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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
30
Nov18

ATÉ SEMPRE!

Maria João Brito de Sousa

Até sempre.jpg

ATÉ SEMPRE!

*



Mortinhos andamos por saber das vidas

E lutas renhidas de servos e de amos,

Mas pouco ganhamos quando desmentidas

Ou mal repartidas nos diversos ramos,

*





Se as consideramos noções adquiridas;

Das coisas ouvidas, tudo partilhamos

E nem duvidamos. Se estão garantidas,

Quão mais repartidas, mais nos fascinamos.

*





Mas, hoje sem musa, que a musa fugiu,

Lembro Bento, o tio, e fico confusa...

A musa em recusa, pois Bento partiu

*



Concede-me um fio da malha inconclusa

Que em nada se acusa, mas faz um desvio;

Faz frio, tanto frio, que este “adeus” se me escusa.

*





Maria João Brito de Sousa – 30.11.2018 – 11.26h

*



Em singela homenagem ao poeta Bento Tiago Laneiro, mais conhecido por “tio Bento”, ontem falecido.



Até sempre, tio Bento!

 

 

 

Imagem retirada daqui

 

 

 

Oeiras 004 (2) - Tio Bento, Landa, Dulce, eu e Vit

Aqui , em Oeiras, na pastelaria Paris, há cerca de nove anos.

 

Da esquerda para a direita, Landa Machado, eu, Vitor Castanheira, Dulce Saldanha e Bento Tiago Laneiro (tio Bento)

 

Fotografia gentilmente cedida por Landa Machado.

29
Nov18

GRATIDÃO

Maria João Brito de Sousa

gratidão.jpg

GRATIDÃO

*



Estou grata à vida e grata aos homens justos

Que lutam pra que a vida justa seja,

Mas sei que um ideal tem grandes custos

Para quem lute e para quem proteja,

*



À custa de cansaços e de sustos,

Os ideais que em consciência eleja

Inda que surjam espinhos muito adustos

Na vida de quem luta e não corteja

*



A corja que envilece o nosso mundo,

A vã glória dos sacos sem ter fundo

E a perfídia dos grandes lambe-botas.

*



Estou grata, sim, aos homens e mulheres

Que enfrentam as mentiras dos poderes

E sempre vencem, mesmo nas derrotas.

*





Maria João Brito de Sousa – 29.11.2019

Portugal



Nota – Em resposta ao belíssimo soneto homónimo de Raymundo Salles, Brasil.

 

 

imagem retirada daqui

28
Nov18

A VERDADEIRA TIRANIA DO "GOSTO"

Maria João Brito de Sousa

A TRANIA DO GOSTO.jpg

A VERDADEIRA TIRANIA DO “GOSTO”

*



“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”,*

Muda-se a velha coisa em coisa nova

E, reparando bem, tudo comprova

Que há vidas que se trocam por saudades.



*

Transmutam-se as mentiras em verdades

Que muito poucos podem pôr à prova

E alugam-se os bilhetes para a cova

Segundo as modas e publicidades.

*



Mas caso assento houvesse ao qual subir

E abismo ao qual descer, do lado oposto,

Jamais o novo se faria ouvir,

*



Nunca a uva daria senão mosto

E ninguém poderia evoluir

Senão na mira de ter mais um gosto.

*



Maria João Brito de Sousa – 28.11.2018 – 13.55h

*



*Verso inicial de Luís Vaz de Camões

 

Imagem retirada daqui

27
Nov18

SEM LÁGRIMAS

Maria João Brito de Sousa

SEM LÁGRIMAS.jpg

SEM LÁGRIMAS

*

 

 

Sem lágrimas te deixo, que eu não choro!

Há quanto, quanto tempo se esgotaram

as abundantes gotas que deploro

nos inocentes olhos que as choraram?

*

 

 

Mas se te olho melhor, se me demoro

no lago em que os teus olhos se espelharam,

não juro que com eles não faça coro

lançando-me nas águas que o formaram.

*

 

 

Não, não te sei dizer qual a razão

desta minha assumida obstinação

em não chorar por mim. Por dor alheia,

*

 

 

Por essa, choro sempre! Para dentro...

Sem lágrimas, acendo o fogo lento

de um mar que esteja sempre em maré-cheia.

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 26.11.2018 – 14.30h

 

26
Nov18

SERVIDO EM PEQUENAS DOSES

Maria João Brito de Sousa

SERVIDO EM PEQUENAS DOSES.jpg

SERVIDO EM PEQUENAS DOSES

*

 

 

Por cada verso, um beijo, um boca-a-boca,

que sinto se esse verso me cativa

e de senti-lo assim ninguém me priva,

porque o beijo me of`rece um beijo em troca.

*

 

 

Se pouco harmonioso, mal me toca;

naufraga à beira-ouvido ou segue à deriva...

Ninguém espere que pare ou que conviva

com verso errante que em nada se foca.

*

 

 

Vasos comunicantes, simbioses,

raízes, ramos, frutos requintados...

Em tudo se transmutam nossas vozes

*

 

 

Assim que geram versos musicados

que só servidos em pequenas doses

por todos devem ser saboreados.

