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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
16
Mai18

ÀS TRÊS PANCADAS - Ícaro revisitado no século XXI

Maria João Brito de Sousa

ÀS TRÊS PANCADAS.jpg

 

ÀS TRÊS PANCADAS





Desafiou o espaço. Abriu as asas

E sentiu-se voar, voar, voar...

Olhou em derredor por sobre as casas

Buscando um galho, um ramo onde pousar.



Queimava o sol, no alto, como brasas,

E o vento, que soprava a bom soprar,

Desvirtuou-lhe alturas, que viu rasas

Apesar do seu rumo se afastar



Cada vez mais e mais das tais ramadas

Sobre as quais (re)pousar, de asas fechadas,

E o quente sopro, que o alienava,



Haver-lhe distorcido as coordenadas

Ao ponto de enviá-lo, às três pancadas,

Pra lonjuras das quais ninguém voltava.







Maria João Brito de Sousa – 16.05.2018 – 13.03h







 

15
Mai18

MENTE DESCONTÍNUA

Maria João Brito de Sousa

MENTE DESCONTÍNUA.jpg

 

MENTE DESCONTÍNUA

(segundo R. Dawkins)



Ó Mente Descontínua, enquanto pensas

Nos pequenos padrões por que te guias,

Atenta no que perdes, olha as densas

Nuvens cinzentas que tu própria crias!



Razões pra desdizer-te, são imensas;

Não são poucas as mentes que desvias

E que submetes às razões pretensas

Das tuas caprichosas tiranias.



Repara como o tempo te reduz,

Como à contradição te leva a luz,

Enquanto quase nada andaste em frente,



Porquanto procuraste, salto a salto,

Encontrar a firmeza do asfalto

Na fluidez de um fio de água corrente.





Maria João Brito de Sousa – 14.05.2018 – 19.14h







Não se pode conhecer bem uma árvore sem ter abarcado primeiro a floresta inteira, essa, a que não é apenas um somatório de árvores e sim esse somatório potenciado e condicionado pelas suas próprias interacções. - Eu







 

14
Mai18

AMOR E DOR - Epílogo

Maria João Brito de Sousa

AMOR E DOR - Edvard Münch.jpg

 



AMOR E DOR - Epílogo



Pra rematar a saga, Amor consente

Tomar a Dor por esposa e companheira.

Amor, que nunca foi muito prudente,

Não sabe o que é passar a vida inteira



Lado a lado com Dor, que impenitente,

Inflige a Amor insónias e canseira.

Amor está cego e a Dor, sendo inocente,

Nem pode pressupor ter feito asneira.



Deu-se este enlace em tempos tão remotos

Que nem posso evocar que estranhos votos

Uniram para sempre este casal,



Mas garanto que afirmam ser felizes,

Que deram fruto, tiveram petizes

E se amam. Para o bem e para o mal!







Maria João Brito de Sousa – 14.05.2018 – 11.15h

 

 

Imagem - AMOR E DOR, Edvard Münch

 

13
Mai18

AMOR E DOR II

Maria João Brito de Sousa

Amor-e-dor na vida real.jpg

 

AMOR E DOR II



Amor e Dor, brincando se entre-chocam

E se enredam num fio que acaba em nó.

Até então, Amor vivera só

E, a Dor, lá nas lonjuras que se evocam.



Moram juntos agora e, mal se tocam,

Sentem um pelo outro um mesmo dó;

Amor, que era imortal, desfaz-se em pó

E a Dor sucumbe à dor que os nós provocam.



Nesta paradoxal (des)união,

Sente Amor, pela Dor, tal compaixão,

Que cega, pra não vê-la sucumbir



E a Dor, que vendo Amor, o julga são,

Mais se enreda nos nós, mais sem perdão

Se obriga a não deixar Amor partir.





Maria João Brito de Sousa – 13.05.2018 – 09.27h





 

11
Mai18

DO SONETO II

Maria João Brito de Sousa

DO SONETO II.jpg

 



 



DO SONETO II



Vai desde o Dó maior ao Si menor,

Este sonetozinho que componho

Das fragrâncias de abrunho e de medronho

Que entendo que me pedem prás compor



Em pequeninas pétalas de flor,

Nas vasilhas de barro em que me sonho,

No tempo – do qual pouco já disponho -,

No espaço, vá o espaço aonde for.



Não finge. Nada inventa. Nunca mente.

Irrompe, com a força da semente,

Do chão de pedras de onde ousou brotar



E, quando irrompe, emerge tão contente

Que se apressa a dizer tudo o que sente

Sobre tudo o que alguém saiba escutar.

