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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
30
Jun21

ESCREVESSE EU SONETOS GAGOS... - Maria João Brito de Sousa e Helena Teresa Ruas Reis

Maria João Brito de Sousa

GUITARRAS.jpg

ESCREVESSE EU SONETOS GAGOS...
*

Coroa de Sonetilhos
*

Maria João Brito de Sousa e Helena Teresa Ruas Reis
***

1.
*
Escrevesse eu sonetos gagos,

Ou mal falados, ou mudos...

Sonetos machos, barbudos,

Mas tão ternos quanto afagos
*


Que, em tocando, fazem estragos

Nos corações mais sisudos...

Mas não, os meus são veludos

Já pelo tempo esgaçados...
*


Cantasse eu versos que mordem

Como quem com fome beija,

Soubesse eu criar desordem,
*


Drama, ciúmes, inveja...

Acordes meus, não me acordem,

Se nenhum de vós gagueja!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 23.06.2021 - 13.06h
*

Ao Fernando Ribeiro

***
2.
*

“Se nenhum de vós gagueja”,

Coisa de somenos vista,

Já eu roo-me de inveja

Porque a gaguez é de artista.
*

Curioso, que ao cantar

Sai-nos tudo de uma vez…

E melhor do que a rimar,

Que aí é que é ver “gaguez”!
*

Embalada em melodia

Pensáveis que eu escrevia

Mas, afinal, só cantava.
*

Porque se eu ga - gaguejasse

Haveria quem não esp’rasse

Para ler esta estopada!
*

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***

3.
*

"Para ler esta estopada(!)"

Garanto que pagaria

E até ga-gaguejaria

Não sendo gaga nem nada,
*


Só pra marcar a toada

Da rima que se recria

Dia e noite ou noite e dia,

Conforme a hora marcada
*


Se isto soa a pleonasmo,

Ou talvez contradição,

Não me liguem! Eu só pasmo
*


Que, com tanta produção,

Inda não sentisse um espasmo

Dos fatais... no coração.
*


Maria João Brito de Sousa - 27.06.2021 - 17.45h

***
4.
*

“Dos fatais... no coração”

É lá coisa que se diga!

Acaba-se a produção,

Fica fome na barriga.
*


Se soa a comparação,

É que o lanche já marchava

Mas a tal de inspiração

Chovia se Deus a dava…
*

Mas vou-me já à cozinha

Perdoem-me os vates todos

Se não se acharem cómodos.
*

Cenoura, courgette em linha,

Coentros, alguma aguinha,

O meu jantar é sopinha!
*

 

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***

5.
*

"O meu jantar é sopinha"

Que não "marcha" antes das dez,

Já que almocei - outra vez... -

Bem tarde, quase à noitinha
*


E isto de jantar sozinha

Tem vantagens, traz mercês,

Porquanto, às duas por três,

Viro costas à cozinha
*


E sem razões nem porquês

Vou treinando esta gaguez

Que, por ora, está fraquinha,
*


Mas, bem treinada, talvez

Ganhe aquela solidez

Que, creio, já se avizinha...
*


Maria João Brito de Sousa - 27.06.2021- 19.30h
***

6.

*

“Que creio já se avizinha”

Pelo cheiro que aqui sinto…

E podem crer que não minto,

Que a sopa se acha prontinha.

*

Não sofro já de gaguez

E fome não passo eu já.

Sem comer fico “gagá”

E então gaguejo outra vez!

*

Não queremos ficar fracas

Como velhas matriarcas

Num encontro obsoleto.

*

Nem que use como “muletas”

Esta sopita de letras,

Sonetilho e não soneto.

*

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***

7.
*

"Sonetilho e não soneto"

Se chama a esta estrutura,

Mais curtita na largura

Mas igualmente completo.
*


Será do soneto neto

Mas mantém-se à sua altura;

Belo como uma escultura,

De muitos será dilecto
*


E mantém toda a lisura

Do avô cuja postura

Vai imitando, discreto.
*

Não gagueja, nem descura

Ser um marco prá Cultura

E, para o poeta, um repto!
*


Maria João Brito de Sousa - 27.06.2021 - 21.30h
***

8.

*

"E para o poeta, um repto",

Provocação, desafio

Que só provoca arrepio

De usá-lo como um inepto.

*

Ancestralmente falando

Não sei onde fui buscar

Tal forma de versejar

Que ando para aqui usando.

*

Enfim, ao correr da pena

Vem-me à tona outro tema:

A poesia multiforme.

*

Se eu gaguejasse em poesia

Nem sei que graça acharia

Essa Musa que não dorme...

*

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***

9.
*

"Essa Musa que não dorme"

E que nunca foi "gágá"

Pode achar graça - eu sei lá...-

A quem gagueje ou performe
*


Verso gago que transforme

Uma graçola em maná...

Ou essa gaguez será

Coisa que muito a transtorne?
*


Só nos resta exp`rimentar

E se a Musa se irritar,

Assobiamos pró lado;
*


Eu nem sequer ga-gaguejo...

