NATAL - Custódio Montes e Maria João Brito de Sousa
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COROA DE SONETOS
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NATAL
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A neve cobre o monte iluminado
Nas palhas o menino adormecido
Os sinos com um toque enternecido
Espalham o evento encantado
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Nasceu já o menino anunciado
Deitado sobre a cama e aquecido
Embora sem ter roupas e despido
Mas com todo o calor do povoado
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Natal, é nascimento e alegria
Para que seja assim no dia a dia
Com glória, com fartura e riqueza
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Acabe-se a miséria, finde a guerra
Que haja sempre alimento sobre a terra
Para acabar a fome e a pobreza
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Custódio Montes
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2.
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"Para acabar a fome e a pobreza"
Será que um Natal basta? Não sei não,
Mas tem-se, nesta noite, essa ilusão
Ainda que em momentos de incerteza...
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Momentos de amargura ou de tristeza
Podem render-se face à tradição,
Mas não esqueçamos quem não tem nem pão
Pra, nesta noite, pôr à sua mesa
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Ou quem balas recebe por presente
Não por ser menos gente do que a gente
Mas porque a guerra pode sempre mais...
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Se quem com espada mata à espada morre,
Porque é que este horror todo ainda ocorre,
Porque é que eu ouço o mundo inteiro aos ais?
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Mª João Brito de Sousa
24.12.2025 - 19.20h
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3.
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“Porque é que eu ouço o mundo inteiro aos ais?"
O mundo inteiro não, só o dos pobres
Que os outros comem tudo, enchem os odres
E não têm problemas como os mais
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Passeiam-se em bons carros, dão sinais
De terem tudo a volta, não uns cobres
Nem serem uns plebeus, mas antes nobres
E são considerados maiorais
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Como disse o poeta “comem tudo”
E todo o mundo vê mas fica mudo
Por causa de não ter perseguição
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As armas que constroem são de guerra
Por isso há muitos ais por sobre a terra
De pobres sem ter nada, sem ter pão
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Custodio Montes
29.12.2025
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4.
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"De pobres sem ter nada, sem ter pão",
Jovens, velhos, crianças... tantos, tantos
Que vestem da miséria os magros mantos
Do que couber à sua humilhação
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Os grandes, por não terem coração,
Passam por eles sem mágoa nem quebrantos
Nunca lhes dando mais que desencantos,
Nem sequer vendo a sua frustração...
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Cada vez mais soberbos falsos nobres
Ignoram, pr`aforrarem mais uns cobres,
Os que tombam na guerra ou mesmo à míngua
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De alimento e cuidados. Triste mundo
Este que bem podia ser fecundo...
Pra tanto mal já vai faltando língua.
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Mª João Brito de Sousa
29.12.2025
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5.
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“Pra tanto mal já vai faltando língua”
E vai faltando paz, um bem supremo
Sem haver solução, é o que eu temo
Porque de gente boa há muita míngua
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Também no mundo há quem não distinga
O bem do mal nem haja mão ao remo
Para levar o barco a um bom termo
E dar o pão ao pobre que mendiga
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Pensamos que o Natal é nascimento
E que há muita fartura e alimento
Com tanta luz à volta e com calor
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Mas nem se esconde a fome e o sofrer
De quem nada tem nem de comer
Com morte, sofrimento e tanta dor!
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Custódio Montes
30.12.2025
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6.
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"Com morte, sofrimento e tanta dor"
Carregam essa cruz infindas vidas
Sempre entre mil chegadas e partidas
E também entre o ódio e o amor...
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E este eterno vaivém é tão maior
Quanto mais as dor`s são desmentidas
Apesar de por nós serem sentidas,
Apesar de, pra nós, terem valor...
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E engordando a elite à nossa custa
Sabemos que esta vida é mesmo injusta
Apesar dos encantos do Natal
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Porque até o menino, esse inocente,
Cresceu e foi punido cruamente
Tão só por não ter feito nenhum mal...
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Mª João Brito de Sousa
30.12.2025
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7
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“Tão só por não ter feito nenhum mal”
Mas por não agradar à judiaria
E ser opositor com rebeldia
A dar o seu exemplo bem frontal
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Fosse hoje palestino era igual
Judeus e americanos, em harmonia
Destruíam-lhe a casa e a alegria
E roubavam-lhe a terra e o seu quintal
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Melhor será pensarmos no amanhã
Desejarmos bom ano com afã
Cobrirmos a tristeza sem engano
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Com neve, chuva ou vento a soprar
Melhor será, com alma, desejar
A todos, com amor, um melhor ano
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Custódio Montes
30.12.2025
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8.
