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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
07
Mai21

O GRANDE FESTIM

Maria João Brito de Sousa

Alice_Primeiro_Livro3.gif

O GRANDE FESTIM
*


Pegaram numa ideia muito em voga,

Levaram-na a jantar à luz de velas,

Vestiram-lhe uma longa e branca toga,

E ofertaram-lhe incensos e pagelas.
*

 

Bem perto, uma outra ideia dialoga

Usando frases curtas e singelas

Com alguém que, na altura, a interroga

Sobre a longevidade das estrelas...
*

 

Era o grande festim espiritual

Na mesa do planeta efervescente;

Já se tornara, então, habitual
*

 

Celebrar-se a palavra omnipresente

E não mais se distingue o que é banal

Daquilo que se atreve a ser dif`rente.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 07.05.2021 - 09.22h

 

06
Mai21

NÃO ME ACORDES

Maria João Brito de Sousa

Não me acordes.jpg

Imagem retirada daqui

 

NÃO ME ACORDES

*

Não me acordes agora, que os acordes

Que não soubeste ouvir, são feiticeiros

Uivando como lobos verdadeiros,

Ainda que de mim sempre discordes...
*


Se lobo te imaginas e me mordes,

Ferir-me-ás de morte e des-inteiros

Terão ficado os versos companheiros

Do espanto naufragado em que me abordes.
*


Não, hoje não me acordes nem me tomes

Por escrava das crenças que são tuas!

Não quero, nem consinto que me domes
*


A vontade que trago nas mãos nuas

E assim que aos versos do meu sonho assomes,

Mais não verás que sóis gestando luas.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 05.05.2021 - 10.54h

05
Mai21

QUANDO VIERES POR MIM

Maria João Brito de Sousa

Quando vieres por mim.jpg

QUANDO VIERES POR MIM
*


Quando vieres por mim, logo à noitinha,

Com o teu negro manto aveludado,

O teu trágico ceptro de rainha

Não me achará tremendo ajoelhado;
*

 

Estarei escrevendo a derradeira linha

Do terceto final deste meu fado

Que mais ninguém lerá. Quem adivinha

O futuro de um verso assim negado?
*

 

- Volta num outro dia... ou mês, ou ano!

Olhar-me-ás atónita, bem sei,

Pois nada disto estava no teu plano...
*


Pressuporás que também eu sou rei

E partirás pra não causar-me dano;

Se dano houve, eu próprio o provoquei.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 05.05.2021 - 13.12h

 

 

04
Mai21

QUIMERAS, NÃO! - Coroa de Sonetos - Custódio Montes e Maria João Brito de Sousa

Maria João Brito de Sousa

L`IMPORTANT C`EST LA ROSE.jpg

 

 

QUIMERAS, NÃO
*
Coroa de Sonetos
*

Custódio Montes e Maria João Brito de Sousa

***

1.
*

Quimeras não mas astro que flameja

Entre astros que alumiam cintilantes

Com luzes bem visíveis divagantes

Que vencem com valor toda a peleja
*


Nos temas que enuncia e que verseja

Tão claros, tão ricos, importantes

Sentimo-nos poetas militantes

Nas causas que nos traz e nos enseja
*


Não diga mal de si, diga a verdade

Mostrando no poema a realidade

Que toda a gente ao lê-la adivinha
*


As coisas que nos diz na poesia

Só nos trazem prazer e alegria

E o condão do poder duma rainha
*

Custódio Montes

***

2.
*

"E o condão do poder duma rainha"

Que a ser rainha sempre se recusa,

Já que obreira quer ser. E de alma lusa,

Tecedeira sem fuso ou roca ou linha
*


Com que remende a dor da terra minha

Que, desde o berço, de mim fez reclusa;

Quimera me achei hoje e logo a Musa

Veio acudir, tal qual fada-madrinha
*


Vestindo a pele de um homem, desta vez,

Exigindo-me alguma sensatez

E negando a Quimera em que me espelho
*


Porém, se num repente, assim me vi,

Foi no olhar de quem eu concebi

Que encontrei, reflectido, este assemelho...
*

 

Maria João Brito de Sousa - 02.05.2021 - 22.34h
***

3.
*

“Que encontrei, reflectido, este assemelho”

