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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
31
Jan13

SONETO "GOURMET"

Maria João Brito de Sousa

(Em decassílabo heróico)

 

 

 

Salteio, em fogo vivo, o cozinhado

Do aceso perpassar deste momento

E apuro, de seguida, em fogo lento

A zanga que me vai passando ao lado…

 

Provo um pedaço, tenro e suculento,

Do verso acutilante e mal passado

E sinto que me falta um bom bocado

Pr`a dar-vos garantias de sustento…

 

Quando um outro chegar, se então souber,

Talvez possa juntar-lhe outro qualquer

Condimento - um tempero ocasional -,

 

Ou mesmo adicionar-lhe um verso ou dois

Dos tantos que me ocorrem, só depois

De o servir na baixela de cristal...

 

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa -29.01.2012 - 17.56h

28
Jan13

MEADAS...

Maria João Brito de Sousa

(Soneto em decassílabo heróico)

 


Serás sempre meada, inteira ou não,
Dum fio de vida em breve desfiar
E quer possas, quer não, terás de ousar
Cumprir-te numa tal contradição...

Hoje, amanhã, depois... continuar!
Que o Tempo, sem a tua permissão,
Sem pedir-te licença pr`avançar,
Passou-te à frente e nem pediu perdão...

Mas, venha lá quem venha, a vida é tua!
Se a alma não protesta, o corpo sua
E bem mais sofrerá se não te ergueres,

Se não brandires ao vento, em cada rua,
De braço levantado, a voz que estua
No punho das palavras que trouxeres!


 


Maria João Brito de Sousa – 16.01.2012 – 02.20h




IMAGEM - A TECEDEIRA DE BARCAS, Maria João Brito de Sousa, 1999

24
Jan13

UMA NOVA DOBADOURA PARA OS TEMPOS QUE CORREM

Maria João Brito de Sousa

(Em decassílabo heróico)


Dobando o fio da esp´rança que te resta
No fuso de um futuro antecipado,
Desfazes-te em trabalho redobrado
Nas texturas legais que alguém protesta

Já sobre ti caiu, torpe e funesta,
A truculenta mão de aço forjado
Que vai estendendo, agora disfarçado,
O tanto que diz dar mas mal te empresta

Dobando o novo fio, depressa brilha
Mais luz, prenunciando a maravilha
Do esforço que lhe ousaste acrescentar

Que dum chão que venceu tanta batalha
Possa brotar, qual sonho, a viva malha
Que cresça até que as mãos queiram cantar!
 


Maria João Brito de Sousa – 23.01.2013 – 18.01h


IMAGEM - Gouache da autora, aos oito anos
21
Jan13

SONETO LUNAR ou L`IMPORTANT C`EST LA ROSE...

Maria João Brito de Sousa

(Em decassílabo heróico)


Da natureza emerjo e sou quem sou
Consciente de aqui estar, mas tão serena
Que, ao espelhar-me em luares de lua plena,
Aguardo receber quanto lhes dou

E moldo cada raio que brilhou
Sem me sentir culpada, ingrata, obscena,
Por espinho, dissabor ou qualquer pena,
Que ressurja na flor que dele brotou…

Então, repasso o disco semi-gasto,
Das pétalas do mundo em que me basto
E hoje serei lunar porque me apraz

Ter um corpo distante, inerte e casto,
Do qual, sem dar por isso, só me afasto
Se me acontece querer sem ser capaz…





Maria João Brito de Sousa – 19.01.2013 – 19.43h

18
Jan13

O TEMPO DAS PALAVRAS - Idalina Pata

Maria João Brito de Sousa

O tempo é das palavras que, nas asas,

Trazem o pó da terra, o pão, a flor…

Das palavras-operários que erguem casas

E, à noite, já cansadas, são suor,

 

Que vêm do silêncio de águas rasas

De um tempo amordaçado pela dor,

Que arrancaram, de vez, suas mordaças

E se lançam num voo bem maior

 

O tempo é de mudança em maré alta

Da palavra que agora nos não falta,

Da força que nos trouxe acreditar,

 

Da espiga, já madura, a dar seu fruto,

Por fim, da liberdade e do produto

Do que a nossa vontade irá moldar



 

Maria João Brito de Sousa – 03.08.2011 – 15.55h


 

Soneto prefácio dedicado ao terceiro livro da poetisa alentejana Idalina Pata, O TEMPO DAS PALAVRAS, Bubok Publishing S. L.

