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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
25
Jun23

NOVE ANOS POR AMOR MOLDEI; ESCULPI...

Maria João Brito de Sousa

nove abos por amor (1).jpg

Peça da autoria de Jorge Vieira

 

NOVE ANOS, POR AMOR, MOLDEI, ESCULPI...
*


Nove anos, por amor, moldei, esculpi,

Mil formas dei ao barro da palavra:

Nove anos, sol a sol, servi, qual escrava,

A vontade do barro em que nasci
*


Nove anos, por opção, não desisti

Dessa labuta que por mim clamava

E nove anos a fio sobrevivi

Dos parcos frutos que esse ofício dava...
*


Por outros nove, ou mais, resistiria

Se esta vida tão só mos concedesse:

Mais nove vezes nove os moldaria
*


No barro da palavra... se pudesse,

Pois quem do barro vive, em barro cria

O que da mente emerge ou alvorece.
*


Maria João Brito de Sousa

23.06.2016

¨¨¨¨¨¨¨¨


 Peça da autoria de Jorge Vieira

23
Jun23

POEMA À PRIMEIRA MULHER II - Reedição

Maria João Brito de Sousa

As três idades (2).jpg

POEMA À PRIMEIRA MULHER II
*


Imaculada, afirmo o que não devo:

Preencho a escura cova do meu fim

Com quanta flor semeie num jardim

Quimérico, insondável e primevo…
*


Ingénua, sem sonhar que me descrevo

À luz do que mais puro existe em mim,

Não fora o escuro abismo ser assim,

Profundo - tanto mais quão mais me elevo… -
*


Talvez soubesse projectar-me toda

Nos sonhos que me orbitam numa roda

Que aspira à mais perfeita identidade
*


Mas, finalmente, o germe do real

Corrompe a carne preservada em sal,

Desponta e vem-me impor toda a verdade.
*

 

Maria João Brito de Sousa

20.06.2014 - 16.33h
***

NOTA – Soneto recriado a partir do soneto original “Poema à Primeira Mulher”

in Pequenas Utopias, Corpos Editora, 2012

Imagem- "As Três Idades do Homem", Hans Baldung Grien

23
Jun23

DESLEIXO - Reedição

Maria João Brito de Sousa

desleixo.jpg

DESLEIXO
*

Soneto que me nasça por favor,

sem essa rebeldia indefinível

dos versos que se esculpem por amor

na sequência de urgência irreprimível
*


Bem pode ostentar forma e ter rigor,

Porém não terá "garra", essa indizível,

que o tempera, o reforça, dá vigor

e é, no fundo, o que o torna irrepetível
*


Mas que posso fazer contra a vontade,

transformada em rotina involuntária

que me exige um soneto? Aqui o deixo,
*


Sabendo que ajo mal pois, na verdade,

por capricho tornei-me, a mim, contrária

e em vez de excelência urdi desleixo!
*


Maria João Brito de Sousa

17.06.2010 – 09.26h
***

22
Jun23

ATÉ QUE O SANGUE ESCORRA, VERMELHINHO - Reedição

Maria João Brito de Sousa

L`IMPORTANT C´EST LA ROSE (1).jpeg

"Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos. Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!"
Machado de Assis

*
ATÉ QUE O SANGUE ESCORRA, VERMELHINHO
*

 

Gosto de cactos verdes e espinhosos,

E até de rosas vaidosas e nobres...

Nos mundos ideais - sonho dos pobres! -

Finto sem medo maciços rochosos,
*


Mostrengos gigantescos, tenebrosos,

- dos que não vergarão por mais que os dobres -

E a todos vou metendo em meus alfobres

Transmutados em nuvem, vaporosos...
*


Aqui termino o breve devaneio

E assumo que há mostrengos que receio

Ou que as rosas me ferem se algum espinho
*


Dos muitos que por vezes manuseio,

Na carne se me crava, mesmo em cheio,

Até que o sangue escorra, vermelhinho.
*

 

