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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
20
Jul20

FRACA JUSTIÇA INDUZ IRA TEMÍVEL

Maria João Brito de Sousa

dragão furioso.jpg

FRACA JUSTIÇA INDUZ IRA TEMÍVEL

ou

 

VÊS MOINHOS?, SÃO DRAGÕES!


*

 

 


São moinhos de vento, estes meus dedos,

E meus olhos lanternas apagadas

A semi-vislumbrar cifras toldadas,

A adivinhá-las, como se a segredos,

*

 

Austeras fragas, disformes rochedos,

Sombras informes, loucas revoadas

De ilusões imprecisas, desmembradas

Ou enredadas em estranhos folguedos.
*

 

Não fora a desmedida teimosia

Que a decifrar tais vultos desafia

Esta semi-cegueira (ir)reversível(?)
*

 

E eternizada pela pandemia...

Ah, não vos sei dizer o que faria,

Mas se em brado o soltasse... era temível!
*

 

 


Maria João Brito de Sousa - 20.07.2020 - 11.30h

 

19
Jul20

LARGA OS CHOCOLATES, PEQUENA, LARGA OS CHOCOLATES!

Maria João Brito de Sousa

brigadeiro.jpg

LARGA OS CHOCOLATES, PEQUENA, LARGA OS CHOCOLATES!
*

 

 

Laura, que não comera chocolates

Nem no inverno mais ventoso e frio,

Mudou de ideias durante este estio

Abrindo precedente a alguns dislates.

*

 

Fez as honras da casa aos disparates

E numa hora apenas engoliu

Três dezenas dos ditos. Repetiu.

Parou no hospital dos Bons Resgates.
*

 

Não fosse Laura amarga, embora doce,

Talvez numa tragédia isto acabasse,

Mas fosse da amargura... ou do que fosse,
*

 

Laura sobreviveu ao duro impasse;

Não há desinteria que a destroce,

Nem houve brigadeiro que a matasse...

*

 

 

Maria João Brito de Sousa - 19.07.2020 - 12.53h

 

Imagem retirada daqui. Bom apetite!  

18
Jul20

HOMENS; PEDRAS E CESTOS DE PALHA

Maria João Brito de Sousa

tecelãos.jpg

HOMENS, PEDRAS E CESTOS DE PALHA
*

 


Repara, aquelas pedras que parecem

Curvar-se sobre a terra adormecida,

Não são pedras, são gente, têm vida

Que adia a morte enquanto a vida tecem
*


Mas, dessa vida, tudo o que conhecem

São esses fios que tecem à medida

Dos gestos em que a vida é repetida

Até que os velhos corpos anoitecem.

*

Rendem-se à sombra os seus olhos cansados,

Perdem o rumo aos dedos e aos gestos,

Vão dando nós nos fios embaraçados
*


E não lhes sobram mais do que alguns restos

Dos fios que foram sendo desfiados

Tal como a palha dos seus velhos cestos.
*

 

 


Maria João Brito de Sousa - 18.07.2020 - 12.13h

*

 

Imagem retirada daqui

17
Jul20

DEGRAUS

Maria João Brito de Sousa

degraus.jpg

DEGRAUS

*


E sobem-se uns degraus devagarinho,

E descem-se outros com dificuldade

Que ainda que a favor da gravidade

Mais dói descer do que galgar caminho
*

 

Subindo degrauzinho a degrauzinho

A escada que nos leva à saciedade

Quando no topo mora a liberdade

Sobre a qual (re)criámos nosso ninho.
*

 

De quando em quando, há que descer uns quantos

Degraus da escada que se acende em espantos

Quando a galgamos no sentido inverso.
*

 

Porém, de quando em quando, há tantos, tantos,

 Que se disfarçam com tão dúbios mantos,

Que só os desço a galopar num verso.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 17.07.2020- 12.30h

16
Jul20

AO CONTRÁRIO DOS PÁSSAROS

Maria João Brito de Sousa

tempestade deserto2.jpg

AO CONTRÁRIO DOS PÁSSAROS
*

 

