Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

poetaporkedeusker

poetaporkedeusker

UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
11
Fev10

OS CAMINHOS DOS POETAS

Maria João Brito de Sousa

 

Uma obra é de uma vida inseparável…

Poetas? Serão sempre um pouco loucos

E existem, na verdade, muito poucos

Que abdiquem de um estatuto confortável

 

Pr`a perseguir um sonho até ao fim…

[sem apartar vivências de poemas,

quase ninguém será “poeta apenas”,

mas muitos haverá pensando assim…]

 

Vidas não se separam do que fazem,

Nem podem afastar-se do produto

Do que delas nascer na caminhada.

 

Poemas e poetas… quantos jazem

Na magoada eclosão dessoutro fruto

Duma compreensão que foi negada?

 

 

IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

10
Fev10

A CAUSA

Maria João Brito de Sousa

 

Aqui, no desempenho da missão

Que transcende a humana competência,

Transmutando-me em jogos de paciência,

Eu tento-vos falar da redenção.

 

Por esta causa eu luto com paixão;

Redimo dois mil anos de inclemência

Naquilo que define a minha urgência,

Naquilo que me impõe o coração...

 

Se o que vos digo aqui, vos encaminha

Se um só de vós entende estas razões

E pára, um só segundo, p`ra pensar

 

Nesta causa que é vossa sendo minha,

Terei justificado as mil traições

Dos que me hão-de tentar crucificar...

 

 

 IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

 

 

09
Fev10

UM SONETO DE DOMINGO À NOITE

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

Que bom! É outra vez segunda feira!

Um ciclo se acabou, outro começa

E as horas que hão-de abrir-se, peça a peça,

Lembram folhas e flores de laranjeira!

 

Ainda ontem nasceu uma primeira

E tantas se seguiram, numa pressa…

Que esta nossa loucura nunca impeça

De florescer, mais tarde, a derradeira…

 

Que bom! Outra semana vai nascer,

Outro dia em que as pétalas retomam

A sua plenitude em branco puro!

 

É isto que amanhã irei dizer;

Assim é que as semanas se nos somam

Rumo ao fruto impalpável do futuro…

 

 

 

08
Fev10

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA VI

Maria João Brito de Sousa

      

 

A ZANGA

 

 

Desisto do soneto! Esta canseira,

E tanta falta dessa inspiração

Que antes vibrava em mim, como canção,

Se evaporou e, agora, sai-me… asneira!

 

Desisto! Só não sei se é desistência

Pontual, ou se veio pr`a ficar…

Falta-me o tal “tempero de luar"

Da minha “especiaria” de excelência…

 

Estou zangada comigo, é evidente…

Sem sonetos não sei seguir em frente,

Perco o meu Norte/Sul, Este e Oeste…

 

De zangada que estou, nem mais me aceito!

Perdeu-se o batimento mais perfeito,

Foi-se embora o tal dom que era "celeste"…

 

 

Maria João Brito de Sousa -  2010

 

A ZANGA II

 

 

Por vezes faltam-me as palavras certas;

Resmungo, rasgo, risco e, furiosa,

Tento trocar os versos pela prosa

Para avançar com novas descobertas!

 

Mas ele há sempre um verso à minha espera.

Mais calma, vou escrevendo e, sem saber,

Mais um soneto acaba por nascer,

Por mais que a decisão fosse sincera…

 

Vá-se lá entender quanto se passa

Na alma de um poeta assim zangado,

Que pensa em desistir mas nunca o faz…

 

Talvez isto até tenha alguma graça

E este soneto tenha provocado

Não zanga, mas ausência de ter paz …

 

 

Maria João Brito de Sousa - 2010

 

 

 

 

GRAÇAS A DEUS HÁ LOBOS SOLITÁRIOS!

 

 

 

 Graças a Deus há lobos solitários,

Capazes de abdicar do mais vulgar

E prontos pr`a morder, não pr`a julgar,

Continuando sempre solidários…

 

Graças a Deus que há bichos que preferem

A solidão mais dura ao tal conforto

Que encontram na chegar a qualquer porto

Da aceitação de tudo o que lhes derem…

 

Graças a Deus há mais inconformistas!

Pacientes, muito embora a rebeldia

Os mantenha inflexíveis na postura.

 

Se és lobo de verdade… não desistas!

Solitário caminha e, dia a dia,

Repara como a vida irrompe e muda…

 

 

Maria João Brito de Sousa - 08.02.2010 - 11.58h

 

 

 

 

 Imagem de lobo ibérico

05
Fev10

DIA DE S. NUNCA À TARDE

Maria João Brito de Sousa

 

 

E se a nuvem que passa não passasse?

Se a chuva não parasse de cair,

Se o vento não cessasse de zunir

E o sol nunca mais te iluminasse?

 

Se mais nenhum poeta “poetasse”,

Se o mundo se esquecesse de sorrir

E mais nenhum de nós quisesse abrir

Os braços para alguém que a nós se abrace?

 

Ah! Homens sem sorriso ou poesia

São sucedâneos de homens, não são gente!

São pavio de uma vela que não arde!

 

Não seria, então, mundo o que haveria,

Nem a vida seria omnipresente!

Seria um dia de… S. Nunca à tarde!