Foi talvez um bo-bocejo

De um verso mais ensonado
*


Maria João Brito de Sousa - 28.06.2021 - 11.25h
***

10.

*

“De um verso mais ensonado”

Fica a “gaguez” de um bocejo

Que sem pedir ou ter pejo

Surge, sem ser desejado.

*

Mas se vem à revelia,

Verdade é que se finou…

Pois depois que descansou

Acordou em novo dia.

*

Se a Musa se transtornar,

Depressa a vamos lembrar

Que dormir é bom remédio

*

Pois, ficar a bocejar

É pior que gaguejar:

Dá-te sono e dá-te tédio.

*

Helena Teresa Ruas Reis - 28/06/2021
***

11.
*
"Dá-te sono e dá-te tédio"

Tanto bo-bo-bocejar

E Morfeu, sempre a rondar,

Faz-me pensar em assédio...
*


Contudo, neste meu prédio,

Toda a gente é de fiar...

Morfeu que se vá lixar;

Está na hora do remédio!
*

Engulo duas pastilhas

Mais rijas do que cavilhas

Que "empurro" c`um copo d`água
*


E, do almoço esquecida,

Ve-versejo embevecida;

Vem o verso e vai-se a mágoa ;)
*


Maria João Brito de Sousa - 28.06.2021 - 14.36h

***

12

*

“Vem o verso e vai-se a mágoa”,

Que se lixem gargarejos,

P’ra eles os meus bocejos

Ferventes na pouca água!

*

Ora, não querem lá ver?!

Se eu tiver dor de cabeça

Não será porque mereça

Mas porque estou a ferver...

*

Pastilhas eu não engulo…

Podem colar-se ao casulo

Da minha pobre garganta.

*

Porém, se for necessário,

Deixo aqui um corolário

Que ajude a pintar a “manta”

 

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***

13.
*

"Que ajude a pintar a manta"

Com cor que seja bem viva

Pois, se é viva, a cor cativa

Quem pela manta se encanta
*


E se acaso essa cor espanta

Por ser muito apelativa,

Ga-ga-gagueja a comitiva

Que, ao olhá-la, se ataranta;
*


- Mas que pre-preciosidade!

Nada vi que mais me agrade!

Que manta tão-tão-tão bela!
*


Se não a confeccionou,

Di-di-diga onde a comprou,

Quanto pa-pagou por ela?
*


Maria João Brito de Sousa - 28.06.2021 - 17.42h
***

14.

*

“Quanto pa… pagou por ela?”

Paguei por ela… eu sei lá

Se aquilo que valerá

Faz jus a coisa tão bela!

*

Eu até fico amarela

Por estar quase a gaguejar

Que p’ra manta apregoar

Até me falha a goela…

*

Tem colorido a preceito!

A nossa manta tem jeito

‘Inda que feita aos bocados.

*

Quem quiser igual assim

Aprenda porque aqui vim:

“Escrevesse eu sonetos gagos”!

*

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***

 

NOTA - Tema inspirado no "Fado Mal Falado" de Hermínia Silva e no "Fado Gago" de Sérgio Godinho
*

RESERVADOS OS DIREITOS DE AUTOR

29
Jun21

NÃP SEI - Custódio Montes, Maria João Brito de Sousa e Helena Teresa Ruas Reis

Maria João Brito de Sousa

NÃO SEI.jpg

NÃO SEI
*

Coroa de Sonetos
*

Custódio Montes, Maria João Brito de Sousa e Helena Teresa Ruas Reis
***


1.
*
Não sei o que fazer…. o que farei ?

Divago lentamente ao som da avena

Escrevo o que sair da minha pena

E aquilo que escrever logo verei
*


Avanço linha a linha mas não sei

Se a peça que vier, trazida à cena

Será grande essa obra ou pequena

Para me envergonhar perante a grei
*


Não sei não sei não sei…vou escrever

E tu leitor amigo vais dizer

Depois de ver e ler com atenção
*


Se merece um aplauso este poema

Se só merece encomio pelo tema

Ou se nem vale dar opinião
*

Custódio Montes

27.6.2021
***


2.
*

"Ou se nem vale dar opinião",

Pergunta-me o poeta companheiro

Do verso que criado a tempo inteiro,

Traz no celeiro do seu coração.
*


E está pronto a glosar, que em profusão

Se vai multiplicando, bem ligeiro,

Épico às vezes, noutras mais brejeiro,

Mas jamais sem sentido e nunca em vão!
*


Não sente o tal "bichinho-carpinteiro"

Que sempre exige um verso e, feiticeiro,

Faz renascer o espanto e a paixão?
*


Estou certa de que o sente vir, certeiro,

Pedir verso que nasça do primeiro

E outro e mais outro... até à exaustão!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 27.06.2021- 13.42h
***

3.
*

"E outro e mais outro... Até à exaustão!"

Porém, a exaustão não chega aqui.

Se há um que mal vê ou dói-lhe a mão,

Há outro que aparece qual escanção...
*


E saboreia assim o melhor bago,

Depois de já maduro para o dente.