Ao contrário dos pássaros libertos,

Não é o amor e sim a liberdade

Que aos homens faz cantar com mais vontade

Os poemas de penas recobertos.
*

 

Se desdobrados em pasmos incertos

Julgarem estar libertos de verdade

Cantarão pouco e mal; de si se evade

Essa mesma aridez que há nos desertos.
*

 

Desolam como as sílicas queimadas

Sonhando com oásis de palmeiras

Que as miragens por lá deixam plantadas.
*

 

As noites são geladas, sem lareiras,

E, uma vez por outra, em revoadas,

São retalhados por punhais de areias.


*

 

Maria João Brito de Sousa - 16.07.2020 - 10.40h

 

*

 

Imagem retirada daqui

 

15
Jul20

PRA QUE VOS QUERO EU, ASAS-PENADAS?

Maria João Brito de Sousa

CONDOR da Califórnia - Wikipédia.jpg

PRA QUE VOS QUERO EU, ASAS PENADAS?
*

 


Pra que vos quero eu, asas possantes,

Se não para rasgar os novos céus

Dos astros invisíveis e distantes

De mundos que jamais serão os meus?

*

 

E se vos sinto fracas, vacilantes,

Vergadas ao temor de um qualquer deus

Ou às penas que em vós serão constantes

Tal como o são pra crentes e ateus,
*

 

Pra que vos quero eu, asas-penadas

De penas tão penosas, tão pesadas

Que quase vos negais a descolar
*

 

Do galho verde em que ficais pousadas?

E alongam-se-me as asas apostadas

Em nunca mais pararem de voar...

*

 

Maria João Brito de Sousa - 15.07.2020 - 11.42h

 

*

Imagem de Condor, retirada daqui

14
Jul20

(DES)ENTENDIMENTOS DE UM JOVEM CASAL

Maria João Brito de Sousa

briga de namorados.jpg

(DES)ENTENDIMENTOS DE UM JOVEM CASAL

*

(Soneto muito, muito ligeireirinho, em verso alexandrino)

*

 

 

Depois da tarde mansa em que a conversa azeda

Quando o verbo leveda e a (des)conversa rança

O impropério avança embora nenhum ceda

Ao outro a confiança e a paz que se arremeda
*


E o insulto suceda antes de haver bonança,

Que o "chinelo de trança" às vezes não se queda

Caso o gesto se exceda ousando a destemp`rança

E emerja como lança a altear a labareda.
*

 

Depois hão-de acalmar. Sentados no poial

Saberão que afinal melhor fora calar

Do que tanto rabiar por um punho de sal
*


Briguinhas de um casal que acabou de casar

Dissipam-se ao luar que banha o seu quintal;

Ninguém as leva a mal e um beijo as vem selar.

*

 


Maria João Brito de Sousa - 06.07.2020 - 11.30h

12
Jul20

MEMÓRIA SEMÂNTICA

Maria João Brito de Sousa

Biblioteca Municipal de São Lázaro - Lisboa.jpg

MEMÓRIA SEMÂNTICA

*

 

(Soneto em verso alexandrino)

*

 

O dia entra a sorrir e vai-se num bocejo...

Ainda mal o vejo e sem me desmentir

Quase me faz sentir que sou eu que o protejo

Quando me abraço ao Tejo antes do Tejo ir
*

 

Ao mar que o engolir num abraço que invejo

Porquanto o que desejo é também conseguir

Como esse mar fundir num mesmo abraço ou beijo

Um derradeiro harpejo, e eu, quando a dormir
*


Nesse harpejo fluir para não mais voltar

Que a hora há-de chegar como pra todos chega

Em que a vida delega o que hoje a faz pulsar
*

 

E se existe no mar um cais que nada nega

Todo o que em si navega há-de nele aportar;

A Memória é o lar depois de uma refrega!
*

 


Maria João Brito de Sousa - 11.97.2020 - 14.08

*

 

Imagem - Biblioteca Municipal de S. Lázaro, Lisboa

retirada daqui

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