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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
31
Mar13

"IRONIC"

Maria João Brito de Sousa

 

(Soneto em decassílabo heróico)

 

 

No substracto inorgânico e espontâneo

Do voo das palavras que não escrevo,

Desvendo muito mais do que o que devo,

Discirno original de sucedâneo,

 

Pressinto a mutação, toco o genoma

Da vida que em mim pulsa ardentemente,

Deponho a frustração nas mãos da mente

E quase me separo do meu "soma"...

 

(...)

 

Não fora - enorme! -  o fluxo migratório

A fazer-me lembrar o rumo inglório

Do povo castigado a que pertenço

 

Talvez eu acabasse acreditando

Que uns versos que não vejo, nem comando,

Fossem fruto daquilo em que nem penso.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 08.03.2013 - 19.00h

 

 

IMAGEM - "Os Retirantes", Portinari

26
Mar13

MURALHAS DE DEFESA

Maria João Brito de Sousa

 

(Decassílabo heróico)


Impões-me: -Vem pr`aqui, vai pr`acolá!,
De forma impessoal, paternalista,
Que em tantos prenuncia uma conquista
Mas que de modo algum me afectará

Insistindo em lembrar que o mundo dá,
Àquele que, obedecendo, não resista
Ao “isco” de promessa tão simplista,
Estatuto e bens rivais dos de Sabá…

Invariavelmente te respondo
Que não esperes senão um não redondo
No que toca a mudar-me a natureza

Pois, d`aquilo que sou, nada te escondo
E, antes que te imponhas, vou-te impondo
Invencíveis muralhas de defesa.




Maria João Brito de Sousa – 07.03.2013


IMAGEM - Gravura de José Dias Coelho

18
Mar13

GESTO PONTUAL

Maria João Brito de Sousa

 

(Soneto em decassílabo heróico)

 

Garante-me o dorido, insone dia,

Um momento qualquer de insurreição,

Um vislumbre de clara epifania,

Um grito de revolta ou de paixão,

 

Mas sei que tanto faz! Tanto daria

Dizer ou desdizer… contradição

Seria querer extrair desta agonia

Labor que merecesse a criação.

 

Buscando, no mais fundo de quem sou,

Razão pr`a me lembrar do que restou

Dos mil versos vibrantes que criava,

 

Redescubro, na força que os gerou,

Um gesto pontual que se lembrou

De eclodir sob a forma de palavra.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 06.03.2013 - 18h

 

 

 

IMAGEM – “The Weeping Woman”, Pablo Picasso, 1937

 

14
Mar13

ESPANTO[S] ou "Lembrando os fios..."

Maria João Brito de Sousa

Diz-me o espanto que a lua irá tardar,

Que a tarde se toldou, que o céu cinzento

Lh`impôs um manto espesso e turbulento

Que irá manter escondido o véu lunar.

 

Diz-me este espanto que não sei calar

Que, quanto me esconderem, reinvento,

E o poema me brota enquanto tento

Que o espanto me não deixe de espantar.

 

Por força de entender que nada espanta

O verso que, em nascendo, se decanta

E, juntando-se aos mais, se alarga em rio

 

Vejo o que gota a gota se agiganta

E se faz mar num mar de força tanta

Que me espanta lembrá-lo um mero fio.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 13.03.2013

 

 

IMAGEM - Desenho de Álvaro Cunhal

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