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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
30
Set21

SONETO TERCEIRO

Maria João Brito de Sousa

memory.jpg

SONETO TERCEIRO
*


Jovem não sou, nem Saudade é meu nome...

Tão pouco sou saudável ou formosa

Mas não resisto a uma boa glosa

E, ao meu poema, não há quem o dome
*


Que esse me alenta a vida e ma consome

Numa contradição que me é preciosa

Embora mais pareça impiedosa

A algum olhar fugaz que aqui se assome...
*


Quão mais cortante o fio desta navalha,

Mais destemida fico, a mais me atrevo;

Pode algum verso ter defeito ou falha,
*


Posso ir muito mais longe do que devo

Mas, se tombar, que tombe na batalha

Deste meu temerário e louco enlevo!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 29.09.2021 -15.40h

*

Poema inspirado em dois sonetos à SAUDADE da autoria de Custódio Montes.

*

Imagem - Pormenor de uma cena do Musical "Cats"

29
Set21

BREVE ESBOÇO DE UM INCANSÁVEL LUTADOR

Maria João Brito de Sousa

ESBOÇO DE UM INCASAVEL LUTADOR.png

BREVE ESBOÇO DE UM INCANSÁVEL LUTADOR
*


Ainda que esboçado a traço fino,

Vejo nitidamente, ó lutador

Duma causa maior, muito maior

Do que a causa esbanjada ao desatino,
*


O teu sorriso de velho menino

Isento de malícia e de rancor

E a tua resistência ao dissabor,

Que nem sempre foi manso o teu destino...
*


A fino verso te desenho agora,

Realçando a coragem que em ti mora,

Se a tanto conseguir chegar meu gesto...
*


Perdõem-me, tua Alma e teu Contrário,

Um esboço tão inábil quão sumário

De alguém tão produtivo, humano, honesto!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 29.09.2021 - 13.00h

*

Para ti, camarada Rogério Pereira.

 

28
Set21

A DURAÇÃO DE UMA VIDA

Maria João Brito de Sousa

Duração de uma vida - Pula Rego.jpg

A DURAÇÃO DE UMA VIDA
*


Alguns julgam-se doces como figos,

Outros crêem-se de aço ou de granito

E se um se exalta, se ergue e solta um grito,

Teme outro as represálias e castigos...
*


Pra uns, os mais são portas sem postigos,

Fazedores de obras com segundo fito,

Inventores de venenos que nem cito

Pra servir de bandeja aos inimigos
*


E todos somos, nesta ou noutra pele,

Nós sendo nós até que a morte sele

Esta nossa existência passageira
*


Todos humanos, todos nós passando

Pla vida enquanto a vida for durando,

Que sempre dura a vida a vida inteira!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 28.09.2021 - 14.15h

*

 

Tela de Paula Rego. Imagem retirada daqui

 

 

24
Set21

SONETO SEM FLUOXETINA

Maria João Brito de Sousa

poesia prozac.jpg

SONETO ISENTO DE ANTI-DEPRESSIVOS
*


Que bem "vendem" as "rimas chá-de-tília"...

Sou má comerciante, reconheço,

Porque os versos, pra mim, não têm preço

E não fazem "pendant" com a mobília,
*


Nem me enlaçam nas noites de vigília

E sim nos dias claros... se os mereço...

Se exprimem quanto sinto, mais não peço;

Nunca a giesta aspirou a buganvília
*


E os cactos não são menos imponentes

Do que as orquídeas frágeis, dependentes

Dos mil cuidados pagos por quem pode.
*


Admiro as plantas bravas e espontâneas

Cujas raízes longas, subterrâneas,

Vão (de)compondo o húmus numa ode.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 24.09.2021 - 14.00h

*

 

Imagem retirada daqui

 

 

 

 

 

 

 

22
Set21

PROCURA-SE

Maria João Brito de Sousa

PROCURA-SE.jpg

PROCURA-SE
*

 

Procura-se uma velha musa usada,

Rebelde, solitária, um pouco rude

Que vive de ilusões mas não se ilude

E se me evade sempre que agastada.
*


Sem ela nada sou, não escrevo nada,

Não existe alma viva que me ajude

E não sei de pecado nem virtude

Que reacenda a chama ora apagada.
*


Procuro a minha musa, essa evadida

Que se encontra escondida em parte incerta

Sabendo que sem ela estou perdida
*


Por ela, fica a minha porta aberta

Enquanto se não fecha a minha vida

Sobre a aridez que agora a desconcerta.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 22.09.21 - 10.30h

*

 

Imagem retirada  daqui

 

 

16
Set21

RETORNO

Maria João Brito de Sousa

RETORNO.jpg

RETORNO
*


Nesta mesa de pinho onde o tampo encerado

É mapa remendado, esgaçado e já velhinho,

Quem encontra o caminho outrora caminhado

Ou o rasto deixado, assim, asinho, asinho?
*

 

Reencontra-se o ninho ou passa-se-lhe ao lado?

Se o nó foi desatado ou arrancado um espinho,

Onde o espanto? O carinho? O suor derramado?

Onde o chão que é pisado e se abre em flor sozinho?
*


Mas muito de mansinho, antes de o sol se pôr,

Vendo-lhe a nova a cor, renasce o espanto em mim!

Afinal é assim, tal qual se faz amor,
*


Que o verbo redentor retorna ao seu jardim

Como a flor de alecrim que a qualquer outro odor

Excede em graça e vigor sempre que adia o fim.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 15.09.2021
*

 


(Soneto em verso alexandrino com rima interna/encadeada)

 

 

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