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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
17
Jul09

UM PARAÍSO A CADA ESQUINA

Maria João Brito de Sousa

 

Encontro um paraíso em cada esquina

Das horas que flutuam indolentes,

Esqueço as que já passaram, que, doentes,

Me acompanharam desde pequenina.

 

É nesta condição quase divina

Que eu encaro as manhãs e os poentes,

Que me julgo mais crente do que os crentes,

Que, mesmo estando velha, eu sou menina...

 

Abro as asas à beira da cratera,

Sorrio e, apesar de condenada,

Derramo o corpo inteiro e voo enfim...

 

Não sei bem se voei... mas quem me dera...

Nesta esquina das horas, não sei nada,

Nem sequer sei o que há-de ser de mim... 

 

 

Tela de Maria Helena Vieira da Silva

Imagem retirada da internet

16
Jul09

FORMAS E CONTRASTES

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

 

Tal como a fera hirsuta, na voragem

Da candura das horas por nascer,

Assim surge o poema, a transcender

O ingénuo simbolismo da paisagem.

 

Erguendo-se, inicia uma viagem

No caminho que está por percorrer

Exactamente aonde fez crescer

O vulto então criado à sua imagem.

 

Nem sempre é mansa a forma que ali nasce…

De repente, improvável, cresce e faz-se

Muito maior do que o que a concebeu;

 

Outras, mesmo pequena, ela é, contudo,

Agressiva de forma e conteúdo

E luminosa… ou escura como breu!

 

 

Imagem retirada da internet

15
Jul09

DESCOBERTAS

Maria João Brito de Sousa

Montando o meu corcel de ondas celestes

- se a Pátria se render, a culpa é minha! –

Traço na Troposfera uma só linha

Nestas andanças lúdicas, equestres…

 

Depois do Norte-Sul, vêm os Lestes

E, talvez, a Poente, uma adivinha:

De quanta imensa onda se avizinha,

Qual é a que me leva, um dia destes?

 

Descubro e reinvento horizontais

Atenta ao doce canto dos jograis

Que vêm festejar o estranho evento.

 

Alguém, que me avistou, faz-me sinais

Mas eu navego ainda e quero mais!

Hei-de voltar se, um dia, tiver tempo…

 

Imagem retirada da internet

14
Jul09

A TÔMBOLA INFINITA

Maria João Brito de Sousa

Ribombam os trovões, ruge Vulcano

E os mortais, na terra, vão gemendo,

Sucumbindo, de novo, ao deus horrendo

Que assim lhes infligia tanto dano.

 

Sobre o vulcão, aceso há mais de um ano,

Surge uma imensa nuvem, num crescendo.

Entre os que morrem e os que vão nascendo

Ergue-se, de repente, o ser humano.

 

O mesmo que dá vida, a vida tira,

Um que sufoca, o outro que respira…

Floresce a planta, eclode, incerto, o ovo.

 

Selvagem mundo agreste e compulsivo!

Selvagem mundo que me traz cativo

Na tômbola infinita do renovo!

 

 

Imagem retirada da internet

13
Jul09

OS ABRAÇOS DOS COMETAS

Maria João Brito de Sousa

Já não como, já não bebo,

Já não há nada a fazer

E, tanto quanto eu percebo,

É assim que tem de ser.

 

Fomos mães, somos poetas

E sentimos sempre mais

Os abraços que os cometas

Sabem dar aos animais!

 

Percorri mil madrugadas

Vestida de cinza e prata,

De viver fiquei cansada,

Mas, mesmo assim, estou-te grata…

Fosse noite ou fosse dia

Eu contei c`o teu carinho

E, mesmo nesta agonia,

Sinto que estou no meu ninho…

 

Fomos mães, somos poetas

E sentimos sempre mais

Os abraços que os cometas

Sabem dar aos animais!

 

Também eu fui oportuna,

Dei todo o amor que tinha

E tu tiveste a fortuna

De te não sentires sozinha.

Nesta vida que vivemos,

Ambas nos demos inteiras,

Of`recendo o que pudemos

De mil dif`rentes maneiras…

Sei que também estás doente,

Tenho-te ouvido gemer.

Tu, de mim, não és dif´ rente

Estamos ambas a morrer…

 

Fomos mães, somos poetas

E sentimos sempre mais

Os abraços que os cometas

Sabem dar aos animais!