Se olhar com atenção, repare bem,

Em tudo o que lá vê, verá também

Mas veja ao pormenor, limpando o celho
*

Que aquilo que reflete o seu espelho

É sim a tal rainha que lá tem

E que bem lá no fundo o que contém

É uma mestre a dar-nos seu conselho
*

Porque aquilo que observa e nos diz

No conteúdo e forma é tão feliz

Artístico e ledo e até com gana
*

Que toda a gente vê e não só eu

Até mesmo que olhada por plebeu

Vê bem que a sua escrita é soberana
*

Custódio Montes

3.4.2021
***
4.
*

"Vê bem que sua escrita é soberana",

Embora ela se sinta a mais plebeia

De todos os plebeus, já que a norteia

O leme firme de uma mão humana.
*


Ainda que, em quimera, surja insana

E crua para o mundo que a rodeia,

Não passa de um reflexo. Quem cerceia

O amor paradoxal que dela emana?
*


De mim não falarei; só da Quimera,

No reflexo fugaz que se apodera

Dos versos de um soneto inesperado
*


No qual se reconhece por segundos

Como se fera vinda de outros mundos

Reflectidos em espelho embaciado.

*

 

 

Maria João Brito de Sousa - 03.05.2021 - 12.40h

***

 

5.
*

“Reflectidos em espelho embaciado”

Muitos egos eu vejo suceder

Aqui eu vejo um ego a merecer

Louvores e um trajecto consagrado
*


Quimera porque não que é versado

Aquele que tão bem sabe escrever

Inventa meio mundo e o saber

Nos seus versos está bem espelhado
*


Um astro só se mostra e sabe estar

Sem que seja preciso demonstrar

A luz que lhe irradia ao seu redor
*


Falar de si, falar de poesia

A gente sente logo esta magia

De ver à nossa volta só esplendor
*

Custódio Montes

3.4.2021
***

6.
*

 

"De ver à nossa volta só esplendor"

Tal qual nos versos seus eu vejo agora;

De si a poesia se enamora

E até canta a Quimera o seu amor...
*


Bate as asas de drago ou de condor

E retorna ao seu mundo que é de outrora;

Por cá fica a poeta, a que labora,

A que ao soneto of`rece o seu melhor,
*


Sem honras de rainha, que as não quer,

Nem jóias, nem tesouros, nem poder

Que não seja poder escrever assim,
*


Compondo imaginárias sinfonias

Plenas de conteúdo, não vazias,

Porque não há vazios dentro de mim!
*


Maria João Brito de Sousa - 03.05.2021 - 14.50h

***

7.
*

 

“Porque não há vazios dentro de mim!”

Mas há a completude e a firmeza

Que nos revela bem essa certeza

De ver nos seus escritos um jardim
*


Com flores glamorosas de jasmim

Vermelho escarlate framboesa

Espelhados à volta com beleza

Histórias e contos de Aladim
*

 

Poemas de rainha inaltecidos

Que nos levam ao céu engrandecidos

Mostrando-nos veredas e as metas
*


Para ficarmos juntos e andar

Com musa ou sem musa e a sonhar

Os sonhos que nos mostram os poetas
*

 

Custódio Montes

(3.5.2021)
***

8.
*

 

"Os sonhos que nos mostram os poetas"

São bastas vezes lírios, dos campestres,

Ou são arbustos de amoras silvestres,

Torgas erguidas como linhas rectas,
*


Rubras papoilas, frágeis violetas

E flor`s de ortiga belas, mas agrestes...

Das mais modestas coisas nascem mestres

Grandes no traço e ricos nas paletas.
*


Não sei qual foi a Musa que nos coube

E só a mencionei porque não soube

Melhor explicar o fluir do face-a-face
*


Entre os seus versos e os que vou compondo

Até fechar-se o aro bem redondo

Que é, da Coroa, o grande desenlace.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 03.05.2021- 17.24h

***

 

 

9.
*

“Que é, da Coroa, o grande desenlace.”

