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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
31
Out17

VELHAS MEMÓRIAS - A Dois Tempos

Maria João Brito de Sousa

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(Soneto em verso hendecassilábico e rima encadeada)

 

 

Acendi-vos velas de vários tamanhos,

Depois, entre estranhos, cantei para vós

Com sonhos na voz. Preparei-vos banhos,

Limpei-vos os ranhos, desatei-vos nós,

 

Falei-vos de avós de costumes antanhos;

Corpetes castanhos, saiotes de cós,

Compondo totós nas cabeças. Que estranhos! 

Lembravam rebanhos, seus brancos totós...

 

De laços branquinhos de seda, ou cambraia,

Correndo na praia, traçando caminhos,

Explorando cantinhos. Quer caia ou não caia,

 

Já trepa, a catraia... qual quê? Pergaminhos?

Não os há nos ninhos do topo da faia...

(e abraça-se a Gaia nos galhos fininhos)

 

 

 

Maria João Brito de Sousa . 31.10.2017 – 15.40h

30
Out17

RESPONDENDO A UM SONETO DE ALBERTINO GALVÃO, QUE CONVERSAVA COM UM SONETO DE MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE, QUE, POR SUA VEZ, DIALOGAVA COM UM SONETO DE JOAQUIM SUSTELO

Maria João Brito de Sousa

CONVERSAS.jpg

 

(Soneto em verso hendecassilábico e rima intercalada)

 

 

 

Já estás perdoado, mas sempre te digo

Que amante ou amigo não deixo de lado;

Cometes pecado? Prometo castigo,

Mas esqueço e prossigo... já estás perdoado!



Só peço cuidado, de resto... nem ligo

E apenas consigo dar-te outro recado,

Este, mais pensado, pr`a nunca haver pr`igo

De, estando eu contigo, ser logo olvidado;



Sou, tal como tu, tenho veias com sangue

E se fico exangue partirei de vez...

Depois, não me vês, nem me afagas no mangue,



Pois carne sem sangue nunca aceita arnês,

Tem os seus porquês e tão pronto se zangue,

Esconde-se no mangue, perde a languidez...





Maria João Brito de Sousa -30.10.2017 – 11.35h

 

 

26
Out17

LÚCIDA(MENTE)

Maria João Brito de Sousa

WIN_20171003_115820.JPG

 

 

(Soneto em decassilabo heróico)

 

Vê o meu belo ventre, hoje rasgado

Pelo cru bisturi... este destroço

Do que, dizes, podias ter amado

Quando era firme, fértil, liso e moço...

 

Olha o cabelo cinza, inda ondulado,

Mas cada vez mais branco e, troço a troço,

Este corpo doente e já cansado

Ao qual ofereceste um lauto almoço

 

E os livros que eu fui lendo avidamente

Com olhos tanto sábios, quanto estetas,

E a lucidez que falta a tanta gente...

 

Mas repito-te; vê mais claramente,

E podes confessar - nada me afectas... -

Que nada vês de belo, no presente.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 10.07.2016 - 19.41h

23
Out17

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE - LUAS...

Maria João Brito de Sousa

Le Berceau - Berthe Morisot.jpg

 

NA PENUMBRA PINTADA PELA LUA

 

 

É teu corpo um soneto que imagino

Que escrevo tantas vezes e, adormeço

No verso que o percorre peregrino

Por curvas e caminhos que conheço

 

Outros versos me levam ao destino

Quando as horas me acordam e te peço

Que completes um tal verso ladino

E dês ao meu poema recomeço

 

Na penumbra pintada pela lua

Crescem versos da rima quente e nua

Que fazem a beleza dessa escrita

 

Sem haver da manhã sequer vislumbre

Declamo cada verso com deslumbre

Quando de mim se abeiram em visita

 

 

MEA

23/10/2017

 

************

 

NUM RECANTO QUALQUER DO MEU PASSADO

 

 

“É teu corpo um soneto que imagino”

Recolhido num berço, eternizado

Pela minha memória, meu menino,

Num recanto qualquer do meu passado.

 

“Outros versos me levam ao destino”

Desse bercinho em mim cristalizado,

Mas sempre que te evoque, pequenino,

Estarás presente, embora em tempo errado;

 

“Na penumbra pintada pela lua”,

Abres porta e sais comigo à rua

Num gesto rotineiro e natural.

 

“Sem haver da manhã sequer vislumbre”,

Espero que o sono volte e me deslumbre,

Passando, em vez de sonho, a ser real...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 23.10.2017 – 17.05h

 

 

Imagem - "Le Berceau", Berthe Morisot

 

11
Out17

INFORMAÇÃO A TODOS OS AMIGOS E LEITORES

Maria João Brito de Sousa

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INFORMAÇÃO AOS AMIGOS



Informo todos os amigos que a Cerimónia de Agraciação com o Título Honorífico na categoria de Arte e Cultura, que me foi conferido pela Assembleia da União das Freguesias de Oeiras e S. Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias, terá lugar no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras, Avª Dr. Francisco Sá Carneiro, Oeiras, na próxima segunda-feira, dia 16 de Outubro pelas 21.30 horas, com a presença do Presidente do Executivo, Engº José Eduardo Neno.



A vossa presença será o meu maior estímulo. Obrigada.



Maria João Brito de Sousa- 11.10.2017





 

09
Out17

SONETO A PRETO E BRANCO

Maria João Brito de Sousa

soneto a preto e branco.jpg

 

Escuridão que te exaltas, arrojada,

no sincelo da carne em que me sou,

mesmo quando de meu não tenho nada,

por mais que nada seja o que te dou,

 

Tens sido sempre a cor da minha estrada

e a noite que os cabelos me enfeitou

quando ao longo da longa caminhada,

nela cresci e o mais me abandonou.

 

Se és ausência de cor, o que me importa?

Serei da mesma cor, que dizem morta,

mas amo a Vida mais do que ninguém

 

E afirmo que nenhuma cor conforta

tanto quanto este negro que recorta

palavras sobre o branco que as contém.

 

 

Maria João Brito de Sousa – 09.10.2017 – 12.07h

 

04
Out17

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE - Mãos

Maria João Brito de Sousa

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DEI VOZ ÀS MINHAS MÃOS



Dei voz às minhas mãos num fim de tarde

Quando o sol ao cair no azul do mar

Parece que se ateia e depois arde

Nas águas onde prendo o meu olhar

 

Vestiram gestos mansos sem alarde

E falando ao teu corpo devagar

Numa voz calma quase que cobarde

Por ele se deixaram encantar

 

Libertados que foram os seus medos

Sussurraram palavras e segredos

Bailando no silêncio da atmosfera

 

Já no horizonte o céu enegrecia

Porquanto o sol ali se despedia

Calou-se então a voz que às mãos eu dera

 

 

MEA

2/10/2017



A CAMINHO DO INEVITÁVEL FIM DE TARDE



Por muito que adiasse a voz crescente,

por muito que, hoje ainda, eu a resguarde,

a voz do sonho ousou passar-me à frente,

“Dei voz às minhas mãos num fim de tarde”



E nunca mais, de mim, tornada ausente,

que a voz das minhas mãos não mais retarde

palavras mil, que tão precocemente

“Vestiram gestos brandos sem alarde”



Livres do pseudo-sonho que os tolhia

enquanto, passo a passo, eu mal crescia,

“Libertados que foram os seus medos”,



Deixaram de iludir-se. São brinquedos,

ilusões de uma infância. Mal nascia,

“Já no horizonte o céu enegrecia”.





Maria João Brito de Sousa -04.10.2017 – 11.01h

 

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