 

Quem me dera que ficasses,

Que escrevesses sobre mim,

Que depois lhes ensinasses

Que este Amor nunca tem fim!

Diz-me adeus, dá-me um abraço,

Sabes bem que vou partir.

Levo comigo um cansaço

Que tu não tens de sentir…

Fica tu por mais um tempo!

Talvez possas recordar-te

Do que eu, a cada momento,

Aqui fiz, para ensinar-te:

- Nunca havemos de lembrar

Nem poderemos `squecer

Esta pureza lunar

Do que, pr´a nós, foi viver!

 

Fomos mães, somos poetas

E sentimos sempre mais

Os abraços que os cometas

Sabem dar aos animais!

 

 

 

Poema dedicado à minha amiga Minerva.

10
Jul09

CONTRA-FLUÊNCIAS

Maria João Brito de Sousa

Diz-se e, desdizendo, nega, é agressivo,

Faz o que não deve e encontra razões

Onde não houver nem um só motivo

Para os desacatos, para as confusões…

 

Está, decerto, morto mas pensa estar vivo

Está sempre iludido, mas sem ilusões,

Julga-se enganado, sente-se cativo,

Sempre adivinhando novas transgressões…

 

Sofre. Sofre tanto que nem imagina

Que o caminho é feito tão naturalmente,

Quanto o vento sopra, quanto o sol se deita,

 

Quanto o riso cresce em cada menina,

Quanto a aurora nasce, quanto o Verão é quente,

Quão certo é o tempo da nova colheita…

 

 

 

SONETO ALEXANDRINO 

09
Jul09

PERSPECTIVAS

Maria João Brito de Sousa

Descobre e planta e rega o teu legado

Como se, sendo o bem mais precioso,

Te tornasse mais útil, vigoroso,

Independente `inda que conquistado.

 

Descobre o que em ti há que te foi dado

Sem te tornares austero e rigoroso.

Revela esse estro louco, ambicioso,

Que te traz, lá no fundo, angustiado

 

E quando o descobrires, quando souberes

O papel que te cabe nesta história,

A essência que enfim te justifique

 

Que te faça maior – se perceberes

Que nem sempre ganhar será vitória –,

Serás feliz. [E haverá quem critique…]

 

 

 

 

 

07
Jul09

THE TEASER

Maria João Brito de Sousa

A espuma do pomar das ondas bravas,

Do vaivém das marés, bordando a linho

No rebordo do mar que é o seu ninho,

Areias tão submissas quanto escravas,

 

Redobra o seu trabalho de escultora,

Desenha e redesenha uma fronteira,

Ameaça e esquivando-se, matreira,

Recua e assim se nega, a sedutora;

 

Explode em branco puro e regozija

Quando dispersa, etérea e imparável,

Deslumbra e surpreende o deslumbrado…

 

Louca é a espuma e não há quem lhe exija

Que se torne prudente ou razoável…

Ninguém que ouse dizer-lhe: - Isso é pecado!

 

 

Imagem retirada da internet

 

 

06
Jul09

ESSÊNCIA II

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

 

Nunca encontrei ninguém que plagiasse

As rimas que os meus dedos vão tecendo…

Citá-los? Tudo bem! Eu compreendo,

É bem melhor do que se os publicasse!

 

Tudo extasio e tenho a liberdade

De amar a vida e de expressá-la assim!

De aumentar, dia a dia, o que há em mim,

Enquanto partilhar esta verdade.

 

Por mais forte que fosse a tentação,

Por muito que of`recessem, não vendi

Este eixo do sentir, a minha essência.

 

Estou em paz c`o meu próprio coração

Pois disse o que sentia e não menti...

Pr`além desta assumida incongruência.

 

 

03
Jul09

HERANÇA II

Maria João Brito de Sousa

 

 

Deixo-vos, filhos meus, depois da morte,

Os raios de luar sobre as cascatas

E, nas horas mais duras, mais ingratas,

O sopro rugidor do Vento Norte.

 

Deixo-vos, filhos meus, palavras, traços

E o barro tenro que haveis de moldar,

Um infinito inteiro a conjugar

Numa premonição de mil abraços.

 

Deixo, de mim, um rasto de cometa,

Um papel escrito, o húmus da caneta

A despontar em verde e negro e branco

 

E deixo estas roupagens de poeta

Lavadas num lagar de tinta preta

Contestando o sorriso aberto e franco...

 

 

Imagem retirada da internet

 

 

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