 



Maria João Brito de Sousa – 11.05.2018 – 15.15h

 

 

10
Mai18

AMOR E DOR NAS FALDAS DO ARARATE

Maria João Brito de Sousa

ARARATE.jpg

 

AMOR E DOR NAS FALDAS DO ARARATE



Chegando ao Ararate, Amor e Dor,

Sentaram-se, cansados da jornada.

Olhando o Monte, a Dor ficou sarada

E, de contente, quis curar Amor;



Repara, Amor, que estava bem pior

Antes de iniciar a caminhada,

Que, olhando o Monte, foi-se-me a pontada,

Que sinto despontar força e vigor!



Vem ver, para que o mal nunca te chegue,

Para que a dor, ao ver-te, se te negue,

E não haja doença que te mate!



Ouviu-a, Amor. Olhou. Perdeu-se olhando.

Voltou sozinha a Dor, de dor chorando

Por perder-se de Amor nesse Ararate.





Maria João Brito de Sousa – 10.05.2018 – 18.46h

 

10
Mai18

MOAXAHA AO PÃO

Maria João Brito de Sousa

Pablo-Picasso-The-bread-carrier.JPG

 

MOAXAHA III



AO PÃO



Há quem cozinhe o pão da sua ceia

Na brasa incandescente de uma ideia.



Por vezes, nada, nada nos sacia

Esta fome, esta sede, esta agonia,

Este desassossego, esta avaria

Que, ao consumir-nos, sempre se acrescenta

Ao verso cuja massa em nós fermenta.



Outras vezes, ficamos em pousio

A levedar um pão bem mais tardio.

Sem brasas. Só tições no forno frio

E um nada, um quase nada que alimenta

Quanta razão de um nada se sustenta.



“Não tem asas

a vitória terrestre:

tem pão sobre os seus ombros,

e voa corajosa

libertando a terra

como uma padeira

levada pelo vento.”



Citando Pablo Neruda in “ODE AO PÃO”







Maria João Brito de Sousa – 09.05.2018 – 13.40h





Imagem - The Bread Carrier - Pablo Picasso

 

09
Mai18

DO SONETO

Maria João Brito de Sousa

clave.jpg

 

DO SONETO





A Rima empunha enxadas e resiste!

Premindo teclas sem hesitação

Percorre o Tempo de palavra em riste;

Que ninguém tente impor-lhe a rendição!



Pode trazer consigo um verso triste

Para juntá-lo ao viço da canção

Que canta quem não cala, nem desiste

De fazer de um soneto uma missão,



Ou pode estar escondida, ensimesmada,

Em gestação latente e bem calada

Até que, de repente, brota e jorra



Como se fosse, a espera, premiada

E, quando já madura e fermentada,

Desse vida ao Soneto, antes que morra.





Maria João Brito de Sousa – 09.05.2018 – 11.20h

 

08
Mai18

O IMPÉRIO DO SONHO E DA RAZÃO

Maria João Brito de Sousa

ROSCHACH.jpg

 

Sei lá se olhando a Lua vi pegadas...

Fazer Roschach? Não, não me apetece!

Mas sei que há mentes muito atribuladas

Vendo padrões em tudo o que parece



Ser semelhante a coisas procuradas

Que o olho focaliza e reconhece

Como outras coisas já padronizadas

E usadas em padrões que esse olho tece...



Sobram-me – ainda...- algum discernimento

E aquela rapidez de entendimento

Que bastam pra saber dizer que NÃO



Se a Fantasia, prima do Talento,

Me concedesse as honras de um portento

Do Império do Sonho e da Razão.







Maria João Brito de Sousa – 08.05.2018 – 18.01h

 

 

NOTA – Delegando hipotéticos cargos, já que não posso delegar dores reais...

 

07
Mai18

FRACTAIS

Maria João Brito de Sousa

FRACTAIS.jpg

 

FRACTAIS



Não houve sol, nem lua, que se amassem

Mais do que eu vos amei, do que amo ainda,

Mas por muito que alguns me aliciassem,

Sei muito bem quando não sou bem-vinda



E nunca deixaria que me usassem

Sem me entenderem, dando por já finda

A lucidez que tive. Ah, se sonhassem

As vias que a minha alma inda deslinda!



Por vales, por planaltos, por montanhas,

Por terras tão longínquas quanto estranhas,

Me embrenho a cada dia mais e mais



No desbravar de matas e de manhas

Que nunca terão fim. Estas entranhas

Transportam-me às lonjuras dos fractais!







Maria João Brito de Sousa – 07.05.2018 – 12.07h







 

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