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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
11
Out21

REBELDIA - O Soneto

Maria João Brito de Sousa

Euterpe por Fernando Rubio Monroy.jpg

"Euterpe" por Fernando Rubio Monroy

 

REBELDIA
*
Ao Soneto
*


Desperta, a Rebeldia, e rumoreja

Trôpega ainda, ainda indecisão,

Mas é vê-la fincar os pés no chão

E erguer a voz à nuvem que troveja!
*

 

Traz, o Soneto, garra que sobeja

Pr`afugentar más línguas e traição

Contra a paixão que o move. E tem razão,

Porquanto, não a tendo, mal gagueja...
*

 

Ah, se a fragilidade o torna forte,

Que haste/ponteiro irá mostrar-lhe o Norte

No insustentável mapa do futuro?
*


E quão audaz será no seu suporte

Se, solfejando, desafia a sorte

De, em quatro estrofes, derrubar um muro?
*

 

Maria João Brito de Sousa - 11.10.2021 - 09.30h

10
Out21

RÉPLICA

Maria João Brito de Sousa

replica.jpg

RÉPLICA
*


Replico-te. Há razões repercutindo,

Raízes a rumar em derredor,

Rituais que ressurgem... são um ror

Rompendo as telas de onde vão surgindo.
*


Rói-me o bichinho do verso assumindo

Risos e choros, dando o seu melhor...

Rebento se calar que o sei de cor,

Renasço se gritar qu`ele é bem-vindo.
*


Rio-me de ameaças e promessas,

Rejo-me por princípio(s), meio e fim,

Reciclo-me em poemas que são peças,
*


Reinvento-me em remendos. Sou assim;

Retribuo, se posso, o que começas,

Reincido se entender não ser pra mim...
*

 

Maria João Brito de Sousa - 10.19.2021 - 11.00h
*


Soneto inspirado no poema "Poema em R" de Joaquim Sustelo.

 

 

07
Out21

AS VELHAS DE AGORA

Maria João Brito de Sousa

AS VELHAS DE AGORA.jpg

Imagem retirada daqui

 

AS VELHAS DE AGORA
*


Moldamos os sonhos que vamos sonhando,

Sopramos as brasas que vão esmorecendo

Na lareira morna, quase arrefecendo,

Do que antes foi fogo crescendo, queimando...
*


Falamos das nuvens que passam voando

E do que alcançámos, remendo a remendo;

Memórias que a traça dos anos, roendo,

Pra nós foi aos poucos tecendo e bordando.
*


As velhas de agora não morrem sentadas

Em salas sombrias. Talvez em esplanadas

Consigam que o Tempo se entenda com elas
*


E que, por instantes, bebendo um café,

Esquecido de ser o tirano que é,

Se atreva a sorrir e a soltar-lhes as trelas...
*

 

Maria João Brito de Sousa - 07.10.2021 - 19.00h

 

06
Out21

GENES & MEMES

Maria João Brito de Sousa

genes & memes II.jpg

Imagem retirada daqui

*

GENES & MEMES
*


Estão os memes prá cultura

(e prá comunicação...)

Como os genes pr`aventura

Da Vida em evolução.
*


Como o gene, o meme é pura

Ânsia de replicação;

Um replica a criatura

E outro a sua criação...
*


Qual deles o mais persistente,

Quem os pára ou lhes desmente

A escalada inevitável?
*


Sendo agora conhecidos

Foram, desde tempos idos,

Os reis do Monte Improvável.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 06.10.2021 - 10.00h

*

 

a escalada do monte improvável.jpg

 

 

05
Out21

ATÉ O SOL NASCER

Maria João Brito de Sousa

cavalo de alabastro.jpg

ATÉ O SOL NASCER
*

 

Avança, avança, ó barca dos embalos,

que já vislumbro ao longe o longo mastro

dum`outra barca imensa como um castro...

Aos longes, barca, jurei eu explorá-los!
*

 

Coragem, barca, faz como os cavalos

que escapam dos seus corpos de alabastro;

Estátuas e sonhos nunca deixam rasto,

nem mesmo a rocha pode aprisioná-los!
*

 

Éolo, vem torná-la mais veloz!

Tal como Leto se afastou de Kos,

assim a barca deverá romper
*


As amarras que ao cais a têm presa!

(apaguei, a seguir, a Lua acesa

e adormeci até o Sol nascer)
*

 

Maria João Brito de Sousa - 03.10.2021 - 16.30h

 

 

03
Out21

SONETO EM TRANSGRESSÃO RODOVIÁRIA

Maria João Brito de Sousa

soneto em transgressao rodoviaria.jpg


SONETO EM TRANSGRESSÃO RODOVIÁRIA
*


Nunca fui condutora. Só conduzo

Palavras, quase sempre em contra-mão,

Nas apertadas curvas da paixão

Que não quero evitar, que não recuso.
*


Não tendo "carta", cometo um abuso

Passível de uma coima ou detenção,

Mas não resisto a esta tentação

De meter "verbo-a-fundo" e de dar-lhe uso...
*


Se o seu radar, contudo, registou

A minha assumidíssima imprudência,

Dir-lhe-ei como a coisa se passou;
*


"Releve, senhor guarda, esta ocorrência!

Eu distraí-me, a Musa acelerou

E os pneus andavam falhos de aderência..."
*

 

Maria João Brito de Sousa - 30.09.2021 - 15.37h

 

Ainda em diálogo com o poeta Custódio Montes.

02
Out21

SONETO QUINTO

Maria João Brito de Sousa

soneto quinto.jpg

SONETO QUINTO
*


Canto sem voz, mas canto e cantarei

Enquanto o coração me for pulsando

Aos arrancos, embora, que vai estando

Cansado de ser louco... ou servo e rei?
*


Não sabe que, afinal, eu nada sei

E que anda agora em pleno descomando,

Ora em louca corrida, ora parando

Pra contestar-me as ordens que não dei...
*

 

Não fossem a vontade e a razão

Correrem a ampará-lo a toda a hora,

Teria desistido, o coração,
*


De ir-me irrigando o corpo em que me mora;

Embriagou-se, o tonto, de paixão

Num corpo que rebenta... mas não chora!
*

 


Maria João Brito de Sousa - 30.09.2021 - 11.00h
*


Ainda na sequência de um outro soneto do poeta Custódio Montes.

01
Out21

O REPICAR DOS SINOS

Maria João Brito de Sousa

Picasso.jpg

O REPICAR DOS SINOS
*


Às vezes, ao longe, nos dias mais claros,

Oiço esses teus sinos celebrando a vida,

Noutros, o silêncio dos dias avaros

Impõe-se à toada quase emudecida.
*


Se um corpo atingido por estranhos disparos

Se curva dorido e lambe a sua f`rida,

Geme castigado, teme os desamparos,

Já nem escuta os sinos, procura é guarida...
*


Assim acontece com musas, também;

Quando estão magoadas não ouvem ninguém,

Fecham-se em si próprias até, sei lá quando,
*


Com harpas, com flautas ou com violinos,

Correrem pra nós. Repicam os sinos

Que abafam as mágoas que nos vão sobrando!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 20.09.2021 - 17.00h

*

Trabalho inspirado no soneto, também em verso hendecassilábico, "Tocarei os Sinos" da autoria de MEA

*

Imagem - Tela de Pablo Picasso

Pág. 3/3

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