 

IMAGEM RETIRADA DA INTERNET 

 

 

A caminho de http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/

04
Fev10

GRÃOS MUDOS SOB A MÓ

Maria João Brito de Sousa

Quem diria que a voz se te perdia,

Que os olhos se te haviam de fechar,

Que pudesses partir sem te acabar,

Antes que se findasse essa alegria?

 

Quem diria que a vida fecharia

Seu aro ao teu destino de sonhar,

Que a morte te haveria de levar

Sem avisar que assim te levaria?

 

Silêncio. Só depois aplaudirei

O que de ti conheço, o que não sei,

O que adivinho até. Silêncio só!

 

Mais tarde acabarei por entender.

Por ora só silêncio, esse roer

De grãos mudos chorando sob a mó…

 

 

IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

03
Fev10

RESPOSTA A UMA PERGUNTA POR FAZER

Maria João Brito de Sousa

 

 

Sem dúvida partilhas, como tantos,

Um espaço noutro espaço intemporal

Onde o saber se torna visceral

E promete, à razão, novos encantos…

 

Sem dúvida viver pode ser mais

Do que este andar por cá sem ter noção

Da longa estrada dessa dimensão

Que se abre para além destes portais…

 

Sem dúvida… tens dúvidas, não tens?

Sem saberes a razão por que aqui vens

Precisas de entender mais do que entendes…

 

Resta-te o sonho antigo e derradeiro,

O último, apesar de vir primeiro…

E basta-te saber que te não rendes!

 

 

 

02
Fev10

UM BICHO SEM-VERGONHA

Maria João Brito de Sousa

 

 

Sou bicho velho e duro de roer…

Discordo, cá por dentro, a toda a hora,

Não torço e nem quebrando eu “salto fora”

E nunca disse “sim” a um qualquer!

 

Mas qual raio de sol – um só me basta –

Encanto-me e sorrio e aquiesço…

De forma pendular eu sonho e cresço

Permanecendo firme, embora gasta…

 

Sou bicho que mudou sem se mudar…

Sigo em frente, porém, sem me esquivar

Àquilo que esta vida me proponha…

 

Não procuro… nasci para encontrar

Aquilo que nem eu quis procurar…

Mas nenhum dos meus sonhos me envergonha!

 

 

 

 IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

 

01
Fev10

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA V

Maria João Brito de Sousa

 

 

UM SONETO "A MARTELO"...

 

 

Quis fazer um soneto assim, forçado,

Sem que a vontade ou a inspiração

Viessem conduzir a minha mão.

Com técnica, somente… um mal-amado…

 

Não sei se é bom, se é mau ou se enganado,

Contra a minha vontade, uma ilusão

Chegou a dar-lhe corpo e dimensão,

Porque ainda está só meio acabado…

 

Aqui, quase no fim, já nada sei!

Nem sequer se um soneto eu comecei,

Quanto mais se é só técnica o produto

 

De mim com este meio em que tracei

Palavras que não quis, mas que aceitei…

Só sei que nasce como nasce um fruto.

 

UM SONETO APRESSADO

 

 

E agora outro soneto, feito à pressa,

Como coisa que tem de se fazer

E embora nos não dê nenhum prazer,

Nos serve p`ra cumprir uma promessa…

 

Ao menos fica feito! Eu sou avessa

A criar para além do que eu quiser

Mas, agora, o que importa e tem de ser

É que seja um soneto o que começa…

 

Afinal já está quase, quase pronto…

Aprendi que um soneto, mesmo tonto,

Pode ser exercício de vontade…

 

Mas se quis ou não quis escrevê-lo agora…

Isso não sei dizê-lo e vou-me embora!

Cumpri uma promessa! Isso é verdade…

 

O ÚLTIMO SONETO "PORQUE TEM DE SER"!

 

O último soneto a que me obrigo!

A ver vamos se nasce ou se não nasce…

Um pouco de vontade e a coisa faz-se!

[digo eu… nunca sei é se o consigo…]

 

Eis a primeira quadra! Esta segunda,

Parece mais difícil, com efeito…

Já não sei se o soneto sai perfeito

Porque a mão se me prende e se me afunda…

 

Só faltam dois tercetos… afinal

A coisa não me corre assim tão mal…

Isto é quase um soneto e está no fim!

 

Já vejo, ao longe, a praia, a minha meta!

Sem mais terceto que me comprometa,

Fecho a porta ao que aqui sobrar de mim…

 

IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

Pág. 2/2

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Em livro

Links

O MEU SEBO LITERÁRIO - Portal CEN

OS MEUS OUTROS BLOGS

SONETÁRIO

OUTROS POETAS

AVSPE

OUTROS POETAS II

AJUDAR O FÁBIO

OUTROS POETAS III

GALERIA DE TELAS

QUINTA DO SOL

COISAS DOCES...

AO SERVIÇO DA PAZ E DA ÉTICA, PELO PLANETA

ANIMAL

PRENDINHAS

EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES

ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE POETAS

ESCULTURA

CENTRO PAROQUIAL

NOVA ÁGUIA

CENTRO SOCIAL PAROQUIAL

SABER +

CEM PALAVRAS

TEOLOGIZAR

TEATRO

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D

FÁBRICA DE HISTÓRIAS

Autores Editora

A AUTORA DESTE BLOG NÃO ACEITA, NEM ACEITARÁ NUNCA, O AO90

AO 90? Não, nem obrigada!