Poeta só degusta, num afago,

Palavras que se escapam do que sente.
*


Na mesa de um café pus-me a teclar

Sorvi o dito cujo sem dar conta

Mas sei que o que paguei foi pouca monta.
*


Antes que uma razão me possa achar

Agora, sem rever o que escrevi,

Receio ver-me já sair daqui.
*

Helena Teresa Ruas Reis - 15.20h
***

4.
*

“Receio ver-me já sair daqui”

Não fuja amiga Ruas que é bem-vinda

Porque se eu não sabia bem ainda

O que ia escrever, agora vi
*


Porque este belo encontro tido aqui

É conjugar poesia bela e linda

E pôr os três autores na berlinda

E nela aqui estou, já a senti
*


Poema é mesmo assim, como cereja

Seguindo-se um ao outro em peleja

Combate sim mas só de amizade
*


Discute-se a palavra com certeza

Mas sendo alinhada com beleza

Com graça e também simplicidade
*

Custódio Montes

27.6.2021
***

5.
*

"Com graça e também simplicidade"

Não faltando o tempero do talento,

Os versos voam mais que o próprio vento

Que hoje açoita os telhados da cidade.
*


Em cada verso, um gesto de amizade

Vem galgar a distância, sempre atento,

Não vá algum de vós perder alento,

Ou eu, a habitual temeridade...
*


Um verso chama o outro que, ao ouvi-lo,

Corre para o soneto e faz aquilo

Que um verso melhor faz, quando liberto;
*


Se achar lugar no peito de um irmão,

Logo o abraçará num gesto são

Deixando, para os mais, um espaço aberto.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 27.06.2021 - 19.05h
***

6.
*

“Deixando, para os mais, um espaço aberto”

Onde o talento possa prorromper

Sem nunca se cansar ou se perder,

Mesmo tendo passado pelo deserto.
*


Que há mãos e pensares na amizade

Para te retirar à inacção,

Levando a construir, na emoção,

Por laços fraternais e de vontade.

*

Um verso atento a outro e a outros chama.

A muda e calma voz que assim proclama

Só ouves no bater do coração…

*

Sonoro, dentro em ti porque palpita,

É vida, e se procria, Deus permita

Que seja sempre eterna a criação.

*

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***

7.
*

“Que seja sempre eterna criação”

E há-de ser pois nele há liberdade

E diz o que quiser e à vontade

Pois não tem o poema um travão
*


Diz o que quer e sempre com razão

Imagina e descreve a realidade

Escreve sobre o campo e a cidade

E cria um mundo novo em construção
*


E a gente lê o texto que se cria

Todo o seu conteúdo e fantasia

E acha graça e fica-se contente
*


E nesta criação e a inovar

O mundo ganha forma e outro andar

Com isso ganha muito toda a gente
*

Custódio Montes

27.6.2921
***

8.
*

"Com isso ganha muito toda a gente"

Porquanto esta arte a todos nos eleva

E não será apenas a quem escreva,

Pois quem o ler alegra-se igualmente
*


E aprende a sentir... pois quem não sente

Aquilo que um poema a ninguém nega?

Ah, todos nós sentimos esta entrega

Que o verso faz brotar, como semente.
*


Assim se multiplica a poesia

Como se uma infindável sinfonia

Fosse, de geração em geração,
*


Galvanizando toda a humanidade;

Reparem bem no verso que se evade,

Que voa e vem pousar nesta canção!
*


Maria João Brito de Sousa - 27.06.2021 - 22.07h
***


9.
*

“Que voa e vem pousar nesta canção”

Qual pássaro nos ramos do arvoredo,

Que esconde, no seu ninho, mais segredo

Que aquele que fez esta construção.

*

E as penas pequeninas a forrá-lo

De conforto e de amor bem maternal,

A terra feita em barro filial

Como argamassa forte a preservá-lo,

*

Nada são, comparand’ à fantasia

Que surge como nova melodia

Nas palavras que irrompem em registo.

*

Ficará sempre mais do que se escreve

Do que a frase ou o verso quase breve,

Riscos, rimas saídas de um rabisco.

*

Helena Teresa Ruas Reis - 28/06/2021
***
10.
*


“Riscos, rimas saídas de um rabisco”

Mas feito com a arte e a mestria

De quem olhando as coisas vê e cria

Como construção feita em obelisco
*


Palavra ornamentada posta em disco

Canção que integrada em sinfonia

Enche e engrandece a alma de alegria

E sabe tão bem como um petisco
*


Poemas que umas vezes divertidos

São outras bem mais sérios e sentidos

Com arte com destreza com glamor
*


Tem tudo a poesia é ingente

Tem graça, sentimento anima a gente

E é também ternura paz e amor
*

Custódio Montes

28.6.2021
***

11.
*

"E é também ternura paz e amor"

Isto que os nossos dedos vão criando

Enquanto os vamos, nós, (des)comandando,

Já que ninguém comanda um verso em flor
*


Que voa como o vento e, ao seu sabor,

Pode ser ora forte, ora tão brando

Quanto o que a poesia for ditando

E conseguirmos, nós, depois compor...
*


Então, por um momento, o tempo pára

Para dar tempo ao verso que dispara

Como uma flecha rumo ao ponto exacto
*


Em que outro verso o espera e, sem saber,

Sabe contudo como o preencher,

Concretizando o que antes fora abstracto.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 28.06.2021 - 14.08h
***

12.

