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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
18
Ago10

QUANDO EU MORRI

Maria João Brito de Sousa

 

Quando eu morri, voltei para entender-me

Com as coisas que a vida me negara

E, talvez, para, enfim, reconhecer-me,

Redescobrir, num rosto, a minha cara…


Não me sabia nesse anteceder-me

À noite, sendo ainda manhã clara

E quando a madrugada veio ver-me

Encontrou este pouco que sobrara…


Mas, quando morri mesmo e percorri

A estrada que se julga ser final

E, depois fiz, inverso, esse caminho...


Não sei por que razão me decidi

A este recomeço vertical

Do mundo acidental do que adivinho!


 

 

Maria João Brito de Sousa

17
Ago10

CONVERSAS DE MÃE PARA FILHO

Maria João Brito de Sousa

 

Correste encosta abaixo e não paraste

Senão quando chegaste à beira mar;

Decerto te esqueceste de abrandar

E na espuma das ondas mergulhaste…


Ainda me recordo que choraste

Quando sentiste a rocha a penetrar

Tua fronte molhada, a gotejar

Da mesma espuma em que te aventuraste…


Recordo um outro dia, há tantos anos,

Em que sofrendo muito poucos danos

Me vieste, a correr, pedir miminhos


Mostrando uma equimose que ficou

E, a seguir, - a dor logo passou! -

Cobri-te o rosto inteiro de beijinhos…

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

 

 

Li estas palavras de alguém que não consigo evocar com exactidão. Penso que terá sido Jorge de Sena;

 

"Um dia aprenderemos a libertar-nos da morte, morrendo contudo..."

 

16
Ago10

HOJE NÃO HÁ SONETOS!

Maria João Brito de Sousa

 

Hoje não há sonetos. Tenho dito!

Passei a tarde inteira a trabalhar,

Dói-me muito a cabeça e acredito

Que ela me vai, decerto, rebentar!


O livro há-de sair. Está bem bonito

E até eu começo a acreditar

Que o esforço vale a pena e foi bendito

Cada instante que nele pude empregar…


Pequenas Utopias… tão pequenas

E tão grandes…[ que eu sei que trabalhei

mais, nelas, do que um escravo nas galés!]


Mas estas, como utópicas melenas,

São as que fiz de mim, que em mim criei,

Como este infindo mar de outras marés…

 

 


Mara João Brito de Sousa – 15.08.2010 – 21.41h

 

 

 

Disseram-me, em 2007, que o soneto clássico "já não se usa"...

Ainda hoje me rio disso... dizer que o soneto não se usa é o mesmo que dizer que

H. Bosch, Shakespeare e Mozart não estão "na moda"!

13
Ago10

ENQUANTO A MINHA TERRA VAI ARDENDO...

Maria João Brito de Sousa

 

(Soneto em decassílabo heróico)

 

Enquanto a minha terra se incendeia,

Outro enlutado céu se vai doirando

E, à pressa, se evacua uma outra aldeia

De que se vai o fogo aproximando,

 

 

Surge, em mim, de repente, estoutra ideia

E, sem me arrepender, vou escrevinhando

Que, na terra que as chamas vão lavrando

Em mim, é outro o fogo que se ateia

 

 

E, sem remorso algum - porque inocente… -,

A pequenina chama dos poemas

Já lavra no meu peito e vou escrevendo…

 

 

Não me apodem, contudo, de indiferente!

Apenas vou cantando os meus problemas,

Enquanto a minha terra vai ardendo…

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 12.08.2010 -22.07h

 

 

 

 

À Zilda Cardoso e ao Artesão Ocioso

que, esta tarde, me fizeram reflectir, mais

longamente, sobre o sentido do conceito de culpabilização.

 

Ao Verão escaldante da minha pobre terra.

 

 

Imagem retirada da internet

 

 

12
Ago10

FALA-ME DE TI...

Maria João Brito de Sousa

 

Vem falar-me de ti, faz-me o favor!

Ouviste bem, não estou a “judiar-te”,

Pois olhando-te eu sei, conquistador,

Que seria imprudente não falar-te…


Portanto, conta lá – se és falador… –

Que eu juro nunca ousar contrariar-te!

Fala-me, um pouco só, desse temor

Que posso pressentir, tão só de olhar-te.


Eu sei que este convite inusitado

Te pode parecer disparatado,

Que é provável que tu me não respondas,


Mas, só pr`a não ficar sem dizer nada,

Convido e fico à espera, bem calada,

Que me fales de ti, que te não escondas…

 

 


Maria João Brito de Sousa

 

 

 

COSTUMO DIZER, EU :) - Quando era criança pensava que poderia mudar o mundo. Hoje tenho a certeza absoluta que nenhum de nós poderia deixar de o fazer, por muito que tentasse.

 

11
Ago10

A SIBILINHA

Maria João Brito de Sousa

 

 

Olhei-te sem te olhar. Tu balançavas

As longas pernas sobre o velho muro

E, contemplando as nuvens, gargalhavas

Enquanto o dia se ia pondo escuro.


Depois veio o trovão, como esperavas,

- porque tu conhecias o futuro! –

E as águas dos céus, que comandavas,

Jorraram sobre ti, de modo impuro…


Assim te vi, assim te descrevi.

