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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
21
Mai14

FRACÇÃO

Maria João Brito de Sousa

 

(Soneto de coda ou estrambote em decassílabo heróico)

 

O Tempo, esse tirano, esse vilão

A quem, teimosos, nunca aceitaremos,

É quem gere, afinal, tudo o que temos

Na nossa humana bio-condição

 

Mas, longe de aceitar que tem razão,

Que da sua passagem dependemos,

Chegamos a negar quanto aprendemos

Ser fruto dessa vasta produção

 

E contra a própria vida nos erguemos

Se, esquecido o percurso que fizemos,

Cairmos nessa vã contradição

 

De achar que - por mais voltas que engendremos,

Por mais que o próprio tempo confrontemos

Em busca da perfeita solução -

 

A Vida – que lhe importa o que inventemos! -

No seu total devolva o que vivemos

Quando o Tempo o traduz numa fracção.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 21.05.2014 – 20.08h

 

 

Imagem - A Persistência do Tempo - Salvador Dali

18
Mai14

O MAIS DO QUE PERFEITO NAUFRÁGIO

Maria João Brito de Sousa

 

(Soneto em decassílabo heróico)

 

Poema que vieste e me abraçaste

E logo, sem pedir, te deste inteiro,

Não saberei dizer se me és primeiro,

Ou se, depois de eu ser, de mim brotaste

 

Porque, se em mim, crescendo te firmaste,

Por ti me fiz, mais tarde, o teu estaleiro,

Ou mão que lança a rede e marinheiro

Das vagas que, incansável, navegaste,

 

E sei que no momento derradeiro

Desta nossa odisseia, companheiro,

Depois do breve porto a que aportaste,

 

No mar que me abraçar, serei ribeiro

Que em tua foz se extingue, ó meu veleiro

Que tão perfeitamente naufragaste.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 18.05.2014 – 21.24h

 

16
Mai14

ESSÊNCIA

Maria João Brito de Sousa

 

(Em decassílabo heróico)

 

Mudas de espanto e sem fazer sentido

Nascem palavras, brotam tentações

Que se entrechocam num ponto perdido,

Gerando prados, montanhas, vulcões,

 

Trocando as voltas ao que foi pedido,

Emudecendo a voz de outras questões

Com que se tenham já comprometido,

Muito senhoras das suas razões!

 

Como ecos fundos, chegam sons distantes

Que, cá por dentro, fazem ressoar

Roucos murmúrios de ideias constantes,

 

Músicas loucas, vibráteis, pulsantes

Em que o desejo se ousa decifrar

Na pauta inglória duns versos cantantes.

 

 

Maria João Brito de Sousa – 16.05.2014 – 16.54h

10
Mai14

UM SONETO BREJEIRO... ou nem por isso...

Maria João Brito de Sousa

 

(Em decassílabo heróico)

 

Se a rosa cor-de-rosa abraça um cravo

E logo se desdiz, se faz rogada,

Não fica o rubro cravo a ser seu escravo,

Mas talvez fique a rosa apaixonada

 

E, mais tarde ou mais cedo, em gesto bravo,

Reflicta na paixão que foi travada

E venha murmurar-lhe; “Eu furo e escavo

Até tornar-me a flor mais desejada!”

 

Responde o cravo, altivo: “Eu nunca disse

Que queria estar contigo, ó flor burguesa!

Não pudeste abraçar-me sem que eu visse

 

Que, usando a mais-valia da beleza,

Me ousavas seduzir sem que eu sentisse,

No teu brejeiro gesto, uma certeza!”

 

 

Maria João Brito de Sousa – 09.05.2014 – 14.56h

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