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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
29
Mai21

SONETO A UMA "CHAMA QUE ARDE SEM SE VER"

Maria João Brito de Sousa

Fotografia de meu pai.jpg

SONETO A UMA "CHAMA QUE ARDE SEM SE VER"
*

 

Quem pode ver amor que arde invisível
se Amor se mostra avesso a definir-se
e se esconde e se mostra intraduzível
no instante em que começa a traduzir-se?
*

Se além, se muito além do que é tangível
pudesse o mesmo amor baixinho ouvir-se
nalgum murmúrio que tornasse audível
o silêncio que deixa ao despedir-se
*

Diríamos que Amor, sendo sensível,
passível de acender-se e consumir-se,
é comburente e chama e combustível...
*

Mas como poderá tanto exigir-se
se para a maioria é impossível
entrar em combustão e não extinguir-se?
*


Maria João Brito de Sousa – 25.06.2015 – 17.16h
*

(Ligeiramente reformulado)

 

Fotografia de António Pedro Brito de Sousa

28
Mai21

NOS MEUS VERSOS, NOS TEUS DEDOS...

Maria João Brito de Sousa

Pai, na casa da rua Luís de Camões, Algés.jpeg

NOS MEUS VERSOS, NOS TEUS DEDOS...
*

Nas aves que se soltam dos teus dedos
E pousam nos meus versos de poeta
Sondando e desvendando os seus segredos
Na sua intimidade mais secreta,
*

Nesse seu dedilhá-los, loucos, ledos,
Quando bem me sabiam ser discreta,
Devolvem-me antiquíssimos folguedos
E, por momentos, deixam-me completa.
*

Sondam-mos verso a verso, toque a toque...
Porquê fugir-lhes quando, não fugindo,
Mais versos nascerão sem que os convoque?
*

E por que não frui-los se, fruindo,
Mais rica fico? E basta que os evoque
Pra mais e mais humana me ir sentindo.
*


Maria João Brito de Sousa - Março, 2016
*
In A CEIA DO POETA - (inédito)

*

 

Imagem - O meu pai, no seu escritório da casa de Algés,

fotografado pela minha mãe. 1950

25
Mai21

SONHAR, SEM ASAS?

Maria João Brito de Sousa

me da-da.jpg

SONHAR, SEM ASAS?


*

Sentar-me a vosso lado e estar calada,
Vendo o desabrochar das vossas rosas
Enquanto as mãos protestam, já nervosas
Por não criarem nada... mesmo nada?
*

Sonhar, senhor, debaixo da sacada,
Enquanto há estrofes livres, generosas,
Que definham até formarem prosas?
Sonhar pra quê, se a tal for condenada,
*

Se a minha solidão for posta em causa
E tudo o que me reste seja a pausa
Que, para mim, define um pesadelo
*

Tão denso, tão concreto como um muro?
Pra quê esboçar um sonho se, vos juro,
Que este vôo que enceto é tão mais belo?
*

 


Maria João Brito de Sousa - 07.08.2016 - 10.29h

 

24
Mai21

"NO AMOR, CIRURGIÃO, NA TEMPESTADE, O RAIO"

Maria João Brito de Sousa

Pavia, in Livro de Bordo.jpg

Ao António Só, poeta.


"NO AMOR, CIRURGIÃO, NA TEMPESTADE, O RAIO"
*
(Soneto em verso alexandrino)

*

"No amor cirurgião, na tempestade o raio",

Na poesia, ensaio em plena orquestração,

Às vezes equação, às vezes de soslaio

Reinventa-se catraio em trovas sem (es)cansão
*


E vai-se a solidão assim que abraça Maio...

Jamais será lacaio! Ainda que em tensão

Cumpre a sua função não sendo rei nem aio;

Corsário, se malaio, ou mero herói de acção
*


Será, sem solução, poeta até morrer;

Ainda que sem ver, muito embora cativo

Manter-se-á bem vivo, ousando renascer...
*


Mais não sabe fazer e ao passar, furtivo,

Passa a "ser criativo", em vez de apenas ser;

Porque se há-de esconder, se em verso é produtivo?
*

 

 

Maria João Brito de Sousa - 24.05.2021 - 10.00h

 

