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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
30
Dez17

BOM ANO, BOM ANO!

Maria João Brito de Sousa

coração.jpg

 

BOM ANO, BOM ANO!
*

Bom ano, bom ano!, por tudo e por nada,
sorrindo encantada desejo um bom ano,
melhor, mais humano porque desvendada
a rota enganada do meu desengano...
*

Bom ano, bom ano! Que o seja à chegada
da noite marcada por todo este plano
que sempre é sob`rano e, nos mapas traçada,
vem bem orquestrada por mão de tirano...
*

Bom ano pr`a vós e também para mim!
Que belo festim, o dos dias por vir,
noites pr`a dormir e manhãs sem ter fim...
*

Será mesmo assim, ou terei de admitir,
que o quero é sentir e só digo que sim
pra “noutro latim” não ter de o desmentir?


*

 

Maria João Brito de Sousa- 30.12.2017 – 12.23h

 

 

(Soneto em verso hendecassilábico e rima encadeada)

 

 

NOTA - O bom ano que vos desejo é do fundo do coração!!! Este soneto é que é para ser lido e pensado em termos mais latos. Peço desculpa por vos tentar fazer pensar um pouco mais profundamente, numa data tão festiva...

29
Dez17

... E QUE O DIA NASÇA!

Maria João Brito de Sousa

Nascer-do-Sol.jpg

 

… E QUE O DIA NASÇA!

 

 

(Soneto em verso hendecassilábico e rima intercalada)

 

 

… e que nasça o dia depressa e sorrindo,

Que é sempre bem-vindo quem saiba sorrir

E enquanto eu dormir não sei quem vem vindo,

Se é feio, ou se é lindo... só sei quando o vir.

 

Virá pr`a se abrir, ou virá se cobrindo

De um cúmulo-nimbo que o tenta encobrir?

Não sei descobrir que manto o vai vestindo,

Mas nunca prescindo de o querer pressentir

 

Antes da surpresa que chega ao romper

Do que me couber desse dia nascendo

No suave crescendo de um amanhecer...

 

Escolha o que escolher, estou sobrevivendo

E sei que os vou tendo sem mais pretender

Que um dia a nascer de uma noite morrendo...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 29.12.2018 -15.29h

 

 

28
Dez17

DEIXAI QUE A NOITE ENTRE...

Maria João Brito de Sousa

F133-a-Erthe morisot-berceau.jpg

 

 

(Soneto em verso hendecassilábico e rima intercalada)

 

***

 

Deixai que a noite entre, que eu morro de sono

E em doce abandono me entrego a Morfeu,

Que, tal como eu, nunca ousou ser meu dono,

Só dono do sono que me adormeceu

 

 

Num berço só meu, neste suave abandono...

Se abuso e ressono, que o faça só eu

Na noite de breu em que ao dia me abono

Se embarco sem dono, sem sonhos, sem véu,

 

Nem medo escusado das coisas do escuro;

Não sei que futuro, mas trago um passado

E ao que houve de errado tornei já seguro

 

Pois, saltando o muro, deixei-o de lado,

Perdido, olvidado. Amigos, vos juro

Que o meu sono é puro, nunca amargurado...

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 28.12.2017 – 13.59h

 

 

 

Na sequência do soneto “Deixai que a Noite Entre!” de Maria da Encarnação Alexandre (MEA)

 

Imagem -"Le Berceau", Berthe Morrisot

 

22
Dez17

CONVERSANDO COM HELENA TERESA RUAS REIS

Maria João Brito de Sousa

Paz.jpg

 


CONVERSANDO COM HELENA TERESA RUAS REIS

 

 

"De primaveras mesmo sendo Inverno",

De um Verbo novo e sempre mais eterno

Por cada nascituro abrindo a vida,

Dar novo olhar à dor que foi vencida.

 

Natal feliz: um mundo p'ra o que sofre.

Abaixo os sons do mal e o cheiro a enxofre!

Renove-se p'la paz todo o terror

Co'a Bíblia ou o Corão chamado Amor.

 

O sono de Jesus nos dê sossego

Num berço onde a miséria enobrece

E humildes nos curvamos numa prece.

 

Fruto terno e raiz a que me apego...

Ó inverno em Natal nossa esperança,

Quimera que nasceu doce criança!  