*

“Concretizando o que antes fora abstracto”,

Há coisas que a poesia nos ensina

Por vezes, não fosse ela feminina,

Tem um sexto sentido imenso e lato.

*

E vem assim amena, p’la tardinha

Na hora de uma sesta disfarçada

Em sonho bem real, duma assentada,

Trar-te-á a cor-de-rosa numa linha.

*

Tal linha contornada a ponto flor

Borda tudo a seu jeito e com amor

Remata esse bordado à perfeição.

*

Artífices dos bilros, finas rendas,

Desejo de um artista é que aprendas

E que nunca se canse a tua mão!

*

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***
13.
*

“E que nunca se canse a tua mão”

Mão sem género não só feminina

Masculino o poema e que rima

Da poesia gémeo e seu irmão
*


Macho e fêmea a mesma condição

O poeta é assim que nos ensina

E não temos que sair dessa doutrina

Que une e agiganta o coração
*


Mas mais “não sei” agora o que dizer

O pensamento está-me a esmorecer

E vou deixar que outrem esclareça
*


Talvez eu já não veja ao redor

E quem venha a seguir veja melhor

Dando a opinião que lhe pareça
*

Custódio Montes

28.6.2021
***

14.
*

"Dando a opinião que lhe pareça"

Mais própria deste tema e do momento,

Chega o próximo verso muito atento

(que um verso sempre cumpre uma promessa!)
*


Isto vos comunica e vos confessa

O verso - ora em sorriso, ora em lamento -

Que ainda que fervilhe em sentimento,

É fiel à harmonia que professa.
*


E agora que está quase a terminar

O soneto que assim o fez cantar

Bem mais alto e melhor do que eu sonhei,
*


Não pára o verso de me pressionar

E a cada instante me vem perguntar;

"Não sei o que fazer... o que farei?"
*

 

Maria João Brito de Sousa - 28.06.2021 - 18.42h
***

 

(Reservados os Direitos de Autor)

 

 

 

 

28
Jun21

TEATRO DE RUA NA QUINTA DAS PALMEIRAS, EM NOVA OEIRAS

Maria João Brito de Sousa

A minha publicação de hoje vem do blog de um amigo, o Rogério Pereira que foi o autor do vídeo que aqui vos deixo e no qual poderão assistir aos melhores momentos do espectáculo de TEATRO DE RUA que, na manhã do passado Sábado, inundou de beleza as ruas do meu bairro... e os meus olhos de incontidas lágrimas de alegria. 

Aqui fica, também, a minha imensa gratidão ao Rogério, à Associação de Moradores da Quinta das Palmeiras, à Associação "Desenhando Sonhos", à Associação de Reformados Pensionistas e Idosos da Freguesia de Oeiras e São Julião da Barra, ao Bairro da Medrosa e à Companhia de Teatro "Nova Morada"; 

A manhã do dia 26 do corrente mês de Junho foi, para mim e para muitos moradores deste bairro, uma  manhã inolvidável!

 

A todos vós, MUITO OBRIGADA!

26
Jun21

ESCREVESSE EU SONETOS GAGOS...

Maria João Brito de Sousa

 

fado gago.jpg

ESCREVESSE EU SONETOS GAGOS...
*


Escrevesse eu sonetos gagos,

Ou mal falados, ou mudos...

Sonetos machos, barbudos,

Mas tão ternos quanto afagos
*


Que, em tocando, fazem estragos

Nos corações mais sisudos...

Mas não, os meus são veludos

Já pelo tempo esgaçados...
*


Cantasse eu versos que mordem

Como quem com fome beija,

Soubesse eu criar desordem,
*


Drama, ciúmes, inveja...

Acordes meus, não me acordem,

Se nenhum de vós gagueja!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 23.06.2021 - 13.06h
*

 

Ao  Fernando Ribeiro

25
Jun21

ALFA, BETA, GAMA, DELTA...

Maria João Brito de Sousa

projector de cinema analógico.jpg

ALFA, BETA, GAMA, DELTA...

ou

"REPRISE"
*


Veio o delta do Ganges desaguar

No plácido estuário do meu Tejo

E está Lisboa inteira a confinar

C`oas marchas transformadas num cortejo
*


De gente ansiosa por se vacinar

Tanto ou mais do que anseia por um beijo,

Que, em tempos destes, não se pode amar

Como dantes se amava, sem ter pejo...
*

 

Vai o filme na quarta das sequelas;

Quem consegue aguentar outra "reprise"

Da mais global de todas as novelas
*

 

Sem tentar cometer um só deslize?

