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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
26
Set17

O VIGÉSIMO SEXTO DIA

Maria João Brito de Sousa

O vigésimo sexto dia.jpg

 

(Soneto em verso hendecassilábico)



Lá vou escada abaixo, coração nas mãos,

De asinhas nos pés contra os impossíveis

Porque sempre incertos e sempre insensíveis

São os meus desígnios tantas vezes vãos...



Quantos mais o fazem? Quantos cidadãos

Passarão, por mês, horas tão temíveis

Que, para os demais, nem sequer são criveis

Mesmo quando dizem serem seus irmãos?



Se hoje, aos vinte e seis, não chegar... não chega!

Tudo se me esfuma, tudo se me nega

Nas voltas da dança que me coube em vida



Por isso vos digo que se a norma “pega”

Terei de aceitá-la, mas vou ver-me “grega”

Pr`a manter-me viva e de fronte erguida.



Maria João Brito de Sousa -26.09.2017 – 19.57h

 



Nota – Escrito à pressa e à revelia da musa, entre as duas primeiras idas à caixa do correio.

Pode conter erros ortográficos, métricos e até sintáticos.

 

14
Set17

SÁBADO, DOMINGO, SEGUNDA E TERÇA FEIRA

Maria João Brito de Sousa

 

 

A  ILHA  III

 

 

 

Disseste que estou só e quero crer

Que acreditas que sim… que absurda ideia!

A minha solidão está sempre cheia

De mundos que nem podes conceber!

 

 

A solidão só vem quando eu quiser

E há coisas como grãos de fina areia

Habitando este mar que me rodeia,

Nas ondas das palavras que eu escrever

 

 

Podes guardar as penas pr`a depois

Porque eu, ilha assumida e povoada,

Não quero as tuas penas nem procuro

 

 

A solidão da vida feita a dois

Tantas vezes pior que não ter nada.

É só que nasço e morro, isso to juro!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa -02.11.2010 - 10.44h

 

 

O FEITIÇO

 

 

Por motivos que nem conceberias,

Enfeiticei-te a vida e não choraste…

Poderia jurar que até gostaste

E reparei, mais tarde, que sorrias

 

 

Mas, depois da mudança, entenderias.

Pensei-o, fi-lo e tu… nem te zangaste!

Não sei se o laconismo a que chegaste

Te impediu de mostrar quanto sentias,

 

 

Ou se sentir, pr`a ti, era uma coisa

Que surge como um pássaro que poisa

E só muito mais tarde afunda as garras

 

 

Enfeitiçado, ou não… a vida é tua!

O meu feitiço é brando e nunca actua

Sobre almas que estão presas por amarras

 

 

 

Maria João Brito de Sousa

 

 

A PERSISTÊNCIA DO POEMA

 

 

É este o meu destino, eu não duvido!

Em tudo o mais que fiz, não me encontrei

E quando faço a conta ao já vivido,

Só nestoutro presente é que me sei…

 

 

Poeta, obedecendo ao que é pedido,

Eu abençoo a hora em que me dei...

Mais tarde, num presente “em diferido”,

Hão-se crescer os frutos que plantei…

 

 

Viver, morrer… tudo isto é natural.

Tudo isto, acontecendo, me acontece,

Bem como a todos vós que possais ler-me,

 

 

Mas se o Poema nasce, esse imortal

Tão incorpóreo quanto a própria prece,

Persiste e há-de, após, sobreviver-me!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 01.11.2010 – 14.32h

 

 

 

SONETILHO COM VISTA PARA OS MARES DA LUA

 

 

Hoje a Lua está tão perto

Que quase posso tocá-la!

Dela só quero esse incerto

Dos tais mar`s que vão banhá-la

 

 

E julgo ter descoberto

Que é desse mar que ela fala,

E é nessas marés, decerto,

Que eu hei-de, um dia, alcançá-la…

 

 

Da janela em que repouso

Olho esses mares que mal ouso,

Quando ouso ao longe, avistá-los

 

 

E lá por serem lunares

Não deixarão de ser mares

Nem eu vou deixar de amá-los!

