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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
31
Jul25

SE O CHICOTE DO RAIO ME ILUMINA - Reedição

Maria João Brito de Sousa

se o chicote do raio me ilumina (1).png

Imagem gerada pelo ChatCPT

*

SE O CHICOTE DO RAIO ME ILUMINA
*


Se hoje escrevo com alma de trovão

E o chicote do raio me ilumina,

São as minhas memórias de menina

Que, debruçadas no meu coração,
*


Me acendem, das razões que há na razão,

A improvável vela que, à bolina,

Singra agora, indomável peregrina

Dos ventos fortes, rumo ao furacão
*


Lembras-te, avô poeta, desses dias

Das grandes chuvas e de ventanias

Que saudávamos sempre fascinados?
*


Das vergastas de luz que ribombavam,

Colorindo as rajadas que sopravam

Nos nossos rostos mudos, assombrados?
*


© Maria João Brito de Sousa

Julho, 2020

(no dia a seguir à grande trovoada de Verão)

29
Jul25

NINGUÉM PASSA NA ALAMEDA - Reedição

Maria João Brito de Sousa

a walk in a book pint. copy (1).jpg

Imagem Pinterest

*

NINGUÉM PASSA NA ALAMEDA
*


Silenciada esquina, eterno vento,

Ninguém cruza a alameda, ninguém passa,

Apenas uma pomba que esvoaça

Lhe imprime alguma vida e movimento.
*


Um homem sobe agora, sonolento,

Os degraus com que a escada me ameaça:

Caí na escadaria da desgraça

E, devendo arriscar, nem mesmo o tento!
*


Sopra o vento. Mais zune e mais fustiga

As casas desta esquina de que é dono...

Por detrás da vidraça que me abriga
*


O bocejo das pedras faz-me sono,

Induz-me esta dormência que me intriga

Tanto ou mais do que a rua, ao abandono.
*

 

Maria João Brito de Sousa

22.07.2018 – 11.11h
***

27
Jul25

FERA E DONO - Reedição

Maria João Brito de Sousa

FERA E DONO II (1).png

Imagem prcessada pelo ChatGPT

*

FERA E DONO
*


Tu estavas de joelhos frente à fera,

Ao titã que rugia e que rosnava...

Na tua face impávida, severa,

Nem sombra de temor se adivinhava
*


A fera ali espreitando, à tua espera,

E cada gesto teu a ignorava,

Como se protegido pela esfera

Do aço que a vontade em ti forjava
*


- A fera é o Soneto!, afiançaste.

Não sei bem se o domaste, ou não domaste,

Porque a noite caiu, fiquei com sono
*


E fui dormir. Ainda vislumbrei

Em sonho os vossos vultos mas não sei

Qual de vós dois passou de fera a dono.
*

 

Maria João Brito de Sousa

16.07.2018 -13.06h
***

Nota - Este soneto, embora tecido em verso decassilábico, foi dirigido ao célebre

soneto Alexandrino, o mais difícil e complexo de todos os tipos de soneto

27
Jul25

ALICE - Reedição

Maria João Brito de Sousa

eu e avó alice (1).jpg

Avó Alice e eu

fotografadas por meu pai

*

 

ALICE
*


Amei-te tanto, tanto, minha avó!

Louvavas-me os “murais” da grande sala

Quando com suave e modulada fala

Me garantias: - “Nunca estarás só,
*


Transbordas vida até chegar ao nó

De quanto em ti se exalta e vibra e estala.”

A doce voz, porém, depressa cala,

Que quem assim me fala há muito é pó...
*


Eras, Alice, a minha avó paterna,

Mais maternal que muitas ternas mães,

E assim que percebi não ser`s eterna
*


A tua voz, a voz que ainda tens,

Doeu-me tanto, que hoje alço a lanterna

E sondo céus e Terra, a ver se vens...
*

 

Maria João Brito de Sousa

26.07.2018 – 17.59h
***

26
Jul25

CONCEBO CARTAZES - Soneto reformulado

Maria João Brito de Sousa

CONCEBO CARTAZES 2 (1).png

Imagem processada pelo ChatGPT

*

CONCEBO CARTAZES
*


Conserta castelos, corais conspurcados,

Chaves, cadeados, cristais e capelos.

Compra caramelos contrabandeados,

Comanda cruzados, conduz os camelos
*


Com claros cabelos castanhos, cortados,

Crescem-lhe os cuidados. Quem sabe contê-los?

Ciúmes ou “celos”? Castelhanizados,

Cuidam os coitados de compreendê-los.
*


Colava cartazes com cola cuspida.