Tranquem-se as portas, fechem-se as janelas;

Vai reentrar em cena a grande crise!
*

 


Maria João Brito de Sousa - 24.06.2021 - 17.00h

24
Jun21

ROSA ENJEITADA - Helena Fragoso, Maria João Brito de Sousa, Helena Teresa Ruas Reis e Lourdes Mourinho

Maria João Brito de Sousa

rosa enjeitada.png


ROSA ENJEITADA...
*

Coroa de Sonetos
*

Helena Fragoso, Maria João Brito de Sousa, Helena Teresa Ruas Reis e Lourdes Mourinho Henriques.
***

1.
*

Sinto dentro de mim sempre latente

Tudo o que fui vivendo nesta estrada

Foram altos e baixos e silente

Foi toda essa minha caminhada...
*


Fui rocha, fui pilar, também carente,

Fui a rosa bravia desprezada…

Fui o apoio real de muita gente…

Que nunca o viu assim...nunca viu nada…
*

Serei talvez vulcão,serei semente,

Serei água que escorre lentamente,

Seguindo para a foz já bem cansada…
*

Serei poesia viva que se sente

Desenhada na dor sempre presente…

De me sentir assim...Rosa enjeitada!!!
*

 

Helena Fragoso
***

2.
*

"De me sentir assim... Rosa enjeitada(!!!)"

Já estive também eu, em tempos idos,

Tão farta que mudei o rumo à estrada

E rumei por atalhos não escolhidos.
*


Da vida pouco quis... um quase nada

Que garantisse à mente e aos sentidos

Alguma dignidade; a conquistada

Por trabalhos a custo conseguidos.
*


Ou tenho muito azar... ou muita sorte;

Quatro vezes tentou levar-me a morte

E as mesmas quatro vezes lhe escapei.
*


"Vaso ruim não quebra facilmente"...

Talvez eu seja vaso em vez de gente

Porque, até ao momento, não quebrei!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 19.06.2021 - 19.56h
*

3.
*

“Porque, até ao momento, não quebrei!"

Inda que ruim vaso possa ser,

Onde uma velha planta me tornei

Em vez de bela rosa e sem o qu’rer.

*

Também não desejei ser ‘special

Ter “fundos” ou ter “mundos” não almejo

E parecer, sem ser, é-me banal.

Apenas ir vivendo é meu desejo.

*

Na infância, desterrada de meus pais

Regresso ao lar… com ânsias demais,

Sarei longe de irmãos que sempre amei.

*

Adolescente fui. Depois, sem mãe,

Quis Deus me apaixonasse por alguém

E… mais vezes sozinha me encontrei.

*

Helena Teresa Ruas Reis - 19/06/2021
***

4.
*

“E… mais vezes sozinha me encontrei”,

Após longo caminho percorrido

Ao lado do amor que sempre amei

Quando a morte o levou: o meu marido.
*

Sozinha, continuei o meu trilho

Sem nunca me sentir “Rosa Enjeitada”,

Mas eis que a vida me roubou um filho…

Fiquei então de vez amargurada.
*


Sinto a vida virada do avesso

E às vezes, nem eu própria me conheço…

Eu, que sempre vivi intensamente.
*

Sinto que sou uma sombra do passado,

Vivo de coração amargurado

Mas continuo p’la ‘strada… olhando em frente!
*

Lourdes Mourinho Henriques
***
5.

*

"Mas continuo p’la ‘strada… olhando em frente(!)"

sem ter algum carinho, algum alento?

pensei até um dia de repente

que não teria fim esse tormento...

*

Um dia em que tudo isso se consente...

E foi exatamente no momento

em que a poesia em mim se tornou gente

fez-me ganhar um novo sentimento...

*

Com ela, consegui, mudei a mente,

e a ternura minha é a nascente

que deu à minha alma um novo alento...

*

Serei rosa enjeitada, aqui presente...

Mas no meu peito vive bem latente

O amor que tenho e espalho pelo vento....

*

Helena Fragoso
***

6.
*

"O amor que tenho e espalho pelo vento"

É tão intenso quão peculiar;

Pode abarcar milénios num momento,

Ou pode num só sopro terminar...
*


Por vezes manso, noutras turbulento

E sem qualquer tendência pr`abrandar,

Faz o que quer sem ter consentimento

E nem eu mesma o posso comandar.
*


É rebelde, mas lúcido e clemente,

Pode às vezes calar-se, mas não mente

E sabe-se imperfeito, porque humano.
*


Rosa selvagem, sou, mas... enjeitada?

Fosse eu burguesa, fútil e enfeitada...

Mas fútil nunca fui, não vos engano!
*


Maria João Brito de Sousa - 20.06.2021 - 20.26h
*

7.
*

“Mas fútil nunca fui, não vos engano!”

Tudo o que faço, creio, é necessário,

Aceito paciente, “mano a mano”,

O qu’ outros acharão ser perdulário.

*

Assim, que sou levada à exaustão

De achar que faço mais do que prometo,

Mas se me encontro assim em negação

É por não medir bem no que me meto…

*

Receio que eu me torne uma enjeitada,

Já muito gasta, triste, amargurada,

E só a mim dever tais conclusões.

*

“Mas hei-de virar flor, rosa serei,

E com zelo e vigor me cuidarei!”

