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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
15
Nov18

1969

Maria João Brito de Sousa

1969 - sismo.jpg

1969

 

Ao tremor de terra assinalado

Na ocidental praia lusitana,

Cujo epicentro o mar trouxe agitado

E tanta gente fez sair da cama

*

Uns sem vestido, muitos sem calçado,

E outros que até foram de pijama

Para a rua, fugindo ao sismo irado

Mais do que prometia a força humana,

*

 

E, sob intensa chuva, se arriscaram

A sucumbir às gripes que apanharam,

Eu canto e espalharei por toda a parte

*

 

Que a natureza em fúria, a “desancar”,

Bem mais sinistra foi que Salazar,

Por muito que pr´algoz lhe sobrasse arte.

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 28.02.1969

*

 

 

 

(Escrito no dia do grande sismo, aos quinze anos.

Primeira tentativa de soneto - e última até Abril de 2007 - ainda com versos eneassilábicos misturados com decassilábicos heróicos)

 

 

Imagem retirada daqui

14
Nov18

ENTRA MOSCA, OU SAI ASNEIRA...

Maria João Brito de Sousa

VAREJEIRA.jpg

ENTRA MOSCA OU SAI ASNEIRA

*

 

 

“Não entra mosca em boca bem fechada”

Sem duvidar que seja verdadeiro

Este paternalismo conselheiro,

Não obedeço a sorte assim ditada

*

 

 

E aceito esse risco, pois calada

Jamais irei ficar, a tempo inteiro,

Que me entra, olhos adentro, um nevoeiro

Capaz de me deixar, a mim, “moscada”.

*

 

 

Peço desculpa, caso saia asneira

Em vez de entrar a mosca varejeira

Que anuncia o prazer de uma visita...

*

 

 

Não aceito a mordaça por fronteira;

Nunca aprendi a ser de outra maneira

E, se tentar mudar, vou ver-me aflita.

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 14.11.2018 - 06.59h

13
Nov18

A CARAVANA

Maria João Brito de Sousa

CARAVANA - Honduras USA - 2018.jpeg

A CARAVANA

*

 

Passa uma caravana. É bem visível,

nessa agónica marcha, o desespero,

pois diz-me a caravana o que não quero

sequer sonhar que possa ser possível.

*

 

Deixa uma caravana o ponto zero

e vence, metro a metro, um chão sem nível

do espaço que faltar pra que, invencível,

alcance a meta. Em nada me supero

*

 

Se apenas a descrevo e sou sensível

à voz que vou ouvindo e que me esmero

por traduzir e por tornar audível.

*

 

Avisto ao longe um mar que considero

ser de gente temente e não temível

e ladra um cão que me olha, enquanto a espero.

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 13.11.2018 – 11.22h

 

 

Imagem retirada daqui. Ler por favor.

12
Nov18

TEIMEI...

Maria João Brito de Sousa

14140540_AUNGp.png

 

TEIMEI...

*

 

 

Dormi por vinte horas seguidas, ou quase,

que estou numa fase de eternas demoras...

Decerto deploras que tanto me arrase,

mas tenho por base restricções motoras

*

 

E, às aves canoras, nunca sei se as case

com versos de envase, com rimas, com escoras...

Senhores, senhoras, que ninguém me atrase;

esgotei-me, ou estou quase. Não vejo melhoras.

*

 

Teimo e teimarei em ser como fui

e disto se intui que hoje não cantarei

segundo a tal lei do compasso que flui

 

*

 

E se o ritmo rui, eu culpada serei...

Sabê-lo, bem sei; nunca um poema se frui

se se substitui só por teima. E teimei!

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 12.11.2018 – 09.37h

 

 

(Soneto em verso hendecassilábico com rima intercalada)

 

 

09
Nov18

HISTÓRIAS DE CASAS

Maria João Brito de Sousa

casa em ruinas 3.jpg

 

HISTÓRIAS DE CASAS

*

 

 

Não se alongasse tanto esta demora

do vento transformado em ventania

que açoita a velha casa já vazia

das lágrimas passadas, que não chora

*

 

 

E não se erguesse a chama que devora,

nem se infiltrasse o frio, que hoje arrepia,

a casa duraria e duraria

mais uma eternidade, a cada hora.

