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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
30
Dez10

A PONTA DO VÉU

Maria João Brito de Sousa

 

 

Disto, que te não escondo, nada nego;

Nem o intenso olhar com que te fito,

Nem, vago, o esgar da dor que quase evito

Mas te revela o meu desassossego.

 

Do resto, que não disse, nem delego

Na boca de outro alguém, pois não admito

Que um outro assuma aquilo que foi escrito

Noutro modo verbal que nunca emprego,

 

Do restante - dizia – e dessas letras

Que, em tempos, me ficaram por escrever

Nos papéis que recordo (ou vejo e sinto?),

 

Surge a ponta do véu que esconde as metas

Que nunca revelou, mas, sem saber,

Te irá, depois, mostrar que te não minto.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 29.12.2010 – 19.01h

 

 

29
Dez10

RABISCANDO UMAS ASAS DE PAPEL

Maria João Brito de Sousa

 

 

Cada verso me nasce, sem pedir,

Com asas de papel, corpo de chama,

Quando, nele, em voz alta se proclama

Tudo quanto me doa… se o sentir…

 

 

Cada verso que "roubo" é, sem mentir,

Isento de razão, alheio à fama,

Surgindo como a chuva se derrama

Sobre eternas planuras a florir.

 

 

Cada qual se reforça quando afirma

Seu derradeiro apelo à solidão;

Rabisco mal  esboçado, mas urgente

 

 

De quem dispensa um outro que o redima…

Por cada verso, a ponte em suspensão

Entre aquilo que sou e toda a gente…

 

 

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 29.12.2012 - 14.51h

28
Dez10

O DIA "SIM"

Maria João Brito de Sousa

 

Há dias em que tudo me transcende;

A rota de um cometa, a Terra, o Céu…

[as coisas que aqui vejo, Deus mas deu,

mas só porque, quem sou, logo as entende…]

 

 

Nesses dias, serei quem compreende

Que o mundo, revelado, é todo meu,

Que basta levantar a ponta ao véu

E a chama que há em mim logo se acende…

 

 

Mas se é certo que um dia não são dias,

Que os mais me trazem duras agonias,

São coisas que se esquecem pois virão

 

 

Os que trarão sorrisos, alegrias,

Os do deslumbramento e fantasias;

Há sempre um “dia sim” nas “vidas não”...

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 28.12.2010 -12.09h

27
Dez10

DA INEXPLICABILIDADE DO POEMA

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

PUPPEN THEATER - 1923 – Aguarela sobre fudo de giz sobre dois papéis, debruado a aguarela e pena sobre cartão

Paul Klee

 

 

 

 

Como se me nascessem quando quero,

Como se eu carregasse num botão

E se materializasse a inspiração,

A tal que só me vem quando a não espero...

 

Como se fosse simples! Não tolero

Ser submetida a tanta sujeição!

Mas, se sou eu quem me comanda a mão,

Quem o comanda a ele? E desespero...

 

Mostra vontade própria, esse poema

Que faz o que quer porque nasceu

Do que não sei explicar, desse mistério

 

Que veio não sei de onde e, sem um tema,

Desceu sem me dizer por que cresceu

Tal qual como um ser vivo, sendo etéreo.

 

 

Maria João Brito de Sousa – 23.12.2010 – 17.10h

 

 

 

 

NOTA DE EDIÇÃO - Por esta estrada*, caminha-se para o subtítulo do Poetaporkedeusker, para a minha paralela paixão pela biologia, para o entendimento – ou não… - da abstracção e para todas as inexplicabilidades. Esta foi construída por mim e traz marcadores que são meus, que têm a ver com o percurso que eu escolhi depois da interacção com todas as infinitas variáveis que se me foram apresentando ao longo do caminho… mas é também, de alguma forma, a vossa estrada porque, na sua essência, nos remete, a todos, para a inexplicabilidade, em geral.

Façam favor…

 

 

 

 

*soneto…

 

 

 

 

22
Dez10

PARA ALÉM DA DOR - Humana Condição II

Maria João Brito de Sousa

 

Não escreverei até que as mãos me doam

Pois muito além da dor, ainda escrevo

E, às vezes, digo tudo o que não devo

Que nem deuses, nem o homens me perdoam,

 

 

Mas, se pressinto as rimas que ressoam

E se acaso as alcanço, onde me atrevo,

Prendo-as nas duas mãos que logo elevo

Em estandartes, como aves quando voam.

 

 

São asas transcendentes, vigorosas,

Vermelhas como as pétalas viçosas

Que preferem morrer a ser vencidas

 

 

 

Em estrofes que persistem, que, teimosas,

Brandem espinhos agudos, como as rosas

Que sempre os usarão quando colhidas.

 

 

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 22.12.2010 – 00.13h

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

http://www.dominiopublico.gov.br/  - Um site que recomendo e que corre o risco de terminar por ter muito poucos visitantes

21
Dez10

A BEM DA VERDADE

Maria João Brito de Sousa

 

Noutro ponto qualquer desta viagem,

Num dia a que não sei dizer o nome,

Encontrarei, talvez, força e coragem

Pr´a negar esta absurda, humana fome.

 

 

Terei, enfim, traçado a minha imagem

E não haverá mundo que me dome

Pois serei, de quem fui, simples miragem

A diluir-se na luz em que se some.

