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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
04
Ago10

A VELHA MORADIA DO DAFUNDO

Maria João Brito de Sousa

Aquela casa velha que sabia

Todos os tempos de outro verbo “amar”

Era um templo sagrado que se abria

De cada vez que a ia visitar…


 

Havia um areal que se estendia

Da orla ribeirinha até ao mar,

Que rescendia a vida e maresia

Naquele avo de costa por explorar…


 

Morava Deus, naquela velha casa

Por obra de um mistério que defino

Como o mais transcendente do meu mundo


 

Pois despontava-me uma ou outra asa

E renascia em mim um Deus Menino,

Na velha moradia do Dafundo…

 

 


 

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

 

03
Ago10

"MUDASTI?" ou O ESTRANHO FENÓMENO DO "INCHAÇO" TELE-INDUZIDO

Maria João Brito de Sousa

 

Fui ver-me em televisão

E não me reconheci;

“- Mas que grande confusão!

Quem será aquela, ali?”


Só a voz me elucidou,

Pois reconheci-me nela,

Porque o resto “levedou”

Como massa na tigela…


Quem poderia jurar

Que aquele “ mostrengo” era eu?

Mas terei de confirmar

Que o discurso, esse, era meu!


Àqueles que já me conhecem

Nem sei como esclarecer

Pois todos eles me merecem

O que agora vou dizer;


Não sei o que se passou,

Nem sequer sei a razão

Porque a minha cara inchou

Como se fosse um balão…


Até rugas me nasceram

Onde agora a pele é lisa!

Que mistérios me trouxeram,

Do tempo, tanta divisa?


Parecia um bicho disforme

E nem queria acreditar

Que aquela mulher enorme

Fosse “eu”, ali, a falar!


Dizem que cinco quilinhos

Podem ser acrescentados,

Mas bem vi que os danadinhos

São cinquenta… e bem pesados!

 


Maria João Brito de Sousa – [em estado de choque

depois de me ter visto na televisão… 02.08.2010]

 

 


 

02
Ago10

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XV

Maria João Brito de Sousa

 

FERRUGEM

 

 

Era uma vez um cão, simples rafeiro,

Que foi mais do que um príncipe encantado,

Que foi meu guardião, a tempo inteiro,

Que viveu, dia e noite, a nosso lado.


Um cão de carne e osso, verdadeiro,

Capaz de obedecer sem ser mandado,

Capaz de, abocanhando, ser certeiro

E entregar-me o que fora abocanhado…


Ferrugem, de seu nome, um simples cão

De pelo raso e de porte altaneiro,

Meu conselheiro- o melhor que já tive…-


Dos muitos que me lêem, quais serão

Capazes de entregar-me – sem dinheiro… -,

De forma tão total, quanto em si vive?

 


Maria João Brito de Sousa – 31.07.2010 – 17.33h

 

 

 

SENHOR DO MEU LUAR

 

 

Encontrei-te, senhor do meu luar,

Depois de uma tragédia, sob escombros,

Depois deste naufrágio do meu mar,

Depois desta invenção dos desassombros.


Cerquei-te, meu senhor, do meu cantar,

Tomei as tuas mágoas sobre os ombros

E tudo o que pedi foi um lugar

Que albergasse a razão de tais assombros,


Mas tu, senhor das luas que eu alcanço,

Deixaste, por momentos, que eu esquecesse

Que havia, ainda, espaço pr`a quem sou


E o mesmo naufrágio, num remanso,

Veio chamar-me pr`a que não perdesse

Memória do tal mar que me afogou…

 


Maria João Brito de Sousa – 30.07.2010 – 20.00h

 

 

DEPOIS, SEMPRE DEPOIS...

 

 

Se num dia qualquer, sempre depois

Do dia que por nós foi combinado,

Acontecer juntarmo-nos, os dois,

Falando sobre as coisas do passado…


Se a conversa for longa, se sorrirmos

Lembrando o nosso absurdo e “ledo engano”

E se, apesar de tudo, conseguirmos

Que nada disso cause qualquer dano,


Então – e só então – teremos sido

Amigos de verdade e em verdade

Poderemos dizer que sempre o fomos


Por enquanto o melhor é este olvido

E esta ausência total de uma saudade

Enquanto eu nem sequer souber quem somos.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

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