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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
30
Jun20

GALOPE

Maria João Brito de Sousa

O GALOPE.jpg

GALOPE
*

(Soneto em verso alexandrino)
*

 

Nem sempre é transparente o verso em que me embalo

E nem sempre vos falo assim tão claramente,

Que a força da corrente é tanta que me calo

E só no intervalo oiço o que tinha em mente.
*


O poema é prepotente, exalta-se e, num estalo,

Açula-me o cavalo em que cavalgo sempre

Que o verso emerge urgente, abrindo-se num halo

De assombro, ainda ralo, ainda incoerente,
*


Ainda tão somente em vias de pensar

E até de se explicar, arfante e tão espantado

Que nem concebe errado expor-se a galopar
*


Sem antes descansar, sem mesmo ter parado,

Sem sequer ter-se olhado; as ventas a soprar

E o seu sopro a deixar o poema embaciado.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 30.06.2020 - 14.28h

*

Imagem retirada daqui

 

 

29
Jun20

O ESTRANHO CASO DO DESCONHECIDO QUE VEIO MORRER NO MEU SONHO

Maria João Brito de Sousa

o estranho sonho.jpg

O ESTRANHO CASO
DO DESCONHECIDO
QUE VEIO MORRER
NO MEU SONHO
*
*
Deitou-se nos meus braços naufragados,

Esboçou um gesto e sem mais reacção

Morreu-me neles, de dentes cerrados

Feito um fardo de carne, um peso vão,
*

Os olhos inda abertos, encovados

Nas órbitas de um rosto em convulsão

E os cabelos àsperos, suados,

Roçando a minha naufragada mão.
*

Quem era? Quem não era? Não sabia

E o cadáver não mais responderia

Por muito que eu ainda perguntasse
*

Porque é que no meu sonho falecia

Sem se dignar explicar por que o fazia

E sem sequer esperar que eu acordasse.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 27.06.2020 - 19.09h

28
Jun20

EM ESTADO BRUTO

Maria João Brito de Sousa

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EM ESTADO BRUTO
*

Do sumo doce do mais doce fruto

Sacio a minha (in)saciável sede

No som que, silabado, se sucede

Ao sussurrado som que agora escuto.
*

Mas se um verso me surge irado, hirsuto,

Soprando fúrias que mais ninguém mede,

Deixá-lo-ei rugir como me pede,

Que às vezes solto o verso em estado bruto.
*

Nem sempre a razão tem supremacia

Sobre esta compulsão que o verso cria

Quando me guia nessa direcção
*

E verga-se a razão dando passagem

Ao verso que transborda e galga a margem

De todas as razões que há na razão.
*


Maria João Brito de Sousa - 27.06.2020 - 15.04h

27
Jun20

CREIO III

Maria João Brito de Sousa

paz.jpeg

CREIO III
*

 

Creio na paz, duríssima conquista

Do oprimido sobre o opressor,

Creio na utopia que se avista

Nos horizontes seja de quem for,
*

Creio no sonho de cada alquimista

Desde que tenha mãos de produtor

E creio em cada humano que resista

A ser comprado por qualquer valor.
*

Creio nos ventos que espalham sementes,

Creio nos crentes, creio nos não crentes

E creio, sobretudo, nos que entendem
*

Que pode haver justiça para as gentes

Que erguem os punhos, que  cerram os dentes,

Mas não desistem e nunca se rendem.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 27.06.2020 - 10.50h

26
Jun20

CREIO II

Maria João Brito de Sousa

Abril, 1974.jpg

CREIO II
*


Creio nas ervas bravas, quando amargas,

Creio nas águas doces e salgadas,

Creio nas belas aves de asas largas,

Creio em florestas verdes de mãos dadas,

*

Creio nas grandes e pequenas cargas

Das nossas vidas sendo levantadas

Por nossas próprias mãos quando às ilhargas

Transportamos as crias ensonadas.

*

Creio nos gestos de boa vontade,

Na transitoriedade da verdade,

Nas lágrimas de dor ou de alegria,
*

E nas ondas que o mar desfaz em espuma

Pra tecer brancas rendas que, uma a uma,

Se tornam espelho e voz da poesia.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 25.06.2020 - 13.20h

26
Jun20

CREIO NO PÃO

Maria João Brito de Sousa

EU, 5 ANOS.jpg

CREIO NO PÃO
*


Pode o diabo ter-me até estendido

O pão amanhecido que mordeu

Mas, quanto ao resto, ter-vos-á mentido

Pois quem o amassou fui eu, só eu!

*

Se o diabo ficar aborrecido

Por ver-se despojado de um troféu,

Viro-lhe as costas, vou noutro sentido

E amasso um pão que seja mesmo meu.

*

A massa deste pão, quão mais cozia

Mais dourava, crescia e rescendia

Às ervas bravas da planura mansa.
*

Nenhum demo este pão cobiçaria

Porque leveda nele a poesia

De alguém que em tempos idos foi criança.
*

 

 

Maria João Brito de Sousa - 25.06.2020 - 21.00h

24
Jun20

SINA DE SIBILANTE

Maria João Brito de Sousa

Stradivarius.jpg

***

SINAS DE SIBILANTE
*

(a António Giacomo Stradivari)
*


A sílaba sustém-se (as)silabada,

Silente ou simplesmente sussurrante,

Ciente da ciência soluçante,

Suavíssima, secreta, (en)simesmada.

*

Submete-se à sessão silenciada;

Subtil solfejo de aço, sibilante,

Subverte a situação, insinuante,

Supinamente só, sobressaltada;
*

Solta silvos, (a)ssusta, serpenteia,

(A)ssume a suave essência da sereia,

Semeia, sábia, a sã sabedoria,
*

Suprime ou sobrestima a suspensão,

Sofre os silêncios, sofre a submissão...

Subitamente explode em sinfonia!

*

 


Maria João Brito de Sousa - 24.06.2020 - 10.30h

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