se denoda

Indo acender-se em chama renovada
*


Porquanto se agiganta, alastra em roda,

Incendeia-se toda e mais te açoda

Quando do que estuou lhe sobra um nada.
*


Mª João Brito de Sousa
In A CEIA DO POETA

***

 

29
Dez25

A UMA MANHÃ DE SOL

Maria João Brito de Sousa

A UMA MANHÃ DE SOL (1).png

Imagem gerada pelo ChatGPT

*

A UMA MANHÃ DE SOL
*


Deixai que entre o Sol e que prove e que trinque,

Que toque e que brinque ou que sopre o seu fole

Cantando em bemol ou bebendo o seu "drink"

E entrando num "link" que em versos se enrole
*

 

Pra que me console e os pés aqui finque

Que brilhe, que brinque e que a mim me console

Ou que a mim se cole dançando num rinque

Vestido de "pink" ... Que não mais me isole
*


O raio de Sol que hoje me despertou,

Que sabe quem sou e que vem deslumbrado

Cair no telhado em que moro, onde estou
*


E que me livrou de outro qualquer cuidado:

O resto é passado e este Sol não passou,

Por cá se quedou rendido, encantado.
*

 

Mª João Brito de Sousa

29.12.2025
***


Soneto em verso hendecassilábico com rima entrançada

29
Dez25

DEIXAI QUE A NOITE ENTRE - Reedição

Maria João Brito de Sousa

Casa Perdida na Luz, Luís Rodrigues.jpg

Tela de Luís Rodrigues

*

DEIXAI QUE A NOITE ENTRE
*


Deixai que a noite entre, que eu morro de sono

E em doce abandono me entrego a Morfeu

Que por ser ateu nunca quis ser meu dono

Só dono do sono que me adormeceu...
*


Num berço só meu, neste suave abandono,

Se gemo ou ressono, que o faça só eu

Na noite de breu em que ao dia me abono

Sem dor, sem patrono, sem sonhos, sem véu
*


Nem o medo incréu de fantasmas no escuro...

Não sei que futuro, mas trago um passado

E ao que era arriscado tornei mais seguro
*


Pois transpus o muro e deixei-o de lado,

Sumido, olvidado. Amigos, vos juro

Que um tal sono é puro, nunca amargurado!
*

 


Maria João Brito de Sousa

28.12.2017 – 13.59h
***

Soneto em verso hendecassilábico com rima entrançada escrito
na sequência do soneto homónimo de Maria da Encarnação Alexandre (MEA)

26
Dez25

NATAL

Maria João Brito de Sousa

Espaço Memória 2024 II.JPG

Na Associação Espaço Memória fotografada por Carlos Ricardo

*

NATAL
*

A neve cobre o monte iluminado

Nas palhas o menino adormecido

Os sinos com um toque enternecido

Espalham o evento encantado
*

Nasceu já o menino anunciado

Deitado sobre a cama e aquecido

Embora sem ter roupas e despido

Mas com todo o calor do povoado
*

Natal, é nascimento e alegria

Para que seja assim no dia a dia

Com glória, com fartura e riqueza
*

Acabe-se a miséria, finde a guerra

Que haja sempre alimento sobre a terra

Para acabar a fome e a pobreza
*

Custódio Montes
***

"Para acabar a fome e a pobreza"

Será que um Natal basta? Não sei não,

Mas tem-se, nesta noite, essa ilusão

Ainda que em momentos de incerteza...
*


Instantes de amargura ou de tristeza

Podem render-se face à tradição,

Mas não esqueçamos quem não tem nem pão

Pra no Natal levar à sua mesa
*


Ou quem balas recebe por presente

Não por ser menos gente do que a gente

Mas porque a guerra pode sempre mais...
*


Se quem com espada mata à espada morre,

Porque é que este horror todo ainda ocorre,

Porque é qu`inda ouço o mundo inteiro aos ais?
*


Mª João Brito de Sousa

24.12.2025 - 19.20h
***

 

 

 

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