Estou pensando já “com meus botões”.
*


Helena Teresa Ruas Reis - 20/06/2021 - 23:49h
***

8.
*

“Estou pensando já “com meus botões”

Que a vida nunca é como sonhamos,

Há que agarrar bem as ocasiões,

Os momentos que às vezes desprezamos.
*

Viver é um vendaval de emoções,

Nem sempre sabemos como lidar,

Por vezes renegamos sensações

E fechamos a porta ao verbo Amar.
*

Hoje, resiliente, vou lutando,

Mesmo que às vezes triste e chorando

Continuo a seguir p’la minha estrada.
*

Sou uma rosa selvagem, com espinho,

Quando um dia picar o meu destino

Aí… serei então “Rosa Enjeitada”.
*

Lourdes Mourinho Henriques
***
9.
*

Aí… serei então “Rosa Enjeitada”.
mas mesmo assim irei saber quem sou
aquela que sofreu e que magoada,
na vida não vergou, sempre lutou...
*

Andei, sim, com a tristeza de mão dada,
e nesta solidão a que me dou...
ainda sigo a vida, sigo a estrada.
sabendo de onde vim e onde vou...
*

e nesta vida minha desenhada
apesar de já estar muito cansada
ainda sou eu mesma, sei quem sou...
*

Sou a que terá sido mal amada
a que hoje talvez já não tenha nada,
a quem só a saudade lhe restou...
*


Helena Fragoso
***


10.
*
"A quem só a saudade lhe restou(...)"

Irei pedir que, em si, procure bem

Já que garanto que bem mais ficou;

Esqueceu, talvez, o tanto qu`inda tem,
*

Mas repare na força que a sustém

E nos mais belos versos que criou,

Tão suaves que os não cria mais ninguém,

Mais doces do que o mel que alguém sonhou...
*


Muitos serão plo mundo mal amados,

Os sedentos de amor, os desprezados

E os que vão maldizendo a própria vida,
*


Mas muito poucos são abençoados

Com os talentos que trazes guardados

Dentro do peito, companheira querida!
*


Maria João Brito de Sousa -21.06.2021 - 22.19h

***
11.
*

“Dentro do peito, companheira querida,”

Mal sabe o coração como resiste

A tanta pouca sorte nessa vida

Que teima em te deixar ainda triste.

*

Não sonhes poder ter vida mais bela,

Não penses outra forma de lutar.

Nem há realidade mais singela

Que seres sempre o que és e te aceitar,

*

Conforta-me a poesia que em ti leio,

Aquela com que arrancas do teu seio

Palavras de doçura dolorosa.

*

Ah, vem querida amiga, a este pasto

E lança-me a esperança por arrasto,

Pois não és “enjeitada” mas só rosa!
*

Helena Teresa Ruas Reis - 21/06/2021 - 23,25h
***

12.

*
“Pois não és “enjeitada”, mas só Rosa”

Que espalhas p‘lo jardim o teu perfume,

Deixando tua poesia mimosa

Seja em versos de amor ou de ciúme.
*

 

Jamais serás assim “Rosa enjeitada”

Teus versos ficarão p’ra te lembrar,

E um dia, ao partires, deixas legada

Poesia, que outros irão desfrutar.
*

 

Não te sintas assim, amiga querida,

És uma “Rosa Linda”, não vencida,

Continua teu caminho olhando em frente!
*

 

Este é o nosso caminho da verdade…

Não podemos fugir, e uma saudade

Invade a minha alma eternamente.
*


Lourdes Mourinho Henriques
***

13.
*

"Invade a minha alma eternamente..."
Invade este meu ser, mas com magia...
A força de escrever e ser presente
A força que me vem da poesia
*

Serei Rosa Enjeitada, mas valente,
nas lutas que ainda travo dia a dia...
Mesmo quando o amor se faz ausente..
Mesmo quando eu vivo o que não queria...
*

E tudo o que vivi está tão latente
Embora em tom menor, e bem silente...
Às vezes nem sei bem o que faria...
*

Se a Poesia em mim estivesse ausente,
se não brotasse assim esta nascente
que vibra na minh' alma, esta alquimia...
*

Helena Fragoso
***

14.
*

"Que vibra na minh`alma, esta alquimia (...)",

Este sereno e afável desespero

Que se transforma em bússola e me guia,

Hoje e sempre inda além de quanto quero
*


E este "eu" que de avaria em avaria

Se ergue do nada quando chega ao zero...

