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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
30
Mar20

HÁ-DE HAVER RISOS, HÁ-DE HAVER QUEM VENÇA!

Maria João Brito de Sousa

Há-de haver quem vença! imagem.jpg

HÁ-DE HAVER QUEM VENÇA!

*

 

Morrem os velhos, morrem os doentes,

Morrem humildes e até  poderosos...

Que dos que partem nasçam as sementes

Que irão vingar e dar frutos viçosos!

*

Fazem clausura crentes e descrentes,

Cessam abraços, por perniciosos,

Temem as gentes tornar-se os agentes

Desse contágio. Todos, quais leprosos,

*

Tapam os rostos, evitam tocar-se,

Que é grande o medo de contaminar-se;

Enorme o risco e tremenda a sentença!

*

Das negras noites nasce o fel dos dias,

Mas... vida é Vida e, depois das fobias,

Há-de haver risos, há-de haver quem vença!

*

 

Maria João Brito de Sousa – 29.03.2020 -20.31h

 

Imagem retirada da Web, via Google

 

 

29
Mar20

DISTO ESTOU CATIVA (soneto/missiva)

Maria João Brito de Sousa

DISTO ESTOU CATIVA - imagem.jpg

 

DISTO ESTOU CATIVA

(Soneto/missiva)

*


Estive quase a morrer no hospital
E hoje estou quase cega, pouco vejo...
Peço, poeta, não me leve a mal
Não ter correspondido ao seu desejo
*


De amigável conversa virtual...
Creia, poeta, que não tive ensejo
​​​​​​​De dar resposta, como habitual

E, de futuro, nada bom prevejo.

*

 

Doseio a conta-gotas o que leio

E também o que escrevo hoje doseio...

Tudo isto faço pra manter-me viva

 

*

Não vá a morte  levar, de escanteio,

O que antes lhe neguei. Decepcionei-o?

Peço perdão, mas disto estou cativa.

 

*

 

Maria João Brito de Sousa – 29.03.2020 – 16.24h

**

 

Nota - Soneto enviado como resposta ao soneto "Missiva" que me foi enviado por um poeta amigo do Brasil, Raymundo Salles.

 

Imagem retirada da WWW, via Google

 

19
Mar20

ARTIGO VIGÉSIMO PRIMEIRO

Maria João Brito de Sousa

JANGADA - António de Sousa, Alice Brito de Sousa.jpeg

ARTIGO VIGÉSIMO PRIMEIRO

*

 

Segue de vento em popa o nobre sonho

Dos amanhãs que anseiam por cantar

E disto, apenas disto, hoje disponho

Para, estando acordada, inda sonhar.

*

 

A cada um dos dias que transponho,

Oiço uma voz de fundo a anunciar

Os (e)feitos de um vírus tão medonho

Que nem o povo o pode erradicar.

*

 

Assim, está posta em causa a liberdade;

Por cada passo dado na cidade,

Terão de dar-se contas. Tudo é novo

*

 

E ninguém sabe nada. Ninguém sabe

Se se irá resistir à mortandade,

Se sobrevive, ou  não, a voz de um povo.

 

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 19.03.2020 – 10.32h

04
Mar20

ABRE OS BRAÇOS À VIDA!

Maria João Brito de Sousa

Pablo-Picasso-Blue-Nude.jpg

 

 

 

ABRE OS BRAÇOS À VIDA

 

*

Abre os braços à vida, besta louca,

Besta da forte chama que arde em mim,

Consegue-me mais tempo antes do fim

Daquilo que sei ser; humana e pouca!

 

*

Devolve-me a revolta em mar convulso,

Envolve-me em calor, em força ardente,

Firma na minha mão, neste meu pulso,

Glórias, como se fosse antigamente!

 

*

Hera, não mais serei, evoco Marte,

Irei buscar Neptuno às profundezas,

Já que a Terra ameaça em toda a parte,

Kafkiana de inocência e de certezas.

 

*

Lacónico, este chão que piso e que amo,

Mede-me a cada passo que não dei,

Nenhum tempo concede ao que reclamo,

Oprime ao repetir-me o que já sei.

 

*

Passado não me falta. Só futuro.

Qual futuro?, pergunta-me a razão

Rindo de mim, do nada que procuro;

Sombras de mim, da antiga dimensão...

 

*

Tomba um entardecer como os demais,

Urdo, eu, um novo sonho amanhecendo,

Vibra ainda uma corda, um eco, uns ais

Wagnerianos, frágeis no crescendo,

*

Xaroposos, venais, enjoativos...

Yolo!, * grita-me o mar ao descobrir-me,

Zero!, mostra-me a Terra, que é dos vivos.

*

 

 

Maria João  Brito de Sousa – 04.03.2020 – 14.29h

 

*

  • Yolo – sigla internacionalmente reconhecida que
  •  
  • significa “You only live once” – Só se vive uma vez
  • *
  •  

Inspirado pelos poemas "Quadro Para a Vida", de Joaquim Sustelo, e no "Zelo Ansiosa Por Cada Olhar Teu", de MEA - Maria da Encarnação Alexandre. 

 

Tela- "NU AZUL" de Pablo Picasso

03
Mar20

COISAS COMUNS

Maria João Brito de Sousa

A Ansiedade - Munch, 1894 (2).jpg

COISAS COMUNS

*

 

As coisas mais comuns, mais pequeninas,

Tornam-se ameaçadoras, gigantescas,

E roem-te por dentro e escavam minas

Cada vez mais profundas, mais dantescas.

*

Pensavas dominá-las? Não dominas;

Tentas matá-las e renascem frescas

Do espectro das vitórias que imaginas,

Mais brutais, mais cruéis e mais grotescas.

*

 

Se eu pudesse escrever como escrevia

Quando olhos e razão me eram senhores,

Delas, decerto, conta nem daria,

*

Mas  não sei se virão dias melhores,

Nem se as coisas comuns do dia-a-dia

Um dia deixarão de ser só dores.

*

 

Maria João Brito de Sousa –  08.39h - 03.93.2020h

*

 

Imagem - "A Ansiedade", Edvard Munch, 1894

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