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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
31
Mai19

AO BEIJO DA "SENHORA DA GADANHA"

Maria João Brito de Sousa

SENHORA DA GADANHA.jpg

AO BEIJO DA “SENHORA DA GADANHA”

 

*

 

Não, me distraio, não, só recupero

Do beijo da “senhora da gadanha”,

Mas não cedo um instante ao desespero

Nem a ela me entrego, se me apanha.

*

 

Quisera fazer mais, porém sincero

Será quanto produza, embora estranha

E lenta na palavra em que me esmero,

Pareça enquanto a morte me acompanha.

 

*

 

Faltam-me os olhos, falham-me os sentidos,

Esfumam-se-me entre atalhos já esquecidos

Palavras que julguei serem legíveis

*

 

Mas outros há que estando já perdidos

Ainda assim resistem, quando unidos,

A provações mais cruas, mais temíveis.

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 30.05.2019 – 16.34h

 

 

 

30
Mai19

SILÊNCIO BRANCO

Maria João Brito de Sousa

SILENCIO BRANCO.jpg

SILÊNCIO BRANCO

 

*

Quando um branco silêncio estende as asas

Sobre esta nossa imensa pequenez

Ou entra subreptício em nossas casas

Sem dar a conhecer os seus porquês

 

*

 

E tendo a dimensão das ondas rasas

Inteiro te fascina mal o vês,

Pois deixas que a mudez inunde as vazas

Desse pouco em que crês que não descrês,

*

 

 

Do branco espanto nasce a melodia

E, em torno dela, o mais se silencia...

Proteste quem julgar que aqui divago

 

*

 

Ou que afirmo o que nunca afirmaria

A quem possa entender que nada cria

A partir da mudez de um branco lago.

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 30.05.2019 – 08.30h

 

 

 

A Jack London

 

Imagem retirada daqui

 

29
Mai19

SONETO TARDIO II

Maria João Brito de Sousa

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SONETO TARDIO II

 

*

 

Tivesse eu garra(s) como tinha dantes,

Criasse eu asas com que me elevasse

E, ganhasse a miséria que ganhasse,

Voltaria a ser rica por instantes

*

 

Pois, inda que chovessem diamantes,

Disso desdenharia. Se eu voasse

Com asas que de novo conquistasse

A sonhos cada dia mais distantes,

 

*

 

Não mais este penar me esmagaria

E a suspeição de em tudo vos pesar

Com certeza de mim se afastaria

 

*

 

Para, num golpe de asa, dar lugar

À alegria de ser como seria,

Tão só me soubesse eu redesenhar.

 

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 29.05.2019 – 20.17h

 

 

 

21
Mai19

SONETO TARDIO

Maria João Brito de Sousa

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SONETO TARDIO

 

*

Mergulhei no sonho das alegorias

Já que de energias e sons me componho,

E o tempo é risonho se der garantias

De enfrentar fobias sem medo ao medonho.

*

 

Hoje pressuponho que, ao longo dos dias,

Só de horas vazias agora disponho...

Que mais me proponho quando, horas tardias,

Em vez de harmonias, encontro bisonho

*

 

Um tempo a que oponho sons e melodias?

Sim, houve avarias, mas não me envergonho

Das coisas que sonho. Se roubas fatias

*

 

Dessas fantasias de sol e medronho,

Depressa reponho quantas me desvias

Pois nas sombras frias me adentro e me exponho.

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 21.05.2019 – 21.16h

 

 

Imagem retirada daqui

13
Mai19

O COMBÓIO DAS MINHAS MEMÓRIAS

Maria João Brito de Sousa

O COMBOIO DAS MINHAS MEMÓRIAS.jpg

O COMBÓIO DAS MINHAS MEMÓRIAS

*



Que importa onde o combóio se passeie,

Se é tão belo o local, tão vasto o rio,

Tão alta a ponte que faz do vazio

Caminho certo ao qual ninguém receie?

*

 

Não havendo desastre que o refreie,

Prossegue, este combóio, o desafio

De enfrentar, no Inverno, neve e frio,

No Verão, todo o calor que o incendeie.

*

 

No ventre, leva gente alvoroçada,

Gente que fala e gente tão calada

Que mais parece feita de madeira.

*

 

Adeus combóio das pequenas glórias,

Adeus viagens que hoje são memórias

De quem se queda imóvel na cadeira.

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 06.05.2019 – 10.15 h

 

 

Nota - Soneto criado para um desafio de textos poéticos proposto pela administração do site  Horizontes da Poesia.

 

04
Mai19

VIVER CALANDO A VIDA

Maria João Brito de Sousa

A TRANIA DO GOSTO.jpg

VIVER CALANDO A VIDA

*

 

 

Nasceu quente, este Maio, mas eu gelo

Privada de sentir garra e paixão...

As coisas que me nega um coração

Não maior do que um punho ou que um novelo!

 

*

 

A mim, que o (des)cuidei com tal desvelo

Que, às vezes, mais lhe quis do que à razão

E que, a ela, a deixei sem protecção

Para ceder ao seu mais louco apelo,

*

 

Nega-me agora a voz franca e sem medo,

Cala a palavra livre e destemida...

E eu mais uma vez me calo e cedo

*

 

À sua prepotência desmedida;

Para que pulse, fico no degredo

De nem sequer poder cantar a vida.

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 04.05.2019 – 15.33h

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