Que absurda Morte a si se contraria

Ou se arrepende de algum gesto fero?
*


Foi nesse dia que ousei confrontá-la

E ao vê-la olhar-me dum canto da sala,

Chamei-lhe tola, louca... incoerente!
*


Numa voz perfurante como bala,

Fez soar uma estranha e curta fala:

"- Sinto dentro de mim sempre latente"...
*

 


Maria João Brito de Sousa - 22.06.2021 - 21.13h
***

 

(RESERVADOS OS DIREITOS DE AUTOR)

 

 

 

 

 

 

 

23
Jun21

INTERSTÍCIO - Custódio Montes e Maria João Brito de Sousa

Maria João Brito de Sousa

INTERSTICIO.jpg

INTERSTÍCIO
*

Coroa de Sonetos
*

Custódio Montes e Maria João Brito de Sousa
*

1.
*

Vejo ao longe uma nesga de terreno

A cor lilás aguça-me a visão

Depois mais curioso vejo então,

Com gosto, uma andorinha em voo ameno
*


Da frincha vê-se o mundo mais pequeno

Ao abrir a janela, a vastidão

Alarga-nos o campo em extensão

Ficando-se melhor e bem mais pleno
*


Às vezes o que vemos não é nada

Olhado com a vista encerrada

E temos que ir à busca do bulício
*


A vida vem de fora que fechada

A nossa condição é limitada

À pouca luz que dá o interstício
*


Custódio Montes

21.6.2021
***

2.
*

"À pouca luz que dá o insterstício"

Posso somar a luz de quanto escrevo...

A essa luz do interstício o devo

Bem como ao que alguns julgam desperdício
*


Mas neste longo dia de solstício

Durante o qual inteira me sublevo

Qual vermelha papoila ou verde trevo,

Lanço mãos ao poema; o meu ofício!
*


De dentro para fora, uma insurgência

Teima em poder bem mais que esta impotência

E o verso rasga a névoa que o prendia.
*


Pode o que faço chamar-se imprudência,

Mas eu tenho a perfeita consciência

De que ele há-de chegar aonde qu`ria.
*


Maria João Brito de Sousa - 21-06.2021 - 18.06h
***

3.
*

“De que ele há-de chegar aonde qu’ria”

E eu cheguei aqui vindo de fora

E mal abri a porta, nessa hora

Vi que uma poetisa respondia
*


E o que eu vi ao longe pelo dia

Depois de ter saído e ir embora

Não é melhor nem tão consoladora

Como a resposta à minha poesia
*


Interstício sim mas de beleza

Fechados, mas abertos à grandeza

Que o nome deu lugar a este tema
*


Inteiro, generoso, emalhetado

Bem composto, florido, enramalhado

Com abertura à luz e ao poema
*


Custódio Montes

21.6.2021
***

4.
*
"Com abertura à luz e ao poema"

Estaremos ambos... e constamente!

Mal um começa, o outro segue em frente,

Qualquer que seja o metro, o mote, o tema...
*


Interstícios, pra nós, não são problema

E embora a minha mão esteja dormente,

Escrevendo letra a letra, lentamente,

Facilmente resolvo esse dilema.
*


Meu único senão vem deste sono

Que vem colar-se a mim qual cão sem dono

E me embriaga dos pés à cabeça...
*


Amanhã voltarei fresca e desperta

Pra sondar o poema, à descoberta

Do verso em que ele acaba e recomeça.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 21.06.2021- 23.10h
***

5.
*

“Do verso em que ele acaba e recomeça”

E ri e chora e acaba em festa rija

Até que novo verso aqui alija

E vai enchendo a taça peça a peça
*


E antes que descanse e se despeça

E para fora vá e se dirija

Sem nada que o force ou lho exija

Retoma o tema sempre mais depressa
*


Em luta até ao fim sem armistício

De noite e dia à luz do interstício

Bem lindo e enrendilhado como a flor
*


Trabalho imaginado em solidão

Que prende a nossa alma e coração

E mostra à luz do dia esse labor
*

Custódio Montes

22.6.2021
***
6.
*

"E mostra à luz do dia esse labor"

A ponto-cruz bordado sobre linho

Com a ternura de quem faz um ninho,

Com a entrega de quem faz amor...
*


Muda-se o ponto em ponto pé-de-flor

E prossegue o trabalho o seu caminho;

Cresce o bordado e sente-se o carinho

Que traz nas suas mãos o bordador.
*


Vem, ora, a bordadeira pra rendê-lo

E ao ver como o bordado cresceu belo,

Hesita em dar o seu primeiro passo,
*


Mas recomeça. É este o seu ofício!

Tacteia, cuidadosa, o orifício

Da imaginária agulha de um abraço...
*

 

Maria João Brito de Sousa - 22.06.2021 - 09.58h
***

7.
*


“Da imaginária agulha de um abraço…”

Que ao longe o interstício deixa ver

Imaginado ao pé está-se em crer

Que muito diminui o largo espaço
*


E esta perspectiva que aqui traço

Demonstra que a palavra ao escrever

Um conteúdo amigo há-de ter

E é por isso mesmo que eu o faço
*


Cumprimentar de abraço apertado

É bom, mesmo que seja imaginado

Andando o corpo ao longe em levidade
*

A alma engrandece e ao sentir

O terno abraço a dar e ao surgir

Encontra nele o laço da amizade


Custódio Montes

22.6.2021
***
8.
*

"Encontra nele o laço da amizade"

Que laçada a laçada se constrói;

Quando a distância é tanta que nos dói,

Assim se reinventa a saciedade
*


E é o verso uma pomba que se evade

De uma dura prisão que só o foi

Enquanto este "bichinho" que nos rói

Não descobriu que estava em liberdade...
*


Julgou nunca alcançar esse interstício,

Temeu, talvez, cair num precipício

Se ousasse ultrapassar a estreita fresta,
*


Mas depressa aprendeu que sem tentar

Não saberia, nunca, o que é voar

Nas asas de um poema todo em festa...
*


Maria João Brito de Sousa - 22.06.2021 - 12.21h
***
9.
*

“Nas asas de um poema todo em festa...”

