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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
28
Fev13

NOUTRO DIA QUALQUER...

Maria João Brito de Sousa

 

(Soneto em decassílabo heróico)

 

 

Noutro dia qualquer não vos diria

Que as rimas se insurgissem revoltadas

Mas, hoje, ultrapassaram-me apressadas,

Recriando outra estranha romaria

 

E nem vos sei dizer se saberia,

Ainda que as quisesse controladas,

Ainda que bem presas, bem domadas,

Mudar seu rumo, impondo outra harmonia

 

Mais tarde, contarei que elas ficaram,

Que me iludi, que não me renegaram

E que hão-de estar comigo até ao fim,

 

Mas - só por hoje! - afirmo que voaram,

Que, ao fugirem de mim, se recusaram

Às regras que me impus, neste jardim…

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 28.02.2013 – 19.05h

 

 

21
Fev13

SONETOS ÀS ERVAS BRAVIAS DO MATO I

Maria João Brito de Sousa

 

Flor de Urtiga


(Em decassílabo heróico)


À flor de uma palavra… eu renuncio!
Noutra, mais louca ainda, recomeço
A dança da palavra e pago o preço
Que me cobra o poema que anuncio...

No Inverno, enfrento ainda o beijo frio
Do tanto que ousei ser, mas desconheço,
Neste palco terreno onde não peço,
Nem aceito os favores dum novo Estio

São flores, braços e garras, as palavras!
Nelas m`elevo inteira… ou me condeno
Num quase desafio a quem souber

Ou tentar adentrar-se em minhas lavras…
(... há flores assim, bravias, com veneno,
que se escapam da mão que as quer colher…)
 



Maria João Brito de Sousa – 20.02.2013 – 16.32h
18
Fev13

POETA, 2013

Maria João Brito de Sousa

 

(Lembrando o poema Poeta, 1951, de António de Sousa - in "Linha de Terra", Editorial Inquérito, 1951- seguido de transcrição da parte final do texto "Esboço Impressionista do Perfil do Poeta", de Natália Correia, in "A Ilha de Sam Nunca")

 

(Em decassílabo heróico)


Deixai-o lá, glosando ao seu destino
Os motes de quem foi, de quem não foi,
Que a ferrugem salina que o corrói
Como a todo o punhal  de gume fino

Oxida-se a si mesma e nem lhe dói
Estocada que alguém esgrima em desatino
No espólio em que se traça homem-menino
Num espanto que o desmente e que o constrói...

Deixai-o desfolhar-se à beira-pranto
Onde a mãe-lua, um dia, há-de ir buscá-lo
Pr`ó guardar em discreto e suave encanto

Não vá um deus avulso ousar tocá-lo
Jurando, a todos vós, que ele era um santo
Pr`a, depois, sem remorso, atraiçoá-lo...



Maria João Brito de Sousa -  11.02.2013 - 11, 35h

 

----*----


"Impressionante identidade do homem e do seu discurso poético. Um insulado pela fantasia lunar irremediavelmente praticada num coexistir que a marginaliza............ A brincar a Robinson Crusoé da Ilha Deserta onde é possível recomeçar o mundo com mãos imaculadas Assim me apareceu. Assim o li nos versos que escreveu, nas ondas que perfeitamente naufragou para adquirir a pureza de sonhar sem a grilheta dos êxitos que atam os triunfantes ao compromisso de serem esplêndidos"  NC

 




NOTA -  Soneto ligeiramente reformulado em relação à sua primeira publicação, directamente nas minhas notas do Facebook.

14
Fev13

AUTO RETRATO CARNAVALESCO... OU QUASE...

Maria João Brito de Sousa

Magriça, olhar tranquilo, um dente em falta,

Loquaz no gesto largo e comedido

É, qual gato de rua em chão perdido,

Que age as mui raras vezes que s`exalta...

 

Porém nunca ofensivo dela salta

Insulto qu`anteceda um desmentido

Por falta de razão, por sem sentido,

"Tramar", à revelia, alguém "da malta"...

 

Assim se viu num dia em que acordou

Disposta a confessar-se e lhe faltou

Suporte digital em que o fizesse

 

E desta folha branca se apossou

Lavrando nela os versos que encontrou

Pr`a descrever-se em tom que lhe aprouvesse...

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 11.02.2013 - 12.21h

07
Fev13

A TODOS OS ARTISTAS PORTUGUESES QUE RESISTEM E SOBREVIVEM A ESTE ANO DE TODAS AS INJUSTIÇAS

Maria João Brito de Sousa

(Soneto em decassílabo heróico)

 

Num traço, redesenho este universo

Ao meu jeito de bicho inacabado

Mas travaram-me o traço mal esboçado

Como a mentira entrava o pólo inverso…

 

Do que me sobra, culminando em verso,

Retiro, peça a peça, este legado

Que aqui sirvo, bocado por bocado,

Na refeição comum de um tempo adverso…

 

Assim, do ousado rumo em que me invento,

Eu cobro, à Poesia, esse sustento

Das horas de ser carne e sangue e sonho

 

E mais vos não sei dar, nem tenho alento

Pr`a obra que me exija mais talento

Do que em tão estranho gesto agora ponho…




 

 

Maria João Brito de Sousa – 04.02.2013 – 19.25h


 

IMAGEM – Fotografia de Manuel Ribeiro de Pavia, nome artístico do artista plástico alentejano, Manuel Ribeiro, tirada por António Pedro Brito de Sousa, meu pai.

03
Fev13

O PULO

Maria João Brito de Sousa

 

De pulo em pulo, exalto o meu protesto!

(minto porque este “pulo” foi roubado

a um tempo qualquer do meu passado

e ao eco das memórias que lhe empresto…)

 

Mas se sobra a vontade e falha o resto

De que me serve, então, ter protestado,

Ter tido a agilidade e ter pulado

Numa acepção literal do mesmo gesto?

 

O pulo é o das rimas que a verdade

Nunca deixou morrer na mão rendida

Pois, da nova impotência que me invade,

 

Renasce-me o poema e, da saudade,

A voz que, não se dando por vencida,

Pulou de estrofe em estrofe, em liberdade!

 

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 30.01.2013 – 17.21h

 

,

 

 

 

 

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