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"A todos, com amor, um melhor ano"
Desejo, pode crer, com tal fervor
Que até me esqueço da profunda dor
Que espiçaça este corpo velho, insano
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Cansado de andar neste desengano
De não saber criar maior valor...
Perdoe-me esta falta de vigor,
Mas pra traje a rigor não tenho pano...
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Se a tal me atrevo quando tonta estando
A si o devo que me foi tentando
E eu não sei resistir a desafios...
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Está a chegar a "senhora do banho"
E por mais que pareça tonto ou estranho
Estou coberta de sono e calafrios...
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Mª João Brito de Sousa
30.12.2025
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9.
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“Estou coberta de sono e calafrios”
Mas tem que acordar que lhe faz bem
Pense ter vinte anos que ninguém
Descobre que tem esses desvarios
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A sua rapidez nos desafios
É douta e com sono ninguém tem
A sua lucidez que nos convém
E dá calor em dias frios, frios
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Poemas são estrelas a brilhar
Mais belas se se virem junto ao mar
Escreva porque este ano vai-se embora
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Desaparece o dono e a poesia
Acorda-a e a nós dá alegria
Ao lê-la, dia a dia, hora a hora
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Custódio Montes
30.12.2025
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10.
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"Ao lê-lo dia a dia, hora a hora"
Sinto-me muito mais acompanhada
Que a escrita é companheira abençoada
Pois sempre me seduz e me enamora...
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Não tarda mesmo nada irei embora
Para me abastecer de um quase nada
Que amanhã comerei. E consolada
Estarei enquanto este ano se demora ...
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Voltarei, no entanto, e se puder
Estarei consigo e pronta a responder
Ao próximo soneto da Coroa
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Se o andarilho assim mo permitir
Daqui a poucas horas torno a vir
Beber quanta poesia me atordoa!
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Mª João Brito de Sousa
30.12.2025
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11.
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“Beber quanta poesia me atordoa!”
Que faz bem, como sabe, a poesia
E nos dá importância e alegria
Quando nos envaidece por ser boa
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Não só quando viaja por Lisboa
Mas quando nos visita dia a dia
Nos enche de vaidade e inebria
Em cada canto onde ela é bela e voa
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E dou como exemplo a grande fada
Que vive junto ao mar e inspirada
Faz com que a mim me surja inspiração
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Há tempos relaxei o escrever
E com a sua ajuda e saber
Sonetos e sonetos aí vão
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Custódio Montes
30.12.2025
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12.
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"Sonetos e sonetos aí vão"
Voando como pombas ou pardais
Que não querem chegar tarde demais
E não desdenham desta animação
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Sei que, ao escrever-lhe, não lhe escrevo em vão
Pois recebo de volta mil sinais:
Vai esta C`roa dando voltas tais
Que nunca acabará em decepção!
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Reconheço, porém, que a minha escrita
Inda não está perfeita nem bonita...
Talvez ainda fraca e combalida
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Precise de sentir-se confiante...
Mas que fazer senão seguir avante?
A escrita, meu amigo, é como a vida...
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Mª João Brito de Sousa
30.12.2025
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13.
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“A escrita, meu amigo, é como a vida”
Que anda sempre em frente sem parar
Mas a vida amanhã pode acabar
A escrita é eterna por ser lida
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E se for poesia bem sentida
E quem a venha a ler dela gostar
De certo até a pode eternizar
E ter-lhe mais amor por tão querida
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Quando se não escreve o esquecimento
Envolve cada dia e momento
E não se lembra o bem nem lembra o mal
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Dum soneto falou-se dum menino
Da paz que a gente quer como destino
E tudo isso à volta do Natal
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Custódio Montes
30.12.2025
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14.
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"E tudo isso à volta do Natal"
De um menino que o mundo não esqueceu,
Que num precário abrigo enfim nasceu
Para fazer o bem vencendo o mal...
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Com el` um sonho nasce, um ideal
Que perdura, que nunca se perdeu...
Dizem alguns que veio lá do céu
Pra na Terra tornar-se enfim real...
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Desse pequeno ser nunca esquecido
Eu julgo ouvir um som. É um vagido,
Um som quase inaudível, abafado...
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Vêm vindo pastor`s pra conhecê-lo
E tornando o cenário inda mais belo
"A neve cobre o monte iluminado"
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Mª João Brito de Sousa
30.12.2025
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