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 26.11.2018 – 13.08h

 

Imagem - "O Beijo" - Gustav Klimt

 

25
Nov18

DA EVOLUÇÃO DA LINGUAGEM E DA ESCRITA

Maria João Brito de Sousa

Cuneiforme02.jpg

DA EVOLUÇÃO DA LINGUAGEM E DA ESCRITA

*



Mais, muito mais que pr`alindar poemas,

Serve ao humano a interpretação

Da escrita em sua eterna evolução

Nos diversos gradientes dos seus temas.

*



É certo que nos traz alguns problemas

A não literalidade, a sugestão

Dos humanos anseios, da paixão

E até de outras questões menos extremas.

*



Ah, não tivesse a escrita evoluído

Passando a mais complexa e bem mais rica,

Que sonhos haveríamos perdido?

*



Quão mais complexa, quão melhor se explica

A escrita que por vezes eu pratico

E que a cada todos nos serve e gratifica.

*





Maria João Brito de Sousa – 25.11.2018 – 14.16h





24
Nov18

TANTO MAR...

Maria João Brito de Sousa

06_Bugio_Santo-Amaro_JM.jpg

TANTO MAR...

*



(Em verso dodecassilábico alexandrino)

*

 

 

Amei, quando era tempo, o ramo em fruto e flor.

Agora é bem menor, mais fraco o meu talento,

Bem menos turbulento e atenuado em cor,

Mas é ainda amor quanto hoje represento.

*



De quando tudo enfrento ao rir-me face à dor,

Renego-lhe o pior. Com muito ou pouco alento,

Tiro do mau momento o que haja de melhor;

Irónico, o esplendor, e estranho, o seu sustento...

*



Assim será por fim quando a luz se apagar

E nem mesmo o luar eu veja sobre mim,

Que é mesmo só assim que agora devo amar

*



Sabendo cultivar, não rosas de jardim,

Mas ramos de alecrim, do tal que cruza o mar

Pra poder inspirar mundos que o são sem fim.

*

 

 



Maria João Brito de Sousa – 24.11.2018 – 14.47h





23
Nov18

VÔOS CRUZADOS EM SONETO ALEXANDRINO

Maria João Brito de Sousa

VOOS CRUZADOS.JPG

VÔOS CRUZADOS EM VERSO ALEXANDRINO

*





Voar, voar, voar, ainda que por dentro,

ainda que sem tento, ainda que a lembrar

as ondas do meu mar nos braços do meu vento

e os rasgos de talento a que eu puder chegar

*





E decompõe-se o ar do qual eu me sustento

em espasmos de ouro lento e raios de luar

que ficam a pairar num pasmo sonolento,

sonhador, mas atento a tudo o que encontrar

*





Bastava-lhe sorrir. Nada porém bastou

quando o olhar focou no que estava por vir,

mas sem o omitir, nunca o justificou.

*



Nesse dia acordou para não mais dormir

apesar de sentir o quanto lhe pesou

tudo o que ultrapassou pra não escolher fugir.

*





Maria João Brito de Sousa – 23.11.2018 – 05.35h

22
Nov18

VÔOS DE TODOS OS TEMPOS

Maria João Brito de Sousa

Voos.jpg

VÔOS DE TODOS OS TEMPOS

*





Analiso tudo. Se o não compreendo,

aos poucos aprendo, porque nada é mudo...

Sei que não me iludo quando assim vou sendo

pois não mais pretendo, daquilo a que aludo,

*





Do que este veludo que me vai enchendo

Assim que me prendo nas malhas de tudo...

Dispo-me, contudo, do que antes fui vendo

e bem mais me estendo se de mim sacudo

*





O tecido gasto das ideias feitas...

Coisas imperfeitas com que a mim me basto

põem-me no rasto, mesmo rarefeitas,

*





De estradas bem estreitas, céu nada nefasto

onde tudo é casto e as pedras eleitas

Estando insatisfeitas, já nem dão pró gasto.

*









Maria João Brito de Sousa – 22.11.2018 – 11.21h




Imagem retirada daqui

21
Nov18

SONETO ESCRITO NA CORDA BAMBA

Maria João Brito de Sousa

corda bamba.jpg

SONETO ESCRITO NA CORDA BAMBA

*



“Há uma corda bamba nos meus passos d`hoje”

que quase me foge, que oscila e descamba...

Grito-lhe: Caramba, não és chão que aloje,

chão a que se arroje senão cobra mamba!

*



Hoje, danço um samba que me não despoje

desse toca e foge que um tal chão mal lamba,

que o sapato camba quando a tal se arroje

em chão que se espoje mais do que muamba

*



E já que o não faço na realidade,

não só pela idade, mas por não ser de aço,

aguento o madraço com serenidade,

*



Testo a qualidade deste ambíguo espaço,

galgo passo a passo cada ambiguidade

e, em boa verdade, pouco mais eu faço...



*







Maria João Brito de Sousa – 21.11.2018 – 12.47h

*



Soneto escrito a partir do primeiro verso do poema PASSOS DE OUTONO, da autoria de Joaquim Sustelo.



Imagem retirada daqui




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