 

 

 

Helena Teresa Ruas Reis

 

*********

 

"Quimera que nasceu doce criança"

E a todas as crianças representa

Fazendo, do Natal, terna mudança

Que a todos nos enlaça e nos sustenta...

 

Calem-se, então, os loucos da matança

Cuja riqueza, injusta e opulenta,

Nos torna a vida dura e sem parança

E sempre sacrifica alguém que tenta

 

Contra a ganância impor-se e dizer; Não!

Que nunca, nunca mais se nasça em vão,

Que nunca mais se sofram agonias,

 

Que se unam sempre o Amor e a Razão,

Pois cada um de nós tem por missão

Construir um Natal todos os dias!

 

 

Maria João Brito de Sousa – 22.12.2017

 

 

21
Dez17

CONVERSANDO COM CARMO VASCONCELOS

Maria João Brito de Sousa

DE TOMBO EM TOMBO....jpg

 

 

MEU LUGAR



Carmo Vasconcelos



O meu lugar cativo está no Além,

que este daqui, por marco provisório,

tem seu tempo marcado, transitório,

é morada perpétua de ninguém.



Estamos de passagem, mas porém,

não é caminho vão, de todo inglório,

pois se revela p'ra alma sanatório

de erros passados - carma que detém.



Na breve estada cabe-nos saldar

o "deve" e "haver" de vidas mal vividas

na displicência própria dos infantes;



sair da senda dos ignorantes,

crescer na luz das chances concedidas,

p'ra ganharmos, enfim, "nosso lugar".



Carmo Vasconcelos



DE TOMBO EM TOMBO ATÉ SE DESFAZER



Seja Depois o meu lugar cativo,

que no Tempo o concebo e não no Espaço

onde inteira me entrego ao tempo escasso

de amigos e poetas com quem privo.



Também estou de passagem... se hoje vivo,

nunca sei se amanhã se solta o laço,

mas enquanto te encontro, a ti me abraço,

poema que me tentas, louco e esquivo...



No “deve” e no “haver”, fico a perder;

devo mais do que dou, dando-me inteira

de corpo e alma e mais do que o possível,



Mas foi-me agreste a sorte que, insensível,

transmutou rocha em seixo de ribeira

que tomba e rola até se desfazer...





Maria João Brito de Sousa – 29.12.2017 – 11.10h

 

20
Dez17

CONVERSANDO COM REGINA COELI

Maria João Brito de Sousa

piuiiiiii.jpg

 

    SAUDADE DO PIUÍÍÍ

 

Regina Coeli

 

Lá longe, onde o passado jaz perdido,

Sempre via um alegre trem passar;

Deixava som saudoso ao meu ouvido,

Um gostoso "piuííí" solto no ar...

 

A criançada, olhar embevecido,

Aplaudia o trenzinho em seu cantar,

"Piuííí, Piuííí!", um eco repetido

Até sumir sua imagem devagar...

 

No relembrar de dias tão distantes

Fica-me uma tristeza acre e sem fim:

Jamais verei "piuííís" como vi antes...

 

Um trem desliza e corre pelo chão,

Circula e encanta todos, não a mim,

Porque não traz "piuííí” ao coração...

 

Regina Coeli

 

Brasil

 

 

 

MEMÓRIAS DO “POUCA-TERRA, POUCA-TERRA”

 

 

 

Não houve “piuííís” no meu Dafundo,

Mas houve um “pouca-terra, pouca-terra”

Que enchia todo o meu pequeno mundo

Das fantasias que outro mundo encerra...

 

Passa agora um combóio, longe, ao fundo,

Mais distante e tão rápido que enterra

Ao passar bem veloz, num só segundo,

Sessenta e cinco anos, quando berra

 

Sobre os carris de ferro que devora...

Ao velho “pouca-terra” evoco em vão;

Não é tristeza, não, que essa não mora

 

No mais profundo do meu coração...

A menina cresceu, sofreu... não chora,

Mas ama ainda como amava então...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa -19.12.2017 – 18.28h

 

Portugal

 

19
Dez17

SONETO-RESPOSTA A JOAQUIM SUSTELO E MEA

Maria João Brito de Sousa

Eu, no almoço do HP Casa de Lafões, 2017.jpg

 

"E nasce outro dia de sonhos, de esp`rança"

Desta gasta noite de desilusões

Que vence o cansaço, que traz a bonança

Que à beira do  palco conduz multidões...