22
Mai21

CONVOCATÓRIA

Maria João Brito de Sousa

A TECEDEIRA DE BARCAS, 1999.jpg

CONVOCATÓRIA
*

Convoco-te, poema, em cada verso,
Em cada estrofe ainda não tecida,
Em cada afirmação, no seu reverso,
No sopro que conduz do verbo à vida
*

E sempre que comigo, em mim disperso,
Te encontro e vou moldando, já rendida,
Perder-te-ei depois, depressa imerso
Num mar cuja maré me traz perdida...
*

Porém, a sensação de, em tempo adverso,
Estar presa, acorrentada e sem saída
Num barco naufragado e já submerso
*

Quando olhada de frente foi vencida
Pela mão com que embalo o velho berço
Da dor que em cada verso é redimida.
*


Maria João Brito de Sousa - Março 2016

In A CEIA DO POETA (inédito)

21
Mai21

"E" de EPHEMERA

Maria João Brito de Sousa

Ephemera-vulgata.jpg

“E” de EPHEMERA
*

Estranho este escuso embrionário estado
Entre eras estendendo-se enlaçadas;
Esculpo-me em estanho, estranho-me estanhado.
Endosso. Ensaio efeitos. Embrulhadas...
*

Encómios evoquei. É-me (n)egado
Expor-me entre eros e ébrios. Ensonadas,
Esperam-me esporas de éter, estipulado
Extremismo, exaltações exacerbadas...
*

Escondo o ego esculpido. Enrodilho-me,
Excluo “esses” e “erres”; estribilho-me
E expurgo eternos erros (d)e escansão
*


Especializo-me em estrelas, ecos, entes...
Executo estratégias (d)e eloquentes,
Emancipo-me em “E” (d)e evolução.
*


Maria João Brito de Sousa – 05.08.2018 – 16.30h

20
Mai21

ACRÓSTICOS A FLORBELA ESPANCA

Maria João Brito de Sousa

florbela.jpg

ACRÓSTICOS A FLORBELA ESPANCA
*

Primeiro poema gentilmente cedido pelo seu autor, o poeta José Manuel Cabrita Neves.
*

ACRÓSTICO
*

Fui a tristeza, a mágoa, a solidão!
Longe da felicidade e da alegria,
Ostentei um caminho que sabia,
Reverso e controverso de paixão…
*
Bebendo silenciosa a nostalgia,
Enquanto eu era toda adoração,
Lia nalguns olhares condenação,
A esse amor tão puro que sentia…
*
Errei pois por amar quem não devia,
Seguindo a terna voz do coração,
Peregrina fiel duma ilusão,
Alimentando a cega idolatria…
*

Não creio haver sequer comparação,
Com esta minha entrega doentia,
Ao dedicar-me inteira ao próprio irmão!...
*
José Manuel Cabrita Neves
*

ACRÓSTICO- RESPOSTA
*

Fui, sim, tristeza e mágoa e solidão,
Lamento de insondável nostalgia
Ornato de candura e poesia,
Remate de perfeita (in)confecção
*

Bordado a ponto-cruz sobre aflição,
Errando, ou não, - conforme a disforia... -,
Louca, talvez, pois muito bem sabia
A que conduziria tal paixão...
*

Estou livre, no entanto - quem diria? -
Singrando uma outra estranha imensidão,
Passando, sem passar de mão em mão,
Adivinhando, agora, o que antes qu`ria
*

Não posso responder-te - ó decepção! -,
Cuidando, embora, que te respondia...
Ah, que te importa? Nunca amaste em vão?
*

Maria João Brito de Sousa - 09.02.2016 - 17.21h
*
Reservados os direitos autorais
***

19
Mai21

FORÇA

Maria João Brito de Sousa

viagem.jpg

FORÇA

*

 

Vem-nos, a força, duma alma crestada

Por átomos de espanto, intemporais,

E, às vezes, conseguimos fazer mais

Quando julgámos não poder mais nada

*

 

Vem improvável, mais do que adiada

- à luz das consciências mais normais -

Reencher-nos de sonho o velho cais

Da barca eternamente naufragada

*


Virá de onde diríamos não vir

Nem a remota sombra de um auxílio;

Impossível, absurda e, no entanto,

*


Vem como se quisesse destruir

As fronteiras reais do nosso exílio

Pra vir morar connosco em qualquer canto.

*

 

Maria João Brito de Sousa – 13.11.2010 – 13.42h

 

 

 

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