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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
30
Nov12

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas

Maria João Brito de Sousa

Que me invada, sustente e suporte

Esta tão castigada impaciência

Que, surgindo, me abrace e conforte

Qualquer forma de alada aparência!

 

Mas… pensando melhor, que desnorte

Me invadiu e me impôs tanta urgência

Quando a mão mais pesada da sorte

Se abateu sobre a minha imprudência?

 

Quanto mais pesa o corpo, mais pede,

Mais e mais a razão se nos mede

Pelas pautas de um sonho improvável

 

Numas asas que a mente concede

E que, às vezes, nos brotam da sede

De um conceito ou de um gene insondável.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa -30.11.2012 – 19.56h

 

 

 

IMAGEM - O último Anjo de Maria - Maria João Brito de Sousa, 1999

26
Nov12

SONETO PARA UM SONHO QUE SONHEI - Em decassílabo heróico

Maria João Brito de Sousa

 

Depois de uma janela, outra janela

Se abriu de par em par, nesse protesto…

Mil se abriram depois, fazendo o resto,

Assim que a voz do sonho ecoou nela!

 

Completo, nasce o sol, derruba a cela,

Infiltra-se-lhe a luz no duro asbesto

E, nessa convicção que ao sono empresto,

Traduz-se-me em vontade enchendo a tela…

 

Transmutada a janela em peito aberto,

Fosse essa luz descrita a voz roubada

À vivência de um tempo insano, incerto,

 

Estaria essa vitória bem mais perto

E já se glosaria, em qualquer estrada,

Invicta, esta alegria em que eu desperto!

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 24.11.2012 – 09.39h

 

 

 

 

Imagem retirada da net, via Google

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

23
Nov12

AOS 1.385.068 DESEMPREGADOS PORTUGUESES EM NOVEMBRO DE 2012 - EXIGIMOS!

Maria João Brito de Sousa

Não pedimos faustosos vestidos

Sobre as carnes já tão castigadas

Do chicote das lascas dos vidros

Das janelas de esp`ranças quebradas!

 

Queremos pão, pois não fomos vencidos,

E o direito, que é nosso, às moradas

De alicerces por nós construídos,

Pelas mãos que, ora, vedes paradas!

 

Exigimos saúde e futuro

Sobre um solo a que temos direito

E este sonho indomável, mas puro,

 

De alcançar esse fruto maduro

Que, ao crescer, cá por dentro do peito,

Nos falou de um devir menos duro!

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 22.11.2012 – 19.45h

 

 

 

IMAGEM - Os Comedores de Batatas - Vincent Van Gogh

22
Nov12

NAVALHA OBLÍQUA NUM BECO SEM SAÍDA - Em nove sílabas métricas

Maria João Brito de Sousa

É tão crua esta oblíqua navalha

Que apunhala os sentidos da gente,

É tão suja, é tão vil que não falha;

Assassina e… disfarça, inocente!

 

Se debalde lhe foge a canalha

Que afinal lhe foi sempre indiferente,

Ela fixa, encurrala e estraçalha

Cada um dos que em fuga pressente.

 

Mas que importa a navalha cruenta

De um poder que nos quer degolar

Se outra força imperiosa argumenta

 

Numa voz que até mortos sustenta

Pr`a dizer que é morrer ou lutar

E, à navalha, nem sangue a contenta?

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 22.11.2012 – 01.48h

 

 

 

IMAGEM - The Charnel House - Pablo Picasso 1944/45

21
Nov12

MAIS UM PROTESTO - Soneto de nove sílabas métricas

Maria João Brito de Sousa

Mil protestos `spontâneos, mas sábios,

Vêm desde o mais fundo de mim

Sem que os vá “recortar” de alfarrábios,

Sem sonhar se os lerão mesmo assim…

 

Meus protestos são feridas gritadas

Sobre a crosta arrancada dos dias,

A correr, por aí, de mãos dadas

C`o prenúncio do fel de agonias!

 

Sabereis quanta gente aqui morre

Sem ter leito onde encoste a cabeça?

Cuidareis, todos vós, dos “sem nome”?

 

Qual de vós, “milionários”, discorre,

Sem que uma autocensura o impeça,

Sobre o mal desta impúdica fome?

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 21.11.2012 – 18.22h

 

 

 

Imagem retirada da net, via Google, sem registo de autor

19
Nov12

AOS QUE NUNCA SE CALARÃO - Soneto de nove sílabas métricas

Maria João Brito de Sousa

Sobre as terras lançaram, salgando

 

A semente, a promessa, o legado,

 

Do que tantos lá foram plantando

 

No retorno do esforço gerado…

 

 

 

Sobre os mares foi lançado um feitiço,

 

Um conluio orquestrado e sem cura,

 

Que tornou impotente e submisso

 

Quem dele tira alimento e ventura…

 

 

 

Foram expulsos das velhas cidades

 

Despojadas dos seus habitantes

 

Os que irão espalhar sonho e saudades

 

 

 

Na procura de abrigo e salários

 

Noutras terras diferentes, distantes,

 

Tantos mil produtores, bons operários…

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 19.11.2012 -16.04h

 

 

 

Imagem retirada da internet, referente à emigração da década de sessenta do século passado

 

04
Nov12

EU, POBRE E SUBURBANA...

Maria João Brito de Sousa

Eu, pobre e suburbana, me confesso

Nas “lides de ideais” fraca figura!

Deveras insensata, reconheço

Ser muito avessa a “jogos de cintura”…

 

Diz-me, a razão, que irei pagar o preço

Desta desprotecção, desta loucura,

Mas falta-me o dinheiro, ou cheque impresso,

Que assegure, ao saldado, a cobertura.

 

Eu, pobre e suburbana, nunca meço

O alcance do que intuo… ou se o mereço

E defendo o direito a ser quem sou,

 

Por vezes destemida, no começo,

Se aflorando questões que desconheço,

Fico perdida, sem saber que o estou...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 04.11.2012 -20.19h

 

 

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