Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores.
...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
Hoje não há soneto! Ao menos uma opção eu consegui fazer... e escolhi o que daqui vai sair e cujo conteúdo vai ser absolutamente espontâneo, ao correr do teclado e de algumas "penas" que por cá ainda vão permanecendo... também não vai dar para a Fábrica de Histórias. Autores, peço-vos, publicamente, perdão mas não consegui gerir o meu tempo dentro destas limitações todas... vai ser um post-porkedeusker, sem versos nem rimas.
Ontem cheguei do hospital a cambalear de cansaço. Movia-me, no entanto, a vontade de publicar o meu soneto do dia, razão pela qual nasceu aquela "composição bucólica" do post anterior, publicada em cima da dead-line do inevitável - e desejável - fecho do Centro Pastoral. Tudo mais ou menos, tudo muito "a segurar pelas pontas", como se não houvesse amanhã... ou hoje. Hoje - afinal havia "hoje"... :) - acordei tarde e más horas, toda partidinha e incapaz de tomar um duche num período de tempo inferior às duas horas que me separavam da hora do almoço... é triste, mas é assim que eu estou a funcionar.
Voltando um pouco atrás, recordo-me, mais uma vez, do dia de ontem... de ter abandonado o Centro Paroquial, ter ido a casa tratar dos gatos e passear o Kico, tudo isso numa linha de "mais morta do que viva", bem à maneira do "I`ll see you in my dreams", mas sempre com a mesma determinação de poeta obstinada. Assim vou conseguindo sobreviver e consigo afirmar, sem mentir, que sou uma mulher feliz, partindo do princípio que a maioria de vós entende que me refiro ao valor que dou aos dons que me foram concedidos e não ao desafogamento material. Pois bem, no dia de ontem recebi um telefonema com uma oferta de trabalho. Exultei, antes de conseguir raciocinar. Fiquei de me informar sobre as condições de pagamento e de telefonar ainda hoje ou amanhã para combinar os últimos detalhes mas, mal desliguei, fez-se luz no meu espírito. Era uma situação de trabalho que me exigia apenas os fins-de-semana, mas era longe, muito longe de minha casa. Como poderia eu garantir um mínimo de qualidade na prestação de um serviço, se lá chegasse no estado lastimoso em que me encontro agora, pelo simples facto de ter ido a um hospital que fica bem mais perto? E mil outras pequeninas-grandes coisas. Se fosse muito perto da zona em que habito, talvez eu pudesse aceitar, embora esta seja uma situação que exige mais de nós do que aquilo que pode parecer à primeira vista... mas tão longe? Em que miserável estado me apresentaria eu, todos os sábados, às nove da manhã? E nos dias das cólicas, das cefaleias, da ausência absoluta de força física, como poderia eu, com um mínimo de justiça e dignidade, aceitar um trabalho a que não conseguiria comparecer na maioria das vezes?
Ainda não fiz o telefonema, ainda não tomei a decisão definitiva, mas vou ter de fazê-lo hoje ou amanhã. Neste momento sinto-me sem grande coragem para o fazer... imaginei que escrever assim, à toa, me viesse ajudar nesse sentido, mas a verdade é que continuo a oscilar entre ver resolvidos os meus problemas financeiros mais imediatos e a certeza de me ser, fisicamente, impossível aceitar...