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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
14
Set09

GAIVOTAS NA PRAIA

Maria João Brito de Sousa

Gaivotas numa praia, quais sereias,

Criaturas de Deus na Criação…

Olhar uma gaivota é condição

De vislumbrar, do mundo, as panaceias.

 

Deixai-as passear sobre as areias!

Deixai-as ser gaivotas, como são,

Pois têm, como nós, sua função

Nesta poalha cósmica de ideias!

 

Equilibra-se o mundo de tal forma

Tudo está de tal forma interligado

Que cada passo em falso pode ser

 

A gota de água a mais que o caldo entorna.

Gaivotas numa praia. Um mundo alado

Em vias de acabar por se perder…

 

 

Maria João Brito de Sousa - 14.09.2009 - 11.36h

 

 

11
Set09

UM POST MUITÍSSIMO DIFERENTE

Maria João Brito de Sousa

Hoje não há soneto! Ao menos uma opção eu consegui fazer... e escolhi o que daqui vai sair e cujo conteúdo vai ser absolutamente espontâneo, ao correr do teclado e de algumas "penas" que por cá ainda vão permanecendo... também não vai dar para a Fábrica de Histórias. Autores, peço-vos, publicamente, perdão mas não consegui gerir o meu tempo dentro destas limitações todas... vai ser um post-porkedeusker, sem versos nem rimas.

Ontem cheguei do hospital a cambalear de cansaço. Movia-me, no entanto, a vontade de publicar o meu soneto do dia, razão pela qual nasceu aquela "composição bucólica" do post anterior, publicada em cima da dead-line do inevitável - e desejável - fecho do Centro Pastoral. Tudo mais ou menos, tudo muito "a segurar pelas pontas", como se não houvesse amanhã... ou hoje. Hoje - afinal havia "hoje"... :) - acordei tarde e más horas, toda partidinha e incapaz de tomar um duche num período de tempo inferior às duas horas que me separavam da hora do almoço... é triste, mas é assim que eu estou a funcionar.

Voltando um pouco atrás, recordo-me, mais uma vez, do dia de ontem... de ter abandonado o Centro Paroquial, ter ido a casa tratar dos gatos e passear o Kico, tudo isso numa linha de "mais morta do que viva", bem à maneira do "I`ll see you in my dreams", mas sempre com a mesma determinação de poeta obstinada. Assim vou conseguindo sobreviver e consigo afirmar, sem mentir, que sou uma mulher feliz, partindo do princípio que a maioria de vós entende que me refiro ao valor que dou aos dons que me foram concedidos e não ao desafogamento material. Pois bem, no dia de ontem recebi um telefonema com uma oferta de trabalho. Exultei, antes de conseguir raciocinar. Fiquei de me informar sobre as condições de pagamento e de telefonar ainda hoje ou amanhã para combinar os últimos detalhes mas, mal desliguei, fez-se luz no meu espírito. Era uma situação de trabalho que me exigia apenas os fins-de-semana, mas era longe, muito longe de minha casa. Como poderia eu garantir um mínimo de qualidade na prestação de um serviço, se lá chegasse no estado lastimoso em que me encontro agora, pelo simples facto de ter ido a um hospital que fica bem mais perto? E mil outras pequeninas-grandes coisas. Se fosse muito perto da zona em que habito, talvez eu pudesse aceitar, embora esta seja uma situação que exige mais de nós do que aquilo que pode parecer à primeira vista... mas tão longe? Em que miserável estado me apresentaria eu, todos os sábados, às nove da manhã? E nos dias das cólicas, das cefaleias, da ausência absoluta de força física, como poderia eu, com um mínimo de justiça e dignidade, aceitar um trabalho a que não conseguiria comparecer na maioria das vezes?

Ainda não fiz o telefonema, ainda não tomei a decisão definitiva, mas vou ter de fazê-lo hoje ou amanhã. Neste momento sinto-me sem grande coragem para o fazer... imaginei que escrever assim, à toa, me viesse ajudar nesse sentido, mas a verdade é que continuo a oscilar entre ver resolvidos os meus problemas financeiros mais imediatos e a certeza de me ser, fisicamente, impossível aceitar...

 

 

Imagem retirada da internet

Tela de Seurat "Domingo na Ilha de Grande Jatte

Tela pintada durante os anos de 1884 e 1886.

10
Set09

COMPOSIÇÃO BUCÓLICA

Maria João Brito de Sousa

 

Curiosa como um bando de felinos,

A espreitar, imprudente, no jardim,

Não se importava de ser sempre assim;

Despojada, sem ordens, sem destinos...

 

No passeio, a brincar, estavam meninos

Escondidos nos arbustos de alecrim

E ela à brincadeira pôs um fim

Atirando seixinhos pequeninos.

 

Fugiram as crianças debandando

Como avezinhas tontas, assustadas,

Sob a chuva de seixos que caía...

 

Ficou a curiosa, então, sonhando

Com passarinhos de asas prateadas

Saltitando na relva que crescia.

 

 

Imagem retirada da internet

09
Set09

DISCREPÂNCIAS

Maria João Brito de Sousa

Se tu não te importasses, gostaria

De te falar das coisas que calei,

De abraços que quis dar mas nunca dei

E que afoguei na dor de cada dia.