Mª João Brito de Sousa
15.05.2022 - 15.50h
***

Soneto concebido para um desafio de temas no Horizontes da Poesia

21
Jun23

SONETO À MINHA LOUCA; LOUCA INSPIRAÇÃO - Reedição

Maria João Brito de Sousa

10511244_1013149678709646_2334400152755252755_n.jpg

Mulher em Molho de Luar - M.J.B.S., 1999

*

SONETO

À MINHA

"LOUCA, LOUCA, INSPIRAÇÃO"
*


Venho tarde e más horas porque venho

de um momento lunar que desconheces

no despontar da teia em que te teces

há mais do que a noção que tens de antanho
*


Se firo, como chaga ou corpo estranho

alheada do tanto que padeces,

é por puro desdém das gastas preces

que te confesso já, nego e desdenho!
*


Matéria, anti-matéria… o que me importa

se, ao ser razão, de ti me quedo absorta

pr` assombrar-te depois, sem mais razão
*


E sempre que me julgas muda ou morta

te invado ao arrombar a férrea porta

que usaste pra fechar-me o coração?
*

 

Maria João Brito de Sousa

18.12.2012 - 02.47h
***

19
Jun23

AMOR E DOR - Trilogia

Maria João Brito de Sousa

amor e dor - Edvard Münch.jpeg

"Amor e Dor", Edvard Munch

 

AMOR E DOR

*

Trilogia

*

AMOR E DOR NAS FALDAS DO ARARATE
*

 

Chegando ao Ararate, Amor e Dor,

Sentaram-se, cansados da jornada.

Olhando o Monte, a Dor ficou sanada

E, de contente, quis curar Amor:
*

 

Repara, Amor, que eu estava bem pior

Antes de iniciar a caminhada,

Que olhei o Monte e foi-se-me a pontada

E sinto despontar força e vigor!
*

 

Vem ver, para que o mal nunca te chegue,

Para que a praga, ao ver-te, se te negue,

E não possa haver peste que te mate!
*

 

Ouviu-a, Amor. Olhou. Perdeu-se olhando.

Voltou sozinha a Dor, de dor chorando

Por se perder de Amor no Ararate.
*


Maria João Brito de Sousa

10.05.2018
***

 

AMOR E DOR II.
*

Amor e Dor, brincando se entrechocam

E enredam-se num fio que acaba em nó...

Até então Amor vivera só

E Dor, lá nas lonjuras que se evocam.
*


Moram juntos agora e, mal se tocam,

Sentem um pelo outro um mesmo dó:

Amor, que era imortal, desfaz-se em pó

E Dor sucumbe à dor que os nós provocam.
*

Nesta paradoxal (des)união,

Sente Amor pela Dor tal compaixão,

Que cega, pra não vê-la sucumbir
*


E Dor, que vendo Amor, o julga são,

Mais se enreda nos nós, mais sem perdão

Se obriga a não deixar Amor partir.
*

Maria João Brito de Sousa

13.05.2018
***

 

AMOR E DOR 

Epílogo
*

Pra rematar a saga, Amor consente

Tomar a Dor por esposa e companheira

E já que sendo ainda inexp`riente,

Não sabe o que é passar a vida inteira
*

 

Lado a lado com Dor, que impenitente,

Inflige a Amor insónias e canseira:

Amor está cego e Dor, sendo inocente,

Não pode pressupor ter feito asneira
*

 

Deu-se este enlace em tempos tão remotos

Que nem posso evocar que estranhos votos

Uniram para sempre este casal
*


Mas garanto que afirmam ser felizes,

Que deram fruto, tiveram petizes

E se amam. Para o bem e para o mal!
*

 

Maria João Brito de Sousa

14.05.2018
***

 

In "... Até a Neve Chorará Num Dia Quente..."

Euedito, 2018
***

 

 

18
Jun23

A QUEM SOUBER OUVIR O (EN)CANTO DOS PARDAIS

Maria João Brito de Sousa

O (EN)CANTO DOS PARDAIS.jpg

A QUEM SOUBER OUVIR
O (EN)CANTO DOS PARDAIS
*


Aos mortos nos covais e aos que estão por vir,

Aos que estão a dormir, aos que nem dormem mais,

Aos troncos verticais dos cravos a florir

E a quem souber ouvir o (en)canto dos pardais,
*


Aos rios nos seus caudais, aos montes por subir,

Às pedras por esculpir, aos mestres geniais,

Às infracções verbais, aos versos por escandir

E à morte que há-de vir porque somos mortais:
*

 