 

 

Maria João Brito de Sousa – 01.11.2010 – 15.41h

 

 

14
Set17

MEMÓRIA(S) DO NÁUFRAGO-PERFEITO

Maria João Brito de Sousa

digitalizar0013.jpg

 

(Soneto em verso hendecassilábico)

 

Do vento que sopra, da proa que afunda,

Do mastro partido, do leme encravado,

De ouvir os gemidos do velho costado

Da barca que oscila, bojuda, rotunda,

 

Na crista da onda, no mar em que abunda

Escolho traiçoeiro que espreita, aguçado,

Escondido na espuma, submerso, acoitado

Em zona que a Barca julgava profunda...

 

De tudo me lembro, se bem que já esteja,

No tempo passado, submerso também

E seja esta imagem longínqua o que eu veja

 

Da Barca que afunda nos sonhos de alguém,

Apenas a sombra que passa e festeja

Não ser verdadeira, nem ser de ninguém.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 11.01.2017 - 10.52h

 

 

Ao meu avô poeta, António de Sousa

13
Set17

RUAS

Maria João Brito de Sousa

casas em ruinas.jpg

 

(Soneto em verso alexandrino)





Adoro, ao pôr-do-Sol, ver a noite cair

Sobre esta minha rua, esta rua onde moro,

E por sobre a calçada amada ver surgir

Em raios de luar a luz com que a decoro.

 

Amanhã, se acordar, hei-de vê-la a florir!

Há sempre um “se” eu sei, mas nunca, nunca choro,

Tal como nunca sei se irei, ou não, mentir,

Dizendo não pedir, pois nunca nada imploro.

 

Passa a noite a correr. Nem dei por que passasse

Conquanto a sono solto um sonho cavalgasse...

E, quanto à rua amada, amor, vejo-a sem ti,

 

Pois por mais que no sonho ansiosa o procurasse

Não mais vi, nesta rua, abrigo que abrigasse...

Rua da qual gostasse, amor, não mais a vi.

 

 

Maria João Brito de Sousa – 12.09.2017 – 08.29h







 

12
Set17

A PAUTA INVISÍVEL

Maria João Brito de Sousa

Paz.jpg

 

Pr`a mim, perde o soneto o seu sentido

Se não sintonizar o que escrever

Com algo que sussurra ao meu ouvido

A toada que o faz poema ser,



Portanto nada dou por garantido;

Só criarei se o ritmo o preceder,

Impondo-se, em sentido proibido,

A quanto possa estar-me a acontecer...



Jamais admitirei um desmentido,

A não ser que me venha a arrepender

Caso o verso bloqueie, retraído,



Ou aconteça a pauta emudecer ...

Nesse caso, a razão terei perdido

E nem mais um soneto irá nascer.







Maria João Brito de Sousa – 11.09.2017 – 17.17h

11
Set17

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE - SILÊNCIOS

Maria João Brito de Sousa

silencio.jpg

 

O SILÊNCIO FALA E GRITA

 

 

Por vezes o silêncio fala e grita

De modo tão intenso tão feroz

Que quando ele aparece e nos visita

Faz-nos  acreditar que ganha voz

 

Disfarça-se a rigor qual parasita

E expressa-se de modo tão atroz

Que entre seus brados sente-se a desdita

Cingir-nos e tomar conta de nós

 

Porém se a madrugada esparge luz

Logo o silêncio foge e se conduz

À plena fantasia dos sentidos

 

Surge então do silêncio a quietude

Que se quer nos proteja ampare e escude

Em momentos pra nós mais doloridos

 

MEA

10/09/2017



***********

EM SILÊNCIO



“Às vezes o silêncio fala e grita”

Tornando-se um tirano prepotente

Mas, noutras, surge harmónico e suscita

Uma viagem nova ao que se sente.



“Disfarça-se a rigor qual parasita”,

Ou despe-se de véus e, de repente,

Ouvimos, dessa voz que nos habita,

Aquilo que, no fundo, nos faz gente.



“Porém se a madrugada esparge luz”,

Ocorre outro silêncio; o que traduz

A esp`rança do nascer de um novo dia.



“Surge então do silêncio a quietude”

E, em silêncio, se atinge a plenitude,

Ou se morre, num espasmo de agonia...





Maria João Brito de Sousa – 11.09.2017 – 13.36h

 

10
Set17

DIÁLOGOS ENTRE MÃE E FILHO ou O MENINO DA CIDADE DE VISITA AO CAMPO

Maria João Brito de Sousa

Passeio no campo 2.jpeg

 



(Soneto em verso hendecassilábico)



-Dos lírios do campo que viste há bocado,

Nenhum foi plantado. Repara que além,

Já do outro lado, verdinho e doirado,

Aos olhos, um prado florido nos vem...