Talvez existas num qualquer lugar,

Talvez sejas tão só uma invenção,


Mas, existas ou não, já percebi

Que, a mim, só me interessava mergulhar

Na tua incomparável solidão…

 

 


Maria João Brito de Sousa – 10.08.2010 – 23.51h

 

 

 

IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

10
Ago10

DÓI-ME O PLANETA...

Maria João Brito de Sousa

 

Não dói só o país… dói-me o planeta!

Dói-me a Terra inteirinha; em baixo, em cima…

Enfoco os pormenores, torno-me esteta,

Como se a Terra fosse uma menina…


Eu, lobo solitário, eu feita asceta,

Profunda como os túneis de uma mina,

Afirmo-me magoada e grito, erecta,

A dor imensa desta absurda sina.


Doem-me os rios, os mares, os continentes…

Dói-me, por toda a parte, o mundo inteiro

E a chuva que em mim cai é como o lodo


Que já não é só água, ó indiferentes!

Vem ácida, cinzenta e tem mau cheiro

A chuva que me banha o corpo todo…


 


Maria João Brito de Sousa – 10.08.2010 -01.37h

 

 

Costumo dizer, eu; "A arte é a única forma de obsessão que é saudável e desejável. Se não for obsessão... tenham paciência; não é Arte!"

09
Ago10

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XVI

Maria João Brito de Sousa

UM BEIJO POR UMA HISTÓRIA

 

 

Fecha-me os olhos,” finta-me” a vontade

[ele há lá beijo que ousasse esquecer-me…]

E garante, depois, que foi verdade

O que mais tarde irá acontecer-me.


Não venhas desmentir-me; isto é saudade

Pois se o não fosse… como conhecer-me?

Nestas coisas do sonho, sem maldade,

Que a noite vem, por vezes, conceder-me,


Existe um quase-nada que fascina

E a dúvida, se existe, é dissipada

Por mil estranhos conluios da memória


Pois foi há tanto tempo… era eu menina

E mesmo não sabendo quase nada

Fazia, já, do sonho a minha história…

 

 


Maria João Brito de Sousa -08.08.2010 – 18.14h

 

 

UM MOMENTO DE PAUSA

 

 

Foi nas margens de um lago virtual

Onde, às duas por três, quis descansar

Que encontrei um estranhíssimo animal

Que por ali andava a vaguear…


Não podendo inseri-lo no normal,

Arquivei-o na pasta de “Invulgar”

E, sem que eu lhe fizesse nenhum mal,

Acabou, afinal, por “pôr-se a andar”…


Não se sabe o que pode acontecer

Quando um estranho animal nos desafia,

Desmentindo esse pouco que aprendemos…


Este fugiu de mim, que o queria ver,

Outro talvez pareça que confia…

Mas fujamos daquele que nunca vemos!

 


Maria João Brito de Sousa –

 

 

 

A DESCOBERTA

 

 

Serei sempre essa linha que escreveste.

Desígnios que não sei, me traçam torta,

Mas foi, contudo, a mim que Tu escolheste

No dia em que bateste à minha porta…


Tal qual uma gaivota, uma andorinha,

Traçando, noutros céus, seu rumo certo,

Serei trilho imperfeito em que caminha

Outro povo perdido… e outro deserto.


Inóspito rochedo em parte incerta,

Serei floresta virgem - mas aberta… -

Ao teu olhar sereno e vigilante,


Semente de alvorada que desperta

Que, por Ti, parte, ainda, à descoberta

Dos desígnios da vida, doce Infante!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

 

 


06
Ago10

À BLUSA QUE ME OFERECERAM E QUE EU VESTI SEM SABER QUE ERA TRANSPARENTE

Maria João Brito de Sousa

 

Não fora eu distraída como sou

E não teria rido como ri,

Por isso, antes nem ver como ficou

A blusa transparente que vesti…


Pode ser criancice, mas estou

Ridícula… e não me arrependi

E se houve alguém que viu e não gostou,

Paciência! Só depois é que eu me vi…


Com tanto acto-falhado e tanta asneira

A vida até parece brincadeira

E muito raras vezes me arrependo,


Pois, sabendo aceitar a maluqueira,

Podemos rir-nos sempre, a vida inteira

[assim, amigos meus, se vai vivendo…]

 

 


Maria João Brito de Sousa

05
Ago10

A PARTILHA

Maria João Brito de Sousa

 

Quando um novo horizonte me chamava

Era nas coisas – todas! – que  sentia,

Que voava pr`a  ele, nele aterrava,

E que, depois, na volta, em mim trazia,

 

Pois sempre alcancei quanto desejava

E soube que jamais me afastaria

Daquelas – tantas... - coisas que encontrava

Nesse mundo longínquo que antevia.

 

Aonde quer que os olhos me levassem,

Desse pouco de mim que semeassem,

Brotava, de repente, uma outra ilha…

 

Meu corpo era fronteira, era embalagem,

E a ilha encantada era a voragem

Que a mim me devorava. Era a partilha.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 04.08.2010 – 19.05h

 

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