O poema é uma aventura incerta e fascinante

Que ninguém nos garante, infinda descoberta,

Quase uma fresta aberta ao gesto vacilante
*


Do que ainda hesitante ousar o que o liberta

Porque a fresta desperta o que o levara avante

Naquele exacto instante em que ele a dá por certa.
*

 

Maria João Brito de Sousa

17.06.2020 - 12.31h
***

Em verso alexandrino com rima duplamente encadeada

18
Jun23

NÃO ME PEÇAS PRA SER QUEM NÃO SOU

Maria João Brito de Sousa

não me peças par ser quem não sou (1).jpeg

"O Triunfo da Revolução", Diego Rivera

 


NÃO ME PEÇAS

PRA SER QUEM NÃO SOU
*


Não me peças pra ser quem não sou,

Nem me colhas, de ramo enxertado,

Um só fruto dos frutos que dou

Sem que esteja polpudo e dourado
*


Tão maduro do sol que o dourou

Que se of`reça aos teus lábios, ousado,

Sem pôr culpas na mão que o cortou,

Nem remorsos por tê-la tentado!
*


Não me fales de medo! Não cedo

A caprichos e sedes tão poucas!

De outra sede fecunda procedo
*


E se as sedes que trazes são loucas,

Também esta que cresce sem medo

Expressa a sede de muitas mais bocas.
*

 

Maria João Brito de Sousa


23.04.2016 - 22.09h
*


Soneto em verso eneassilábico
***

17
Jun23

PENDE DO MEU ANZOL UM PEIXE VIRTUAL - Reedição

Maria João Brito de Sousa

PENDE DE CADA ANZOL (1).jpg

Gravura de Pieter Bruegel (o velho)

*

PENDE
DO MEU ANZOL
UM PEIXE VIRTUAL
*


Amo o azul do mar, o verde da planura

E quanto da lonjura alcança o meu olhar:

Serei escrava de um lar que no mar se procura

Enquanto esta loucura assim me cativar
*


E, sem me rebelar, nem franca, nem perjura,

Ainda que imatura aceito este invulgar

Destino de varar um mar que só me augura

Os ventos da ventura em que hei-de naufragar...
*


Ao longe, pedra e cal, brilha um velho farol,

Branco como um lençol que foi tecido em sal

E se me saio mal porque um raio de sol
*


Derrete e faz num fole esta rota ideal

Na colisão plural dos estros sem controle,

Pende, do meu anzol, um peixe virtual!
*

 

Maria João Brito de Sousa

15.06.2020 - 16.09h
*

Soneto em verso alexandrino com rima duplamente encadeada

*

 

16
Jun23

MAR REDENTOR - Reedição

Maria João Brito de Sousa

nuno fontinha.jpeg

Fotografia de Nuno Fontinha

*

MAR REDENTOR
*


Só o mar que do mar nunca volta

É do rio tanto cais quanto fonte

E na onda que em espanto se solta

Ergue um muro e também uma ponte
*


De água azul e de espuma revolta

Entre mim e o longínquo horizonte,

Essa linha amovível que escolta

Cada além que ao meu sonho confronte
*


Quando a onda nas rochas quebrando

Vem dizer-me que o mar ora é brando,

Ora em fúrias e raivas se exprime
*


Digo a medo ou apenas segredo

Que deixei de ter medo do medo

E que o mar mesmo irado redime.
*

 

Maria João Brito de Sousa


04.06.2021 - 09.40h
* **
Soneto em verso eneassilábico

14
Jun23

MARAVILHA

Maria João Brito de Sousa

darwin maravilha (1).jpg

MARAVILHA

O meu conceito de...
*


Porque a realidade maravilha

Se se nos abre em todo o seu esplendor,

E arrebata, porque em nós fervilha

O sangue ardente do pesquisador
*


Que ao acender a luz que tanto brilha

Vai afastando a treva em seu redor,

Assumo-me inteirinha enquanto filha,

Não de quanto sonhei, mas do que for!
*


Sempre que isso acontece e me arrebata

Dá-me, da maravilha, a forma exacta

E aponta-me o caminho da verdade
*


Mas, se um segundo o esqueço, um lapso imenso

Conduz-me ao limbo róseo mas pretenso

De quem despreza a própria identidade
*

 

Maria João Brito de Sousa

29.05.2018 – 10.41h
***

Soneto ligeiramente reformulado

Pág. 1/2

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