 

Mesmo que te importasses, falaria

Do que há muito lá vai, que só eu sei.

Tu que nunca sonhaste o que eu sonhei

Não pudeste saber o que eu sentia...

 

Exactamente igual a toda a gente,

Tu eras, quanto a mim, um condenado

Sempre agarrado às coisas deste mundo

 

Que nunca soube o que era ser dif`rente...

[e eu cheguei a pensar que era pecado

sentir amor tão louco e tão profundo...]

 

 

Imagem retirada da internet

08
Set09

PRENÚNCIOS DE OUTONO

Maria João Brito de Sousa

 

Veio a lua espreitar sobre os beirais

A ver se vislumbrava as andorinhas

E eis que se zangaram as vizinhas

E o sol se foi deitar cedo demais…

 

Quando o sol se deitou, houve sinais

E prenúncios de noite sobre as linhas

Que os poetas traçavam. Estas minhas

Tornaram-se douradas, outonais…

 

Amanhã ou depois as noites crescem,

A lua vai brilhar por mais um tempo

E a chuva vai cair sobre os terraços…

 

São prenúncios de Outono antes que fechem

As horas deste meu entendimento

Gerado na matriz de outros abraços…

 

 

Imagem retirada da internet

07
Set09

É O BICHO!

Maria João Brito de Sousa

 

 

Abro a porta das horas por viver

E eis que vejo o tal bicho medonho…

Não sei se ele é real, se é só um sonho

Ou, sequer, se me deva defender…

 

Alto aí! Quem vem lá? Que bicho estranho

Invadiu, desta forma, os meus poemas?

E eu que estava quase sem problemas

Enfrento, agora, um deste tamanho!!!

 

Por fim, qual diplomata, eu só pergunto:

- Quem és, bicho medonho, e de onde vens?

O que queres tu de mim se eu quero é paz?

 

E o Bicho sem sequer mudar de assunto:

- Não te venho pedir mais do que tens

E só te enfrentarei se fores capaz…

 

J

Imagem do TAZ, retirada da internet 

 

04
Set09

PARABÉNS SAPINHO! :)

Maria João Brito de Sousa

 

Sapo que me tens presa e cativaste

Cada momento deste meu caminho,

Deixo-te o meu abraço, com carinho,

Neste espaço que é teu, que tu criaste.

 

Se de nós, blogonautas, tu esperaste

Que nunca te deixássemos sozinho,

Podes ter a certeza, és como o vinho;

 Delicias aqueles que incentivaste.

 

Se eu pudesse saltar, dar-te um abraço,

Voar como tu voas pelo espaço,

Ser sempre exactamente igual a ti,

 

Se eu pudesse fazer mais do que faço…

Sapo da minha vida, o que aqui traço,

São retratos de tudo o que senti.

 

 

Maria João Brito de Sousa - 04.09.2009 

 

 

 

 

 

Para o Sapo, com todo o meu carinho 

 

 

03
Set09

O TAL RAMINHO

Maria João Brito de Sousa

Tu sabes lá dos dias que passaram

Sobre aquele outro dia em que eu chorei,

Ou mesmo dos mil sonhos que sonhei

E que outros, como tu, nunca sonharam...

 

Saberás quantos anos se somaram

Às mil horas reais, se nem eu sei

Se alguma vez soubeste o quanto amei,

Nem quantos me disseram que me amaram?

 

Agora, se te lembro, é de fugida,

Como a ave que pára por momentos

Num ramo que encontrasse no caminho

 

E logo voa rumo à sua vida

Sem demorar-se, sem ressentimentos

E sem mais se lembrar do tal raminho…

 

 

Maria João Brito de Sousa - 23.09.2009 - 17.04h

 

 

 Foto tirada com a Webcam do 2008 e, após grandes malabarismos informáticos, trazida para o poetaporkedeusker.

02
Set09

O IMORTAL

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

Julgava-se imortal. Mesmo imortal.

Isento das noções de “mal” ou “bem”,

Dependente de nada e de ninguém,

Um ser dif`rente, muito embora igual.

 

Jamais aceitou ser um animal.

Julgou ser mais e ninguém soube quem

O ensinou a “ser” ou se houve alguém

Que decretou, enfim, o seu final…

 

Morreu há muito tempo. Agora jaz

Num qualquer cemitério, transmutado

No húmus do que em si nunca aceitou.

 

Pobre imortal que assim alcança a paz

Na negação do próprio enunciado

Com o qual definiu o que o negou…

 

Imagem retirada da internet

01
Set09

TEMPOS NENHUNS

Maria João Brito de Sousa

 

Quantos tempos nenhuns terão passado?

E os séculos dos séculos nascidos?

Instantes de universos revestidos

De luas e de sóis tão lado a lado…

 

Dos tempos, nenhum tempo mensurado

Revelaria ausências dos sentidos,

De prenúncios de vida se, perdidos,

Outros tempos tivessem regressado.

 

Do querer saber nos nascem novos tempos

Que aos tempos do passado irão buscar

O fio que os traz de lá, desde o começo.

 

Todo este somatório de momentos

Traduz a nossa vida. O que sobrar

É apenas um preço. O nosso preço.

 Imagem de Sheila Nogueira, retirada da internet.

Pág. 2/2

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