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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
28
Nov11

CICLO - Sonetilho

Maria João Brito de Sousa

Espero dar-te uns rebuçados

Duns tantos que cozinhei

Na panela dos pecados

De que nem sequer provei,

 

Mas talvez os resultados,

Sendo mais do que eu pensei,

Possam ser concretizados

Apesar do que não dei...

 

Amanhã nasce o poema

Que me desperta, por fim...

Temo bem que ninguém tema,

 

Da mesma forma, por mim...

(murcharei, mas tenho pena

de não ficar sempre assim...)

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 28.11.2011 - 16.40h

26
Nov11

PALAVRAS DE UM DISCURSO SUICIDA (sem fundamento)

Maria João Brito de Sousa

“- Reinvente-se uma morte antecipada

Pois só dessa nos surgem resultados!

Que, da antecipação - reinventada,

Possam, depois, crescer mil novos laços!

 

Reinvente-se a a vida abreviada

Pelo braço letal dos erros crassos

Que ao longo desta absurda caminhada

Semeámos por cá, em vez de abraços!”

 

Só quem for louco aceita e lhe obedece

Porque a transformação sempre acontece

No seio de infinitas variáveis

 

Que o Tempo de viver modela e tece

Ao longo de uma História que o não esquece

Mesmo soprando em fúrias insondáveis…

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 26.11.2011 -19.24h

20
Nov11

SONETO A UMA MARIA SEM CAMISA

Maria João Brito de Sousa

… e quando, um dia, o mar vier beijar

A luz desse luar que te ilumina

E se afundar, depois, na areia fina

Das praias desenhadas, só de olhar,

 

Não terá sido em vão esse cantar

Que ecoa em ti, que desde pequenina

Entoas no dobrar de cada esquina

Das ruas que pudeste visitar

 

Porque soubeste, em ti, salvaguardar

O estranho encantamento da menina

E, ultrapassando a mágoa que te mina,

 

Pudeste, em consciência, não vergar,

Mantendo-te intocada e feminina

No sopro original que assim te anima

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 20.11.2011 – 16.00h

12
Nov11

CANSEI-ME...

Maria João Brito de Sousa

Cansei-me de pedir-te ao tempo irado…

Cansei-me de chamar-te e, se chamei,

Foi soprando palavras que nem sei

Se o tempo as entendeu, se as pôs de lado…

 

Chegaste, enfim, mas longe do cuidado

De cuidares deste quanto me cansei,

Quiseste impor-me o esforço de outra lei

Ao meu corpo poema-emancipado...

 

Não terei, hoje, a força pr`a mudar-te

E escrever-te é melhor que desprezar-te

Depois de tanto inútil chamamento,

 

Mas há-de vir o dia em que chamar-te

Não mais será preciso e condenar-te

Não fará mais sentido que um lamento...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 12.11.2011 – 13.41h

01
Nov11

UM POENTE DIFERENTE, À BEIRA-TEJO - Cavalo desenhado a ferro e fogo

Maria João Brito de Sousa

Quis falar do Mondego e, na verdade,

É desta foz do Tejo que vos falo,

E cresce cá por dentro a voz que calo

Pr`a conter as saudades sem saudade.

 

Solta-se o sonho oblíquo à claridade

E a linha de horizonte é um cavalo

Que não sei se lá está, se imaginá-lo

É mera ilusão de óptica, ou vontade,

 

Pois galopa um poente à beira Tejo

Rumo a estranhas lonjuras que nem vejo

Por estarem tão além do meu futuro

 

Que, do que vi, me sobra o claro espanto

De um cavalo-solar que aqui levanto

Rasgando, a ferro e fogo, um céu já escuro.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 01.11.2011 – 16.00h

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