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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
30
Abr10

POETA, ANTES DE MAIS...

Maria João Brito de Sousa

 

Aqui, nesta cadeira em que me sento,

Me assumo e sou Poeta a tempo inteiro.

Outro poeta aqui escreveu primeiro

E aqui se foi traçando o seu lamento.

 

Aqui escrevo, depois de tanto tempo,

Meu estro de poema derradeiro

De onde me vem arrojo verdadeiro

De ser, antes de mais, poema ao vento.

 

Ser poeta, contudo, exigirá

Uma vida vivida ao Deus-dará

E um viajar por dentro a toda a hora.

 

"Poetar" é um verbo que nos dá

A certeza de ser, não estando cá,

De ser, mesmo depois de irmos embora.

 

 

Maria João Brito de Sousa - Abril, 2010

 

 

 

 

 

APELO - São três cachorros adultos (um macho e duas fêmeas) dóceis, amorosos e inteligentes:  O SCOOBY, a PIKENA e a  DICK .

Se até ao dia 5 de Maio não conseguirem arranjar uma nova família serão enviados para o canil e lá, as probabilidades de sobrevivência são escassas.

Se não puder acolhê-los, por favor, passe esta informação a quem eventualmente possa adoptar.

 

Contatos com:

http://araujo.wordpress.com/2010/04/10/procuram-novo-lar/

28
Abr10

O INTRUSO [perspectivas]

Maria João Brito de Sousa

 

Repararam? A portinhola ficou aberta. São os vestígios daquele enorme intruso que todas as manhãs tenta invadir o meu espaço. Nunca consegue... é demasiado grande e desajeitado, mas continua a tentar, invariavelmente. Passa uns tempos naquela azáfama e acaba por deixar-me alimentos e água fresca como se com isso pudesse comprar a minha identidade... pobre intruso. Não é mau de todo, embora seja absurdamente ingénuo. Por vezes esforço-me por entendê-lo. Que razões o levarão a invejar-me? Sigo-lhe, curioso, cada movimento. Observo-o até que o tédio me force a recolher a cabeça sob uma das asas. Confortável, esqueço-o por momentos e mergulho neste oceano cuja nascente começa algures dentro de mim. Nunca é longo, o descanso... logo o intruso arranja forma de se tornar audível. Não sabe estar sozinho e solicita-me continuadamente. Por vezes - quantas vezes - sem paciência, volto a observá-lo. Cá no fundo, enche-se-me o coração de um dó que extravasa as minhas penas e as grades da gaiola. Imagino-o a reduzir-se em volume e altura, a entrar-me, finalmente no espaço sagrado. Sorriria se soubesse sorrir. No entretanto, faço ouvir os meus trinados, para o consolar. Só para o consolar de ser assim, enorme, desajeitado, incapaz de acomodar a cabeça debaixo de uma asa, na infinda continuidade do ovo que um dia foi.

 

 

 

 

 

Numa corrida para a http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/

27
Abr10

TELA

Maria João Brito de Sousa

Serenamente pinto os amanhãs

Do grito azul da forma inacabada

E o meu eixo lunar das horas vãs

Afasta-se, por fim, da antiga estrada

 

Talvez depois um rio venha abraçar-me

Na transversal de um tempo por nascer

Ou talvez seja tempo de encontrar-me

Onde antes me pensei vir a perder

 

Serenamente azul, deponho um verso

Junto à campa de um sonho que morreu

Nos braços virtuais de cada estrela

 

Serenamente tomo o rumo inverso

Do sonho matinal que se perdeu

No branco intemporal da velha tela

 

 

 

25
Abr10

ABRIL, SEMPRE!

Maria João Brito de Sousa

Eu trago Abril nas mãos, Abril no peito,

Trago Abril na memória em tempos idos

E trago, nos meus sonhos mais floridos,

Um cravo que abraçava amores-perfeitos.

 

Abril, com qualidades e defeitos,

Esse Abril dos projectos consentidos

Que os homens e mulheres mais decididos

Ergueram contra falsos preconceitos

 

Nasceu Abril na terra do canteiro

Quando o mundo sentiu que Portugal

Despertara, por fim, pr`a igualdade

 

O cravo floresceu no mundo inteiro,

Toda a gente quis ter um cravo igual

E fez-se ouvir um hino à liberdade!

 

 

 

 

Um feliz 25 de Abril para todos vós! {#emotions_dlg.redflower}

 

22
Abr10

MENSAGEM - Abril de 2010

Maria João Brito de Sousa

 

Peço desculpa por me não identificar. Muito provavelmente nem deveria estar a fazer isto, mas senti que seria importante divulgar esta mensagem. Talvez me tentem descobrir através do IP, por isso serei breve. Estou aqui porque a mulher que criou este blog foi, ontem à tarde, detida para averiguações. Sei-o porque presenciei tudo, escondido atrás de uma sebe que ninguém se lembrou de sacudir.

 Ao que parece, a mulher publicou um artigo no http://contra-sensual.blogs.sapo.pt/ que funcionou como elemento catalisador da detenção. Pelo que me foi dado entender, a mulher era alvo de um cuidadoso estudo por parte da PIDE e só não fora ainda detida por se não terem encontrado provas que consubstanciassem as suspeitas. O último post foi, no entanto, considerado subversivo e capaz induzir comportamentos desviantes.

 Vi-a ser abordada por três agentes, mas não a ouvi abrir a boca a não ser para dizer que alguém teria de cuidar dos seus animais. Esta postura valeu-lhe dois valentes bofetões a que não reagiu minimamente senão para reiterar a afirmação. Foi nesse momento que um dos agentes a empurrou para dentro de um automóvel de matrícula ilegível, que partiu de imediato.