Rodeado das flores dum jardim

São pétalas a abrir até ao fim

De rosas, cravos rubros, de giesta
*


Um lindo panorama que nos presta

Para sentir o cheiro do jasmim

Ouvir às vezes contos de Aladim

Seguindo por caminhos na floresta
*


Poema não é pobre tem riqueza

Faz homens, traz-nos sonhos, natureza

Com roupas e com trajes de ilusão
*


Fazendo-nos também imaginar

Que a vida tem beleza e faz amar

E isso tonifica o coração
*

Custódio Montes

22.6.2021
***
10.
*

" E isso tonifica o coração"

Dando sentido à vida que vivemos

Porque a partilha daquilo que temos

Faz-se com alegria e com paixão.
*


Quisera que a vindoura geração

Pudesse ver tão bem quanto nós vemos

Através de interstícios tão pequenos

Abertos sobre estoutra imensidão...
*


São, os versos, potentes telescópios

E, às vezes, são também caleidoscópios

Da nossa muito humana natureza
*


E nós, poetas e eternos meninos,

Não cremos ser os donos dos destinos,

Mas tudo vamos vendo em profundeza...
*


Maria João Brito de Sousa - 22.06.2021 - 13.56h
***

11.
*

“Mas tudo vamos vendo em profundeza”

Às vezes só as coisas ao redor

Mas quanto mais ao funda a gente for

Muito mais se conhece a redondeza
*


Descreve-se o que vemos e a beleza

Compõe o dia a dia bem melhor

Voamos como as asas dum condor

E nem se sente a dor nessa leveza
*

Apuram-se os sentidos, o gostar,

Os cheiros, os desejos, o olhar

E tudo à nossa volta é linda imagem
*


Canteiros a florir à nossa frente

Ouvimos coisas belas e a gente

Fica mais forte e cheia de coragem
*

Custódio Montes

22.6.2021.
***

12.
*

"Fica mais forte e cheia de coragem"

A gente que assim ama a poesia

Onde se juntam Ciência e Fantasia,

Que tudo aqui se cria à nossa imagem!
*


Cada poema é mais uma viagem

Até ao universo da harmonia;

A partir de um acorde, a sintonia

Dos afinados versos que interagem
*


Até que ao pôr-do-sol o sono chegue

E o verso disperse e se me negue

Num desleal conluio com Morfeu...
*


Tonta de sono, por mais que o persiga,

El` corre à minha frente e nem me liga

Quando suplico: - Volta, verso meu!
*


Maria João Brito de Sousa - 22.06.2021- 15.32h

***

13.
*

“Quando suplico: - volta, verso meu ! “

Não deixes vir a noite que não vejo

E vai-se-me a vontade e o desejo

Só penso nesse escuro como breu
*


Vem vindo a noite, não escureceu

Ainda. Eu de noite não versejo

E queria fazê-lo, tenho o ensejo

De pôr ainda mais um verso meu
*


Via pelo interstício o bastante

Era pouco mas era interessante

Eu não exijo jóias nem rubis
*


Basta-me o que descubro no além

Por essa fenda aberta que nos vem

Do verso que nos chega e faz feliz
*

Custódio Montes

22.6.2021
***

14.
*

"Do verso que nos chega e faz feliz"

Qualquer poeta, quando se aproxima

E traz atrás de si verso que rima

E outro ainda encontra que condiz
*


Com a sonoridade de raiz

Em que o poema, inteiro, se sublima

E cresce... é quase vida, o que o anima,

E a força que em si traz, quase motriz...
*

 

Sobre este inusitado crescimento

O Sol percorre inverso movimento

Descendo aos poucos sobre o mar sereno
*

 

Por trás da rua prenha de edifícios;

Com meus olhos - dois meros interstícios -

"Vejo ao longe uma nesga de terreno."
*

 


Maria João Brito de Sousa - 22.06.2021 - 19.03h
***

(Reservados os direitos de autor)

 

22
Jun21

NORTADA

Maria João Brito de Sousa

maos 2.jpg

NORTADA
*

Mãos que escavam, que moldam, que constroem,
Mãos que não pendem quando derrotadas,
Mãos concretas, humanas mãos gretadas
Mãos que resistem mesmo quando doem.
*

Juntem-se-lhes mãos frágeis, que destoem
Dessoutras fortes, acima citadas,
E outras mãos, pequeninas, levantadas
À espera de que as grandes lhes perdoem.
*

Mãos de tantas idades e tamanhos
Que tudo vão criando e dando a estranhos
Pra receberem pouco ou quase nada.
*


Mãos com vontade própria, não rebanhos,
Mãos sensíveis, bem mais que simples lenhos
Dobrados sobre si pela nortada.
*


Maria João Brito de Sousa - 05.09.2016 - 22.58h

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