Comprava comida. Compunha cabazes.

Contratos capazes? Confiante? Cumprida?
*


Cresceste e, crescida, certinha comprazes

Carismas com crases de (in)compreendida...

Contas, consumida :- Concebo cartazes...
*

 


Maria João Brito de Sousa

21.07.2018 – 15.21h
***

Soneto hendecassilábico com rima entrançada

Reformulado

25
Jul25

SILÊNCIO II - Reedição

Maria João Brito de Sousa

Avô na casa de Algés (1).gif

António de Sousa, o meu avô poeta

fotografado pelo meu pai

*

SILÊNCIO II
*
 
Silêncio! Nem protestos nem queixumes
 
Soltam os versos mortos insepultos:
 
Perdem-se nos desertos dos ocultos
 
As aves desgarradas, quando implumes.
*
 
 
Não há escudos pra espadas de dois gumes
 
Nem há contra-veneno para insultos
 
E o meu silêncio nunca paga indultos
 
Nem serve a desistência em que o presumes
*
 
 
Arranco um verso ao prazo ultrapassado
 
De um mísero estertor dos meus sentidos
 
Que a ferro e fogo foi reconquistado
*
 
 
E já perdi a conta aos que, perdidos,
 
Deixei ficar pra trás... Ah, naufragado,
 
No teu silêncio afogo os meus gemidos!
*
 
 
Maria João Brito de Sousa 
 
25.07.2021 - 13.22h
*
24
Jul25

SINA DE SIBILANTE

Maria João Brito de Sousa

sina de sibilante (1).png

Imagem processada pelo ChatGPT

*

SINA DE SIBILANTE
*

(a António Giacomo Stradivari)
*


A sílaba sustém-se (as)silabada,

Silente ou simplesmente sussurrante,

Ciente da ciência soluçante,

Suavíssima, secreta, (en)simesmada.
*


Submete-se à sessão silenciada,

Subtil solfejo de aço, sibilante,

Subverte a situação, insinuante,

Supinamente só, sobressaltada
*


Solta silvos, (a)ssusta, serpenteia,

(A)ssume a suave essência da sereia,

Semeia, sábia, a sã sabedoria
*


Suprime ou sobrestima a suspensão,

Sofre os silêncios, sofre a submissão...

Subitamente explode em sinfonia!
*

 


Maria João Brito de Sousa

***

In CLAUSURA, Junho de 2022
*

Obra de Laurinda Rodrigues na qual  o poeta Fernando Augusto Cunha de Sá e eu fomos convidados a participar

24
Jul25

APONTAMENTO- Reedição

Maria João Brito de Sousa

paper boat in the sky (1).jpg

Imagem Pinterest

***

APONTAMENTO
*

 

Conversei com lagartas, centopeias,

Bichos-de-conta, formigas com asas...

Vi aranhas tecendo as suas teias,

Caracóis carregando as suas casas
*


Abelhas, no cuidado da colmeias,

Pulgas-do-mar saudando as marés-vazas,

Corais que eram bordados de sereias,

Medusas a sulcar as águas rasas...
*


Vi, deste mundo, um ror de coisas belas,

E até às portuguesas caravelas

Saudei, sem recear-lhes o veneno
*


Os meus olhos, então amplas janelas,

Cobriram-se de grades, como as celas

Que algum espaço nos cedem, mas pequeno...
*


Maria João Brito de Sousa

04.07.2018 – 10.59h
***

NOTA - Soneto escrito quando aguardava a cirurgia às cataratas

23
Jul25

VERMELHO.TU - Reedição

Maria João Brito de Sousa

vermelho eu.jpg

VERMELHO.TU
*


Há tempo no meu gesto, esse indomado,

Pra beber o café que me trouxeste.

Amargo e doce porque assim mo deste.

Vermelho tu. Vermelho o teu cuidado.
*


Também trouxeste pão. Um pão roubado

À fome urgente com que amanheceste

No dia em que do pão nada comeste.

Quando por tua mão fora amassado.
*


Na tensão do teu espanto o levedaste

E num vermelho forno o cozinhaste.

Vermelho tu. Vermelho esse teu pão.
*


Vermelho como tu. teu franco abraço.

E no teu livro. infindo embora escasso.

Coube íntegra e vermelha. a tua mão.
*


Maria João Brito de Sousa

16.07.2018 – 13.25h
*
Ao poeta Filipe Chinita.

Ao seu livro "Vermelho eu".

***

Pág. 1/3

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