A coroa é nome nada mais

E sem poemas não o é jamais

Os poemas é que mostram sua face
*

 

Os temas esses dão-lhe o seu realce

E quando escolhidos dão sinais

Do belo, sendo às vezes doutrinais

Num rumo que se tenha e se trace
*

 

A musa vem às vezes outras não

E quando assim for o poeta então

Terá que lançar mão do improviso
*

 

E noutras tem então que disfarçar

Para a sua fraqueza não mostrar

E dá todas as voltas que é preciso
*

Custódio Montes

3.5.3021
***

10.
*


"E dá todas as voltas que é preciso",

Mas se é preciso voltar à quimera,

Deixemos de a tratar como uma fera

Com três cabeças e nenhum juízo
*


Cujo significado anda indeciso

Entre mostrengo e fantasia mera;

Pode ser quanto a nossa mente gera

Tal como Eva e Adão no Paraíso...
*


Assim volta a quimera a estar connosco,

Não mais na forma de um mostrengo tosco,

Pois redimida do seu estranho aspecto
*


Passou agora a mito ou fantasia,

Coisa irreal que qualquer mente cria

Mas que é muito dif`rente de um projecto.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 03.04.2021 - 20.13h
***

 

13.
*

“Do que afogar no mar a tua mágoa!”

Dizer é muito fácil, desespera

O poeta parado assim à espera.

Quando a musa me foge eu vou e trago-a
*

 

Agarro-a à jangada na lagoa

Mesmo que ela se faça uma fera

Depois digo com jeito: quem me dera

Que, em vez de má, amiga, fosses boa
*

 


Abraça-me então logo de mansinho

Eu entoo-lhe um fado com carinho

E volta ela cheia de magia
*

 


Gosta do tom da voz que lhe ofereço

E logo ela tece no que eu teço

Com sonho com quimera e poesia
*

Custódio Montes
*

3.4.2021
***

14.
*

"Com sonho com quimera e poesia"

Se vão tecendo as coroas, uma a uma,

Sem que nenhum de nós sequer presuma

Quão fortes laços a palavra cria
*

 


Nem de quem são os fios que a Musa fia

Para obter a leveza de uma pluma

E a brancura da onda feita em espuma

Que com doçura of`rece à melodia...
*


Esforço-me um pouco mais e descortino

Em cada verso um compassado hino

Que me pede que o oiça e sinta e veja
*


E, de repente, a música de fundo

Vem sobrepor-se aos sons banais do mundo;

-"Quimeras não mas astro que flameja!"
*

 


Maria João Brito de Sousa - 04.05.2021 - 00.00h


***

 

Imagem - "LÌMPORTANT C`EST LA ROSE",  Maria João Brito de Sousa, 1999

(pastel de óleo e acrílico s/ papel montado em tela)

 

02
Mai21

QUIMERA

Maria João Brito de Sousa

Quimera2.jpg

QUIMERA
*


Proíbo-vos de olhar-me de outra forma

Que não a da franqueza. Sou escultura

Horrenda de aparência, criatura

Que em tudo, ou quase tudo, nega a norma
*


E que plasticamente se deforma

Antecipando, em vida, a sepultura;

Enchi de golpes que ninguém sutura

Buracos negros dos quais ninguém torna
*


E se amo ainda - disso não duvidem! -

Ninguém pode entender como ou porquê

Pode a quimera amar quantos a agridem,
*


Procurar entendê-los e até

Inda ter dó de quantos a olvidem

Ou a suponham à sua mercê.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 02.05.2021- 10.02h

01
Mai21

E VIVA MAIO!

Maria João Brito de Sousa

1.maio_lisboa_74.jpeg

DE MAIO FALO AGORA... E VIVA MAIO!
*


Tanto da cupidez quanto da fome
Emerge um grito de insatisfação
Que nos adentra a alma e nos consome
Até tornar-se um urro ou ser canção.
*

 

Uma será pertença dos sem nome
E outra dos que não têm coração,
Mas pra ambas trará a noite insone
Manhãs e tardes de dura aflição.
*

 

A minha fome é justa, insaciável,
Talvez venha a murchar mas é saudável
E não tem prazo nem há-de ter fim,
*

 

Embora de outra fome eu fale agora
Que Maio cheira a giesta, lembra a amora
E mais sabe de fomes que eu de mim!

*

 

Maria João Brito de Sousa - 01.05.2020 - 09.00h

*

Em reedição

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