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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
25
Dez11

A DEMISSÃO DA PALAVRA

Maria João Brito de Sousa

 

Brotaram, de repente, absurdos gritos

Do eixo da palavra atormentada

Onde os sintomas – todos! - são malditos

Prenúncios de revolta estrangulada

 

E à digestão dos ecos mais aflitos

Por excessos duma ceia inesperada,

Somaram-se, por fim, dois sonhos fritos

À privação geral… mas consolada!

 

A vocalização desconstruiu-se

Na absurda convergência da partida,

E, pouco a pouco, a chama consumiu-se

 

No pavio duma rima já sumida

E a palavra ergueu-se e demitiu-se

Da principal função da própria vida…

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 25.12.2011 – 22.55h

18
Dez11

MAIS UM NATAL...

Maria João Brito de Sousa

 

 

Natal… como se o Céu pudesse, agora,

Mudar, de um sopro só, a Terra inteira,

Reinventando o Mundo de maneira

A decidir quem nasce a cada hora,

 

Como se o Sol, que tanto revigora,

Fosse o supremo fim desta canseira

E a luz que dele emana, a derradeira

Função dos mil milénios da demora…

 

Natal… como se as águas não chorassem,

Como se as pradarias não pulsassem

Na floração selvagem dos seus lírios,

 

Como se as pedras não se demorassem

E as chamas, a tremer, não se apagassem

Já gastas nos pavios de antigos círios…

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 18.12.2011 – 15.17h

 

13
Dez11

SEI LÁ QUANDO....

Maria João Brito de Sousa

transferir (8).jpg

 

 

É de longe que venho. O que eu vivi!

 

Quantos prados eivados de ribeiras,

 

Quantos penhascos, quantas ribanceiras

 

E quanto esconso vale eu não corri

 

 

 

E o que passou correndo e que nem vi,

 

Na pressa de correr? Entre carreiras,

 

Se perdem forças, se ganham canseiras,

 

Se esquece tanto quanto eu já esqueci.

 

 

 

Às vezes muito tarde, noite afora,

 

Esperando a madrugada, como agora,

 

De pálpebras cerradas, mas sonhando,

 

 

 

Outras vezes de dia, a qualquer hora,

 

Grafando a irreverência da demora

 

Nalgum  quase insondável “sei lá quando”…

 

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 13.12.2011 – 21.16h

 

 

 

Imagem de um dos megalitos da Ilha de Páscoa, retirada da internet

 

11
Dez11

O RENOVAR DAS PENAS ou NINGUÉM VOA SEM PENAS...

Maria João Brito de Sousa

Pobrezita de mim, que não sei ser

Senão uma avezinha que gorjeia

E, sobre asas cortadas, revolteia

Sempre a tentar voar, sem o poder.

 

O que nos versos meus ousei dizer,

Suavizará as penas de quem leia

E pode até tocar quem remedeia

Asas que outrém cortasse, sem saber…

 

Sobram penas caídas… venham novas,

Geradas na matriz das próprias covas

Das penas que caíram! Velhas penas...

 

Mãe Natureza, eu sei que tu me aprovas

Quando em folhedo e pétalas renovas

Arbustos, ervas bravas, açucenas…

 

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 11.12.2011 – 17.44h

 

 

 

Imagem retirada da internet, via Google

10
Dez11

RETRATO DE MANADA ATRAVESSANDO UMA ESTRADA ou NOVOS SENTIDOS PARA VELHAS ESTRADAS

Maria João Brito de Sousa

Mui paulatinamente, uns três ou quatro,

Irão adiantando a caminhada

Usando da prudência e do recato

Comum à persistência da manada...

 

Passaram já as águas de um regato,

Estão perto de uma via alcatroada

E alguns já vão pisando a velha estrada

Assim que alguém lhes tira este retrato...

 

Os carros, que são poucos, vão parando

E os cascos vão cobrindo o duro asfalto

Conforme a via inteira vai ficando

 

Recoberta de dorsos coloridos,

Como se a natureza, em suave assalto,

Tentasse dar à estrada outros sentidos...

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 10.12.2011 - 14.49h

 

 

Imagem "descoberta" na net

06
Dez11

ALENTEJO II

Maria João Brito de Sousa

Ó terra de oiro antigo e céu sem fim

Pontilhada de verde e de castanho,

Eu quero-te sem prazo e sem tamanho

Com este querer maior que existe em mim

 

Terra de ervas e flores, como um jardim

Espraiando-se orgulhoso em chão de antanho

E onde o corpo móvel de um rebanho

Nos surge e se nos deixa ver, assim.

 

Que o teu povo magoado te acrescente

Os laços sempre férteis da semente

E possa eternizar-te no seu  "cante "

 

Que a tua voz se eleve eternamente,

Que sempre seja livre a tua gente

E que haja em ti fartura a cada instante!

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa  06.12.2011 - 15.21h

 

Reformulado a 22.11.2015

 

 

Imagem do Alentejo, retirada da internet

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