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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
28
Ago12

SONETO PARA MARCHAR, MARCHAR!

Maria João Brito de Sousa

 

Sigamos, mesmo sós, fincando o pé,

Erguendo o punho acima do poder,

Impondo aos sortilégios da maré

Esta vontade infinda de vencer!

 

Ergamos, libertária, a nossa fé

Sobre os que estão cansados de saber

Que conduzem o povo em marcha-a-ré,

Alegando que assim teve de ser!

 

Vai-se fazendo tarde e não é hora

De procurar caminhos menos duros

Pois sempre que um de nós gritar; - Agora!

 

Saberemos que o dia não demora

E, mesmo por carreiros inseguros,

Havemos de ir aonde o sonho mora!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 28.08.2012 -15.52h

 

 

Imagem retirada da internet, via Google

23
Ago12

SONETO PARA... MORDER!

Maria João Brito de Sousa

 

(...mordido em decassílabo heróico...)

 

 

Em verdade só sou quando me dou,

Assim que sol e mar fervem cá dentro

Transmutando-se em corpo e alimento

Do poema/animal que me habitou…

 

Palavras, coisas vivas que se comem,

São frutas que se oferecem se as procuro

Numa fome perpétua que não curo

Enquanto outras palavras me não domem

 

Mas é por esta língua, a que pertenço,

Que sinto, que, por vezes, também penso,

Que mordo, como tantos animais,

 

Sem medo do momento insano, intenso,

Em que abocanho um verso… e quase o venço

Esquecendo a derrocada dos demais…

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 23.08.2012 – 19.19h

14
Ago12

JOGO DE XADREZ NUMA TARDE CHUVOSA

Maria João Brito de Sousa

 

O jogo recomeça… a tarde escura

Ameaçando chuva, o vento uivando…

Enquanto observo a rua, o céu, chorando,

Renova-me as fraquezas já sem cura…

 

A chuva, gota a gota, já perfura

O abrigo que me estive improvisando

Até que inteiramente o vai molhando

E dissolvendo a frágil cobertura…

 

Recolho o tabuleiro. A noite chega…

Mais gota, menos gota, eu acredito

Que a chuva possa ter o estranho fito

 

De dissolver tão só quem se lhe nega…

(se desisto de um jogo, assim, perdido,

jogá-lo nunca fez qualquer sentido…)

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 14.08.2012 – 20.44h

 

 

IMAGEM RETIRADA DA NET, VIA GOOGLE

 

02
Ago12

CAPITALISMO - Soneto de Onze Sílabas Métricas

Maria João Brito de Sousa

 

Sobram-lhe as migalhas dessoutra fartura

Que o sistema cria, que o cinismo inventa,

Do pouco que fia mas que o não sustenta

Porque se alimenta só de “dita”… e “dura”,

 

Sobejam-lhe as rendas da falsa candura

Que, qual maré alta, num crescendo aumenta

Pr`adornar uns quantos, porque a “plebe” aguenta

Os desequilíbrios desta arquitectura.

 

 

Se contra mim falo porque uma injustiça

Tudo o que não calo foi trazendo à liça

E, pouco fazendo, tão pouco produzo,

 

Levanto o meu punho como se o fizesse!

Mais saudável fora, mais força eu tivesse,

Mais protestaria contra os tais que acuso!

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 02.08.2012 – 15.58h

 

 

 

IMAGEM -  Blind Man`s Meal - Pablo Picasso, 1903

 

Soneto hendecassilábico

 

 

 

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