-São giestas bravas! Quero ir ver o prado!

Vem vê-lo comigo! Vamos vê-lo, mãe!

-Vamos! Não te esqueças, tens de ter cuidado,

Não estragues as flores, que cheiram tão bem!



-Ainda por cima, vê-se ao longe o gado!

Ver coisas tão novas deixou-me encantado...

Prometo cuidado e vou vê-lo também!



-Vai, filho, vai vê-lo, não fiques parado!

Eu fico sentada neste descampado

Que a todos pertence e não é de ninguém...





Maria João Brito de Sousa – 10.09.2017 – 16.05h

 

Imagem retirada da net, via Google

 

07
Set17

SETEMBRO(S)

Maria João Brito de Sousa

Irma.jpg

 

(Soneto em verso hendecassilábico)



Setembro soprando nas asas do vento,

Embala-me, arrulha-me e... faz-me tremer,

Que, embora esquecida, se no vento atento,

Depressa me lembro de nada esquecer.



Do vento de Inverno que zumbe ao relento,

Lembrada, reduzo-me ao, “que hei-de fazer,

Se por mais que tente, nunca sei se aguento

A muita dureza que o frio me impuser?”



Formigas com asas virão, muito em breve,

Falar dos outonos que o tempo nos deve...

Nas asas do vento que sopra lá fora,



Eu penso que penso, mas sinto, ao de leve,

Que o tempo não deve e tampouco prescreve;

Sou eu quem prescreve, quem deve e quem chora...

 



Maria João Brito de Sousa – 07.09.2017 - 14.53h

 

06
Set17

FUNÇÃO VERBAL

Maria João Brito de Sousa

FUNÇÃO VERBAL.jpg

 

É sempre bom lembrar quanto a gramática

Nos ensinou sobre a função verbal,

Pr`a melhor entender e pôr em prática

Os verbos mais comuns em Portugal.



Língua que é viva, não se mostra estática,

Porque um neologismo ocasional

Que muito ecoe, deixa a fonte errática

E vem juntar-se à língua original...



Quando racionalmente analisarmos,

Da Língua-mãe, a franca evolução,

Não teremos razão pr`a reclamarmos,



De um verbo, “propriedade” , ou “invenção”;

Não se “registam” verbos! Se um criarmos,

Talvez “entre” na língua... ou talvez não.





Maria João Brito de Sousa – 06.09.2017 – 12.41h

 

(Reservados os direitos de autor)

 

 

NOTA – Fui e continuo a ser contra o AO90, posição que em nada obsta a que entenda, na perfeição, o natural processo evolutivo da Língua portuguesa.

 

05
Set17

CONVERSANDO COM JOAQUIM SUSTELO - Cabelos brancos

Maria João Brito de Sousa

Eu e Joaquim Sustelo.jpg

 

DEMÃOS DE TINTA

 

Já dei uma demão no meu cabelo 
de tinta que era branca, sem mistura
pintando devagar, com pouco zelo,
manchando a outra que era, negra, escura


Dizem "mais vale sê-lo que par'cê-lo..."
E já pareço. E sou. Alguma alvura,
atesta que há um selo no Sustelo
de algum caminho andado... de lonjura...


Darei outra demão. De forma lenta...
a ver se como esta, bem me assenta,
formando um preto e branco, algo cinzento


Ao fim de três demãos estará pintado.
Mas estarei eu por cá, ou abalado?
Será que o tempo vai... deixar-me tempo?


Joaquim Sustelo


(direitos reservados)

 

********************

 

CONVERSANDO...



O meu, que era de um negro de carvão,

Lá se foi, pouco a pouco acinzentando...

Cedo lhe deram primeira demão,

Há tanto tempo que já nem sei quando...

 

Fosse essa a minha grande frustração,

Fosse esse o tanto que me vai magoando

E eu rir-me-ia, com ou sem razão,

Das mágoas com que a dor me vai brindando.

 

Mais branco do que teu, o meu vai estando

E, a cada dia, mais se vai pintando

Dessa cor branca, a nossa geração,

 

Portanto vai sorrindo e poetando!

Pensa que o teu cabelo branqueando

É sinal de que vives, meu irmão!

 

 

Maria João Brito de Sousa – 05.09.2017 – 15.35h

 

 

 

 

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