*

 

 

Contam histórias, as casas mais modestas,

quando as rajadas sopram pelas frestas

das janelas fechadas que estremecem

*

 

 

E, a cada sopro, um novo capítulo

Sugere, a quem lhes queira dar um título:

Bem mais são as casas do que o que parecem...

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 09.11.2018 – 10.48h

 

 

 

08
Nov18

REGISTO PONTUAL DE UM FUTURO NÃO TÃO IMPROVÁVEL QUANTO POSSA PARECER

Maria João Brito de Sousa

António Pedro Brito de Sousa.jpeg

 

REGISTO PONTUAL DE UM FUTURO NÃO TÃO IMPROVÁVEL

QUANTO POSSA PARECER

*

 

 

Lembrar-te-ás do tempo em que os humanos,

pensando por si mesmos, concebiam

esboços de coisas qu`inda nem sabiam

que haveriam de vir, passados anos?

*

 

 

Lembrar-te-ás dos seus convictos planos,

da prática do amor, quando o sentiam,

das complicadas vestes que os cobriam,

dos danos que causaram? Quantos danos...

*

 

 

Bem sei que pode ser que não te interesse,

mas terão sido os nossos ancestrais,

segundo se acredita. Reconhece

*

 

 

Que ficaste a saber um pouco mais

sobre a espécie já extinta, ao que parece,

que, em tempos, foi matriz dos nossos pais.

*

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 08.11.2018 – 11.42h

 

 

Fotografia de António Pedro Brito de Sousa

 

 

 

07
Nov18

PROCURO UM VERSO

Maria João Brito de Sousa

amizade.jpeg

 

PROCURO UM VERSO

*

 

 

“Procuro por um verso em qualquer canto”,

estranhando o verso não me vir chamar,

que as mais das vezes basta-me acordar

pra que um verso me acenda em puro espanto.

*

 

 

Hoje impõe-se a procura e, no entanto,

faz-se o verso difícil de encontrar,

talvez apenas pra me provocar,

talvez pra me deixar banhada em pranto...

*

 

 

Se não te encontro, por ti esperarei,

verso volúvel que te fazes caro,

mas não sabes metade do que eu sei,

*

 

 

Nem podes suspeitar deste meu faro

pr`achar, em quantos versos nem busquei,

um soneto completo, exacto e claro.

*





Maria João Brito de Sousa – 07.11.2018 – 11.28h

*





Soneto escrito a partir do verso inicial de um soneto homónimo, da autoria de MEA (Maria da Encarnação Alexandre)



 

05
Nov18

AINDA ALGUMAS PERGUNTAS AO DEUS DE ESPINOZA

Maria João Brito de Sousa

AO DEUS DE ESPINOZA.jpg

 

AINDA ALGUMAS PERGUNTAS AO DEUS DE ESPINOZA,

QUANDO RESPONDE; “Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno. “

*





Com Espinoza fala, o deus de Espinoza

Que debita em prosa razões que não cala...

Ambos fazem gala da “ratio” preciosa

E habilidosa que de ambos se exala

*



E quase os iguala. Justa e primorosa,

sem espinhos, qual rosa, cresce e não resvala...

É doce escutá-la. De tão amorosa,

Convence Espinoza a nem questioná-la,

*



Mas eu não entendo que as falas respondam

Aos justos que tombam sem ninguém estar vendo.

Respostas pretendo, daquelas que assombram

*



E que correspondam a quem, não podendo,

Nem escolha foi tendo. Que nada me escondam,

Porque estas, sim, sondam quem for respondendo.

*







Maria João Brito de Sousa – 05.11.2018 – 15.18h

*



(soneto em verso hendecassilábico com rima intercalada)

 

 

Fotografia retirada daqui



 

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