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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
25
Set13

SONETO "PANFLETÁRIO"

Maria João Brito de Sousa

APELO AO VOTO

 

Soneto assumidamente panfletário, partidário, utilitário e, na opinião da autora, necessário…

(Em decassílabo heróico)


Há pobres, infelizes criaturas
Que, sem vontade própria, se norteiam
Por teorias de outros que as odeiam
E à má-fila promovem ditaduras

De elites que apregoam falsas curas,
De eleitos que a si próprios se nomeiam
E “neutros” que o não sabem, mas falseiam
O sentido da Luta em vãs loucuras.

Atentem à mentira, quando alastra!
A nós, essa perfídia não nos castra
E o voto, a duras penas conquistado,

Há-de fazer tremer a corja “rasca”
Que, ao dividir-nos, tanto nos atasca
Em dúbias jogatinas de mercado!



Maria João Brito de Sousa – 22.09.2013 – 21.00h

(Em reedição, mais uma vez inevitavelmente reformulado a 14.06.2015)

 

17
Set13

SONETO DE CODA

Maria João Brito de Sousa

 

 

(Em decassílabo heróico)

 

 

Quando o verso desponta e, de repente,

Sinto que o Tejo vem, de vaga em vaga,

Depor, nas rochas que em meu peito traga,

Em líquido compasso, o comburente

 

Deste fogo maior, insano, urgente,

Que ateia a poesia em qualquer fraga

E, sem hesitações, rejeita e esmaga

Razões de outra razão bem mais urgente

 

Eu, bicho, ao descobrir que o não comando,

Que, sabendo porquê, nunca sei quando

O fluxo se me impõe com força tal

 

Que dele brote o poema, agreste ou brando,

E, com força de grito ou murmurando,

Se afirme, em rebeldia, um bicho igual,

 

Deixo aberto esse espaço em que, voando,

Se imponha livremente e vá brotando

De geração espontânea e natural…

 

 

Maria João Brito de Sousa – 17.09.2013 – 17.05h

 

 

Nota – Este é o meu primeiro “soneto de coda”.

Dedico-o ao poeta Frassino Machado pois, ao contrário do que ele imaginava, não conhecia esta “modalidade” até me deparar com alguns sonetos de coda, de sua autoria.

Nasceu da forma espontânea que tão naturalmente me foi surgindo e descrevo no corpo do poema. Nunca planeei escrever um soneto deste tipo. Friso bem que foi o próprio poema que se foi impondo, ao longo da concepção, enquanto “soneto de coda”.

O último terceto – que caracteriza esta modalidade – nasceu da absoluta necessidade de tornar inteligível a estrutura de uma simples mensagem que, desde o início, pressupus poética.

Também não fiz qualquer pesquisa sobre o tema e não sei se me voltará a nascer mais algum.

 

Maria João

16
Set13

PEQUENAS SUBVERSÕES A UM INEVITÁVEL PÔR DO SOL

Maria João Brito de Sousa

 

(Em decassílabo heróico)

 

 

 

Solto esta voz que invade o meu poema,

Que chega não sei de onde e não sei quando,

E entrego-lhe a palavra que, voando,

Despreza a rigidez de forma e tema,

 

Pois só brota se, livre e sem problema

Na condição de impor-se, ir-se espraiando,

O grito que lançar for conquistando

Batalhas que engendrou contra um sistema.

 

Depois… fica o poema, vai-se o “mago”

Que, ao mergulhar no mar do que em mim trago,

Promete só voltar quando entender

 

E resta-me este fundo e calmo lago,

Tão perceptível quanto um vago afago,

Confirmando o que a aurora ousou esconder.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 15.09.2013 – 20.35h

07
Set13

"DE MÃO BEIJADA"...

Maria João Brito de Sousa

 

 

(Soneto em decassílabo heróico)

 

 

Se isso viesse, assim, de mão beijada,

Tempr`ar-nos desse sal com que o escreveste

E fosse ouvido, sem dizer mais nada,

Significando o mais que nele escondeste…

 

Depois, se ultrapassada a longa estrada

De quanto humano passo nunca deste,

Se erguesse e se lançasse em revoada,

Determinado, urgente, irado, agreste,

 

Sobre a bruta injustiça alicerçada

Por quem aceita a “capa” e logo a veste

Só porque foi por tantos cobiçada,

 

Melhor fora eu ficar muda e calada

A “soprar-te” que sei que não esqueceste

Os tais que a vestem gasta e já rasgada.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 07.09.2013 – 20.25h

 

NOTA – A um texto publicado por Alexandra Freitas Moreira, no seu mural, em 07.09.2013

 

 

IMAGEM - Diego Rivera - "Gloriosa Vitória"

04
Set13

SONETO AO PRODUTOR EXPLORADO II

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

(Em decassílabo heróico)

 

Sem agasalho, quando o frio lho pede,

Nem acessórios, quando necessários,

Não diz palavra em causa que não mede,

Assim que os ventos sopram mais contrários

 

E se ergue o punho contra os salafrários,

Ou espuma as raivas que a razão concede,

É por ter mil razões contra os salários

Que só lhe compram fome e pagam sede!

 

Passa, invisível, sobre o dia-a-dia,

Vai, devagar, morrendo em contra-mão,

Arremedando a velha alegoria

 

Que, honrando a letra de uma melodia,

Em coro nasça de uma multidão

Que venha, erguida, impor-se à tirania.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 03.09.2013 – 19.51h

 

 

 

Imagem do 25 de Abril de 1974 - Partido Comunista Português

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