15
Jan13

SONETO EM BREVE MONÓLOGO INTERIOR

Maria João Brito de Sousa

(Em decassílabo heróico)


Renasce-me a questão, tal qual a sentes;
- Como arrancar o ceptro a um poder
Que assim vai fomentando, sem tremer,
Tais formas de injustiça entre inocentes?

Nas marcas da passagem de serpentes
Às quais se impõe matar pr`a não morrer
Se explica ou se desvenda este “não ser”
Pior do que o pior que em ti consentes…

Se, pouco ou nada tendo, ainda escrevo,
É por não ter esquecido o quanto devo
E nisso me encontrar enquanto o pago

Pois, porque pressionada, até me atrevo
À poética da flor - talvez de um trevo... -
Que, em quase-voo, emula um meigo afago…


 

Maria João Brito de Sousa – 14.01.2012- 21.29h
10
Jan13

SONETO DE APELO À CONSCIENCIALIZAÇÃO POLÍTICA DO CUPIDO... :)

Maria João Brito de Sousa

(Em decassílabo heróico)


Não te deixes levar – nunca te iludas! –
Pela promessa vã de um sonho vago,
Por pérfida carícia em breve afago
Na amorfa mansidão das queixas mudas.


Que as setas que lançares sejam agudas,
Que zunam, que penetrem, causem estrago
E possam, tal e qual como as que trago,
Furar sem desdenhar de entreajudas.


Resguarda-te do mal. Quando o enfrentas,
Não fujas dele, foge do que inventas,
Que aqui há mal de sobra… e sobram mil!


Que das setas que lanças, quando o tentas,
Brotem, mais uma vez, justas, sedentas
E vivas, as razões pr`amores... de Abril!




Maria João Brito de Sousa – 10.01.2012 – 17.05h
 
 
Imagem retirada da net, via Google
04
Jan13

INICIAÇÃO À PINTURA

Maria João Brito de Sousa

 

(Em decassílabo quase heróico)




“Pinte-se o céu da cor que te aprouver,
Faça-se luz no traço em movimento,
Cozinhe-se outro mundo, em fogo lento,
E engendre, o coração, quanto puder!

Reinvente, cada homem e mulher,
A génese adequada ao seu intento,
Roubando a tempestade ao próprio vento
E uma centelha à cor que se acender!

Depois… é uma dança, um medir forças
Dos braços que nos correm como corças
Sobre a nudez da tela ou papelão…

E não se pára enquanto o fim não chega!”
Relembro enquanto a força se me nega
E a cor se me desfaz num turbilhão…

 




Maria João Brito de Sousa – 03.12.2012 – 14.46h


Soneto oferecido ao Rogério V Pereira

 

 

 

IMAGEM - "By the Sea", tela de Paul Gauguin

02
Jan13

GATO DE TELHADO

Maria João Brito de Sousa

  (Soneto em verso eneassilábico)

 

O Sol brilha em teus olhos doirados

Se, incontido, um rosnido acontece

Na conquista de urbanos telhados

Onde, à noite, o teu corpo adormece

 

De veludo, em teu dorso eriçados,

Doseando a tensão que o estremece,

Estão milhares de pequenos soldados

Preparando o que em garras se tece…

 

Não há fome nem frio, não há sede

Que desarme essas armas brandidas

Na defesa de um espaço que é teu

 

Mas se o estranho invasor to concede

E desiste das telhas perdidas…

Reconquistas, no mundo, o teu céu!

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 30.12.2012 – 18.09

 

 

Nota - Ligeiramente reformulado, a 02.01.2012 depois da publicação no meu mural do Facebook

 

 

 

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