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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
31
Mar21

ANTES QUE O SOL NASÇA...

Maria João Brito de Sousa

UM INSTANTE DE MAGIA - img.jpg

ANTES QUE O SOL NASÇA

*

 

Antes que o sol nasça,

lembrar-te-ei que as noites

justificam o retorno dos dias

e que as borboletas, como as palavras,

rastejam, estéreis, antes de voar

 *

Lembrar-te-ei,

ainda que eu própria o tenha esquecido,

que todos os horizontes germinam

na lonjura exacta do alcance do teu olhar

apesar dos teus olhos  o imaginarem

na fronteira do sonho (in)comum

 *

Lembrar-te-ei,

ainda que a lua possa desmentir-me,

que as manhãs te irão sobreviver

e que as montanhas nunca se vergaram

a uma vontade isolada

porque só as mãos juntas apontam os caminhos

que vale a pena desbravar

nas longínquas escarpas do monte improvável

e nada do que eu te lembrar fará sentido

a menos que o descubras antes que o sol nasça

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 18.10.2012 – 16.13h

30
Mar21

CAMINHO(S)

Maria João Brito de Sousa

Pai, na casa da rua Luís de Camões, Algés.jpeg

CAMINHO(S)
*


"Sonho de olhos abertos, caminhando"

Bem mais do que contava caminhar

E só de olhos abertos sei trilhar

Estes caminhos que encontrei sonhando
*


Como luz que se acende e vai brilhando,

Assim se me ilumina o caminhar

Em quantos passos der, sempre a sonhar,

Acordado, contudo, e avançando...
*


Não posso conceber um melhor guia

Do que este, passo a passo conseguido,

Que a cada passo dado me alumia,
*


Mas sei que se sonhasse adormecido

Talvez me alumiasse ao fim do dia

"Outra luz, outro fim só pressentido..."
*

 

Maria João Brito de Sousa - 29.03.2021 - 20.11h

*

 

Entre aspas, versos de Antero de Quental. 

Soneto criado para uma rubrica do Horizontes da Poesia

*

 

Na fotografia, o meu pai no seu escritório do nº 91-A da Rua Luís de Camões, Algés

29
Mar21

PARA TE AMAR, POEMA....

Maria João Brito de Sousa

SUICIDE OF THE PINK WHALE.jpg

 

 

PARA TE AMAR, POEMA

*

Nenhuma montanha

será demasiado alta

para te amar,

poema,

para te amar,

tão só…

 *

E decido-me a deixar-te tombar…

 Na queda confundem-se

flor e pássaro,

tempo e modo,

metáfora

e urgência real de não chegar ao fim

Porém,

tudo não dura mais do que a palavra

que,

num súbito recuo,

opto por não deixar cair.

*

 

Salvo “in extremis”

no segundo imediatamente anterior

ao impacto derradeiro,

devolvo-te às asas a que sempre pertenceste

e enfrento,

mais só do que nunca

porque consciente e lúcida,

o maior de todos os riscos

no crescente declive das banalidades

 *

É tempo de dormir.

Amanhã será um novo dia

para te amar,

poema,

para te amar,

tão só…

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – Poema manuscrito a 24.12.2012 – 02.00h

*

Tela de minha autoria, fotografada e  digitalizada por Vítor Martinez

*

NOTA - Mais uma vez, por pontual ausência da Musa, trago um poema de verso branco à morada do soneto

27
Mar21

UMA "DEIXA" IMPROVISADA

Maria João Brito de Sousa

A PEÇA DE TEATRO.jpg

UMA "DEIXA" IMPROVISADA
*
(pormenor de bastidores)
*


Claríssima, a manhã espreita a nudez

De uma protagonista enluarada

Que acorda enrubescida e estremunhada

De um sono que durava há mais de um mês.
*


No palco, a sua deixa, a sua vez,

Vai a meio de ser representada

Por uma musa atenta e acordada

Que do seu sono a tempo se refez.
*


Sendo esta peça feita de improvisos,

Entra a protagonista noutra altura,

Esbanjando vénias, gestos e sorrisos
*


Prossegue, então, a Peça, que a cultura

Nasce também de gestos imprecisos

E de erros que alguns julgam ser sem cura.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 27.03.2021 - 13.11h

26
Mar21

HUMANA NATUREZA II

Maria João Brito de Sousa

 

A ILHA DE S. NUNCA.jpeg


HUMANA NATUREZA II
*

 

"Vai a fresca manhã alvorecendo"

No limbo das razões adormecidas

E do sono despertam novas vidas

Que, pouco a pouco, vão prevalecendo
*


Sobre as que o sono eterno foi vencendo

E que, de madrugada, são esquecidas;