Muitos não me acreditarão. Muitos continuarão a não me acreditar daqui a muitos anos, quando tudo isto for olhado  como um pesadelo que já passou.

De qualquer forma a mensagem fica.

Temo ter-me excedido no tempo que me pode restar online. Lamento não poder dar mais informações sobre o assunto e só tenho pena de não ter a chave para poder ir tratar dos seus animais.

 

 

 

 

 

Texto acabadinho de inventar para http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/ :)

Desculpem-me o amadorismo do improviso, mas estou mesmo sem tempo e, tal como o "misterioso narrador", achei que o mais importante seria fazer passar a mensagem...

 

 

 

EM REEDIÇÃO DE POST - Não tive tempo - e agora sou eu mesma a narradora - para publicar o post de hoje, mas estes cãezinhos cuja imagem não consigo publicar mas que irão encontrar no http://araujo.wordpress.com/2010/04/10/procuram-novo-lar/scooby/, têm uma "deadline" literal que acaba no dia 5 de Maio. Se não puderem ficar com um - ou todos... - divulguem o mais rapidamernte possível.

Deixo-vos este pedido e um soneto que foi publicado em pré-datação e que só estará visível na manhã do dia 25 de Abril.

 

 

21
Abr10

ATÉ AO FIM DO MUNDO

Maria João Brito de Sousa

 

 

Até ao fim do mundo e de mim mesma,

Nas diversas camadas do "sentir",

Multipliquei-me inteira no porvir

Das páginas de um livro, resma a resma



E, até ao fim de cada pedacinho

De um corpo que é de verbo entretecido,

Sê-lo-ei pelo tempo consentido

A quem coma do pão, beba do vinho…



Até ao fim do mundo hei-de ser eu

Quem foi verbo nas ondas, nas areias,

Na lava dos vulcões, no seu clamor,



Ou quem absurdamente pretendeu

Fazer desabrochar milhões de ideias

De um momento de raiva... ou puro amor…





Maria João Brito de Sousa - 21.04.2010 - 13.54h

 

 

 

 

 

20
Abr10

A JUSTIFICAÇÃO DA SAUDADE

Maria João Brito de Sousa

 

Vem-me da Lusa Mãe, este mistério

Que, ao inundar-me a alma como um mar,

Me deixa nesta condição lunar,

Apanágio dos vates deste império...

 

Herdei do fácil verbo o ministério

Das mil coisas que estão por inventar

E esta introspecção, este sonhar,

Que um dia há-de levar-me ao cemitério...

 

Esta alma lusitana que me invade,

Preenche as mil lacunas do meu ser

E faz justificar esta ilusão;

 

Se fomos criadores da tal "Saudade",

Sejamos também donos do poder

De transformar em "Causa" uma paixão.

 

 

 

 

Na foto - Minerva.

19
Abr10

IN EQUAÇÃO

Maria João Brito de Sousa

 

Sou a soma de todos os momentos

Que passaram por mim sem me matar

Com toda esta vontade de lutar

E de me procurar nos elementos.

 

Recuso a submissão aos tais lamentos

Que são, na Poesia, o mais vulgar

E divido, depois, o que sobrar

Segundo as convicções e argumentos.

 

Triângulo imperfeito, insubmissão

Na explosão da palavra aleatória

Em átomos que fogem ao comum,

 

Serei sempre a aberrante inequação

Desta forma de estar, contraditória,

Onde o poema e eu somos só um.

 

 

 

 

 

16
Abr10

O MEU MANTO LUNAR BORDADO A OURO

Maria João Brito de Sousa

 

… mas se eu perder o extremo privilégio

Da estranha solidão deste meu lar,

Perco o melhor de mim; perco o sonhar

E a vida vai parecer-me um sacrilégio.

 

Perco toda a magia e o sortilégio

Genuíno e natural de Poetar

E fico a ser banal, fico vulgar

Como um pobre lacaio em paço egrégio.

 

Ah! Doce solidão de que o poeta

Sempre necessitou, desde a raiz,

Sempre, ávido, guardou como um tesouro…

 

Sinto, já, que me foges, incompleta…

E perco tudo aquilo que mais quis;

O meu manto lunar com estrelas de ouro.

 

 

 

 

Disse David Mourão Ferreira acerca da obra de António de Sousa ; "Cada vocação é uma ilha, cada poeta um habitante solitário."

13
Abr10

A DISSEMINAÇÃO

Maria João Brito de Sousa

 

E se o vento, amanhã, vier zunindo

E espalhar pelo mundo estes meus versos,

Eu aceitá-lo-ei, será bem-vindo,

Mesmo que assuma rumos muito adversos.

 

Sei que virá quando eu estiver dormindo,

Que alguém lhe atribuirá poderes perversos,

Que eu, então, partirei, que o tempo é findo

Pr`a estes restos meus, enfim submersos.

 

Nada, porém, detém o que foi escrito

Quando aquele que o escreveu acreditou

E nisso pôs inteiro o coração.

 

O vento, se vier, será bendito,

Concluirá, pr´a quem desencarnou,

A continuada disseminação.

 

 

 

 Querem saber uma novidade? A pequena Carolina Lucas está a vender rifas bem baratinhas para uma máquina de café! Vamos a isto?

 http://www.carolinalucas.com/bazar/loja/produto_detalhe.asp?CategoriaID=64&SubCategoriaID=0&ProdutoID=1930

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