 

Cantemos que o mundo ainda é criança!

Crianças, nós todos, rumando às paixões

Que o soneto acende... e enceta-se a dança

Que o cria e partilha sem mais concessões!

 

Vai ficando escuro... do escuro da sala,

Um verso que nasce espontâneo se exala

Das pontas dos dedos, geladas, geladas...

 

Conversas que passam, mas nada nos cala;

Se um verso nos chama, passemos à fala

Que ao escuro da sala nos trouxe as chamadas.

 

 

Maria João Brito de Sousa - 19.12.2017 

 

 

NOTA - O primeiro verso - entre aspas - é da autoria do poeta Joaquim Sustelo

17
Dez17

SEGUINDO UM DESAFIO DO POETA JOAQUIM SUSTELO - AQUECE-ME A ALMA

Maria João Brito de Sousa

barca naufragada.jpg

 

AQUECE-ME A ALMA II



Aquece-me a alma, que a trago gelada

E há coisas de nada que a deixam quentinha;

Uma palavrinha bem intencionada,

Lhe basta, coitada, que está tão velhinha



Esta barca minha já desmantelada,

Em terra encalhada, mas do mar vizinha

Que nada adivinha e que sonha calada

Com onda exaltada, sendo ribeirinha...



Aquece-me a alma! Quero navegar

Nas ondas do mar e nas rotas do sal!

Talvez faça mal, mas o meu lugar



É onde eu chegar, não só o areal

Onde Portugal parou para sonhar...

Aquece-me, Mar, porque hoje é Natal!





Maria João Brito de Sousa – 17.12.2017 – 11.12h

 

In horizontesdapoesia.ning.com



 

 

16
Dez17

SEM GARANTIAS

Maria João Brito de Sousa

ampulheta.jpg

 

Concedo aos meus poemas, quando os faço,

mui garantidamente ousar tecê-los

como se foram fios de mil novelos

que tivessem tombado em meu regaço.



Cedo-me inteira, embora sendo escasso

o tempo em que o meu colo irá sustê-los,

mas... outras garantias, outros zelos,

não posso conceder-lhos neste espaço



Em que ao tecê-los me encho de cansaço,

e de saudades me encho ao não escrevê-los...

Tão pouco posso e tanto quero erguê-los,



Que me escapam novelos. Solto o laço?

Prendo-me a cada fio, traço por traço,

e, mesmo exausta, volto a concebê-los?

 

 



Maria João Brito de Sousa – 16.12.2017 -09.27h

 

 

Oeiras, Portugal

 

14
Dez17

CONVERSANDO COM ALDA PEREIRA PINTO

Maria João Brito de Sousa

ENCONTRO CASUAL.jpg

 

 

SONATINA XII (do livro "Treva Branca")





É bom que eu viva ao léu, pois me acostumo

à solidão que assusta a quem não crê,

pois se de algum receio eu sou mercê,

passeio, canto e ando, rio e fumo.



Num certo dia que virá, presumo,

não tendo amigos nem sequer você,

talvez que eu me lamente, só porque

a sorte não nos pôs no mesmo rumo.



E, se ao chegar a hora em que se apaga

a luz da vida, uma saudade vaga

quiser velar na minha soledade,



ouvidos não darei ao seu alento,

porque saudade é sempre sofrimento

por mais que seja alegre uma saudade.



Alda Pereira Pinto



Brasil



Soneto recolhido no blogue “O Secular Soneto”

 

 

**********





ENCONTRO CASUAL DE DUAS SOLISTAS

 

 


Não passeio, nem canto. Escrevo e fumo

enquanto grafo um verso... talvez dois...

outros doze, a jorrar, virão depois

completar-me o soneto em que me assumo

 

Reflexo de um poema – ou seu resumo... -

nos estilhaços em que o desconstróis,

honesto, firme, não sonhando heróis,

de ti colhendo o fruto. A polpa. O sumo.

 

Vi-te por mero acaso. Este soneto

foi o ponto de encontro, o mar secreto

onde já de partida eu navegava

 

Quando te vi passar rebelde, agreste...

Olhei-te fixamente, mas nem deste

por mim, que estranhamente em ti me olhava.

 

 

Maria João Brito de Sousa – 14.12.2017 – 09.00h

 

Portugal

 

 

 

 

 

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