Mil teorias são então tecidas

Sobre outras tantas que fomos tecendo.
*


Como humanos que somos, questionamos,

Teorizando tudo. Ateu ou crente,

O homem teoriza. E constatamos
*

 

Que o dia dorme já serenamente

Enquanto, estremunhados, suplicamos;

"Torna a alentar-te, ó sol resplandecente!"
*

 


Maria João Brito de Sousa - 25.03.2021 - 12.30h
*

Entre aspas, versos de Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre (Marquesa de Alorna)

Soneto criado para uma rubrica do Horizontes da Poesia

25
Mar21

METÁFORA - Manifesto

Maria João Brito de Sousa

Potro Radiculado.jpeg

METÁFORA

(Manifesto)

*

 

Eu digo-te

que o sol floresce limpo

sobre o estrume das aparências

e que as palavras são casas nas cidades da voz

 *

Digo-te

que as ruas são mãos a (re)pousar,

que as estátuas de pedra são canções

e que as canções são luas, de tão brancas…

 *

Dir-te-ei,

vez por outra,

que as plantas são mulheres e homens

cansados da colheita improvável,

que os dias – todos eles –

são movimento,

que as noites são o esconderijo

dos sonhos à espera de acordar

e que os muros são pontes entre agora e depois

 *

Falar-te-ei de passos sem distância,

de espaços sem medida,

de memórias sem tempo

e de gente sem medo de morrer,

mas jamais me ouvirás falar de renúncia

enquanto o murmúrio me for permitido

na cidade da voz libertada

*

 

Também a metáfora se come, se bebe

e não sabe render-se enquanto viva

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 03.09.2012 – 18.12h

 

 

 

24
Mar21

VENDAS

Maria João Brito de Sousa

olhos vendados.jpg

Imagem retirada daqui

 

VENDAS

*

 

Vendaram-me estes olhos que desvendam,

(que desvendavam quando desvendados)

Caminhos dia a dia vislumbrados

A que os olhos vendados se me prendam.

*

 

Ainda que os meus olhos pouco entendam,

Ir-mo-ão desvendando os passos dados

Pois todos os caminhos são lavrados

Pelos arados que se lhes não rendam.

*

 

Abrem os passos ruas que se fecham

Atrás dos mesmos passos que as abriram;

São caminhos que rasto nunca deixam,

*

 

 

Ruas que apenas nossos pés serviram

Ainda que esses pés pouco se mexam

E ainda que esses passos muito os firam.

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 2020/2021(?)

 

*

 

NOTA - Encontrei este soneto de rima toante nos ficheiros, sem data. Não posso estar segura de nunca o ter publicado, mas penso nunca o ter chegado a fazer. 

 

23
Mar21

PAPOILA(S)

Maria João Brito de Sousa

Papoilas - Monet.jpg

Papoilas - Monet

 

PAPOILA(S)

*

 

Estão secas as papoilas que murcharam

Mas será sempre rubra a sua cor

Que é a dos corações abrindo em flor

Sobre o verde do prado em que brotaram.
*

 

Persistem na memória em que atearam

As chamas rubras desse seu fulgor

E sabem ao melhor que há no melhor

Da cor vermelha com o chão pintaram.
*

 

Tão belas e tão frágeis quão selvagens

Parecem, bastas vezes, ser miragens

Em vez de coisas vivas e reais
*

 

Que se espraiam na tela das paisagens

Pontilhadas de vida e de mensagens

Escritas pra serem lidas por mortais.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 22.03.2021 - 10.56h

*

NOTA - Porque  a Vida e a Poesia não se confinam, logo, às 19.30h

de hoje, dia 23 de Março, estarei aqui. Quer-me fazer companhia?

 

22
Mar21

SEDE(S)

Maria João Brito de Sousa

Eu, Hotel dos Templários - 1972.jpg

Eu, fotografada em 1972

 

SEDE(S)
*


"Encontraste-me um dia no caminho"

Que eu fazia sozinho, em desencanto;

Não te esperava nem esperava tanto

De um desencanto assim, tão comezinho...
*


Foi então que deixei de estar sozinho

Neste caminho em que floresce o espanto

E em que utrapasso a dor e o quebranto

Sempre que assumo um passo mais asinho
*


Deste-me a mão, sondaste de mansinho

A vulnerab`lidade do meu manto

De sede ardente e do mais puro linho
*


E tanta sede em ti sentiste, quanto

Em mim secara, por inteiro, o vinho;

"Tivemos de beber do mesmo pranto"
***

 

Maria João Brito de Sousa - 21.03.2021 - 13.17h
*

 

Entre aspas, versos de Camilo Pessanha 

Soneto criado para uma rubrica do Horizontes da Poesia

 

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