 

 

Será num tempo ainda por chegar,

No desaguar de um rio que ruma ao mar

Na barca destas tábuas que talhei…

 

 

Será onde eu couber, mas há-de ser!

E é tudo o que, pra já, posso dizer

Porque, a bem da verdade, eu nada sei!

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 20.12.2010 – 19.59h

20
Dez10

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XXIV

Maria João Brito de Sousa

 

 

MISTÉRIOS DE TODAS AS POÉTICAS

 

 

Há gotas de suor nos meus sonetos,

Jorrando de outros poros, porque os meus

Não podem entender tantos dialectos

E portam-se, por vezes, como ateus

 

 

Que pasmam só de olhar os riscos pretos

Feitos – quem sabe… - pela mão de Deus,

Destes grafismos estáticos, erectos,

Que descrevem o Mar, a Terra, os Céus…

 

 

Inunda-me, o poema, o corpo inteiro,

Escorrendo como a tinta de um tinteiro

Que outro alguém, derrubando, não quisesse

 

 

Aceitar nas palavras que eu emprego

E, à pressa, derramasse um grito negro

Sobre o que eu escreveria… se pudesse.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 18.12.2010 – 18.36h

 

 

 

CONDICIONALISMOS, COMODISMOS E RECEIOS, S.A.

 

 

Eu cantaria a rosa que há em mim,

Mas posso muito bem vir-me a esquecer,

Ou mesmo perguntar-me, até ao fim:

- Se um espinho me picar, irá doer?

 

 

Eu cantaria as ervas de um jardim

Até o mundo olhar e entender

Mistérios numa haste de alecrim...

Mas se ele for cego e nunca o puder ver?

 

 

Há preconceitos e receiozinhos

Que vão atando as mãos da minha voz

E que me vão deixando assim, perdida

 

 

Na conjectura de actos comezinhos…

Ficam flores e jardins muito mais sós

E assim se vão as horas de uma vida.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 15.12.2010 – 19.19h

 

 

 

 

 

 

NATAL - Amor, simbolismos e metáforas

 

 

Tão leve é o seu jugo… e já chegou

O tempo de afastar toda a cegueira

Porque o Tempo cresceu, tudo mudou,

Mas nunca foi Natal na Terra inteira.

 

 

Tão suave a sua carga… e demorou,

Como qualquer terrena sementeira,

O tempo necessário, o que bastou,

Pra dar vida ao escondido na poeira.

 

 

Tão ínfimo e tão grande! Que pesada

A mão que desferiu a chicotada,

Qual célula a cumprir suas funções

 

 

Em troca do perdão, na consoada,

Escolhe nascer na mesma humana estrada

Em que, ao morrer, reinou sobre as paixões.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa– 16.12.2010 - 19.25h

 

 

 

 

 

17
Dez10

DA SINUOSIDADE DOS RIOS E DA QUALIDADE DOS DISCURSOS

Maria João Brito de Sousa

 

Há rios mais caudalosos, outros menos,

Há-os com margens planas, ou escarpadas,

Com percursos maiores, ou mais pequenos,

Com e sem quedas de água alvoroçadas...


Há discursos que são como venenos

Cheios de frases “feitas”, tão estafadas,

Que não contribuirão pr`ó que aprendemos

Pois só repetem coisas já escutadas…


Há rios que têm leitos tão constantes

Que, ao passar, deixam tudo como dantes,

Que nunca nos farão nem bem, nem mal…


Assim se hão-de pautar vossos discursos;

Os rios mais sinuosos nos seus cursos

Podem nem nos trazer grande caudal…

 

 


Maria João Brito de Sousa – 16.12.2010 – 20.12h

16
Dez10

O NASCIMENTO DA PALMEIRA - Uma perspectiva metafísica

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

Na tarde imaginária e soalheira

De um pedaço de terra por escrever,

Isolada, crescera uma palmeira

Junto a um curso de água por nascer.

 

 

Ninguém soube dizer se era a primeira

Pois não teve ninguém pr`á receber

E ninguém nos dirá se a derradeira

Pois sei que mais ninguém a pode ver.

 

 

Na tarde calma despontou, contudo,

Fazendo ouvir um estranho apelo mudo

Que não seria audível pr`a ninguém.

 

 

Nasceu,  mas foi por pura antinomia

Ou  mera sugestão de uma ironia

Que a neguei mas que quis nascer, também.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 14.12.2010 – 19.12h

 

15
Dez10

PARA O OUTRO LADO ...

Maria João Brito de Sousa

 

De um céu escuro, fechado e opressivo,

Surge aquele astro em vias de reforma

Que não pára, que brilha e contra a norma

Nos dizem estar sobejamente vivo!

 

Pr`a leigos, aquele astro é tão excessivo,

Quão impensável tudo o que transforma

O ecrã plúmbeo de uma tarde morna

Num filme censurável, intrusivo...

 

Que astro seria aquele que então brilhava,

Que, passando a correr, se partilhava

Sem que ninguém soubesse de onde vinha?

 

Que mistérios trará? E nem sequer

Nos mostra claramente o que nos quer,

Nos dá conta da luz que o encaminha…

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 09.12.2010 – 18.56h

 

 

NOTA DE EDIÇÃO DE POST – Eu, como qualquer revolução que se preze, também paro em todos os sinais vermelhos…

Pág. 1/2

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