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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
31
Jul09

OS FICCIONISTAS

Maria João Brito de Sousa

 

E eram estas mãos que mo pediam!

As mesmas mãos que um dia tanto deram,

As mesmissímas mãos que me perderam

E agora, envelhecidas, me doíam...

 

As mesmas mãos que à terra me prendiam

E que agarrada à vida me tiveram,

As mesmas mãos que me sobreviveram

E que agora, de mim, se despediam.

 

Mas são ainda mãos! Humanas mãos,

Benditas pela entrega tão total

Dessoutros mesmos dons que Deus lhes deu.

 

São elas que vos tocam, meus irmãos...

as mesmas que, não querendo fazer mal,

Vos falam do que nunca aconteceu.

 

 

Imagem retirada da internet

30
Jul09

ICEBERG

Maria João Brito de Sousa

 

 

-

Sobressinto esta dor de ser quem sou

E sei-me derramada nas planuras,

Em castelos imensos , nas alturas…

Água que intenso frio já congelou!

 

Um iceberg cujo topo perfurou

Um céu que se perdeu noutras lonjuras,

Um bloco inerte e cheio de fissuras

Que o sol não derreteu nem cativou…

 

Sobre-sinto este frio que transformou

Em gelo este meu corpo e, das funduras

Que esta montanha imensa contemplou,

 

Eu sobre-sinto em gelo o que passou…

Sou, como tantas outras criaturas,

Produto do que Deus pr`a mim sonhou.

 

 

Imagem retirada da internet

29
Jul09

UM CASTELO DE NADAS

Maria João Brito de Sousa

Um castelo de nadas, feito á pressa,

Um bocejo a calar o que se diz,

A comichão na ponta do nariz,

Eis a noite de sono que começa…

 

Uma breve oração, uma promessa

De tentar ir além, ser mais feliz,

Um não-ligar ao que em nós contradiz

O que se foi juntando, peça a peça…

 

Um sonho, um nada em forma de castelo

A pairar sobre mim que estou a vê-lo

Como se construído além-vontade…

 

Ali, aonde um nada se faz tudo,

Aonde morro e, lúcida, me iludo

Em aproximações de eternidade…

 

 

 

Foto de Marco Atraca, retirada da internet

28
Jul09

DICOTOMIA II

Maria João Brito de Sousa

 


Assim transformo a prosa em poesia

E transmuto a palavra em verso e rima

Devolvendo aos meus sonhos de menina

A sedução do sonho e da alquimia.



Depois retorno ao mundo. Que ironia,

Saber-me assim tão velha e pequenina

E descobrir em tudo o que me anima

Uma incessante e nova melodia!



Transposta esta alquimia e desvendado

O mistério das horas improváveis

Do dealbar de todas as manhãs,



Ouve-me, irmão que me olhas encantado;

Sou senhora das rimas incansáveis,

Mas serva das promessas menos vãs...







Maria João Brito de Sousa - 28.07.2009



 

 

27
Jul09

GÉNESE

Maria João Brito de Sousa

 

 

Nem eu sei, nem tu sabes, nem sequer

O sabe quem ousou pensar sabê-lo…

Nunca existiu resposta pr`ó apelo

Que em nós traça o caminho que quiser.

 

É cada vez mais forte e, se puder,

Sem que alguém o entenda ou possa vê-lo,

Embora nada exista a defendê-lo,

Ele há-de sempre em nós prevalecer.

 

Esse apelo da vida pela Vida,

O sonho inexplicado-inexplicável

Que a nossa humana essência definiu,

 

Símbolo da maçã que foi mordida,

Perfeita insurreição da alma instável

Que um dia, por Acaso, em nós surgiu…

 

 

24
Jul09

OS DOIS REINADOS

Maria João Brito de Sousa

Sob um sol que me aquece e me ilumina,

Redobro a fértil flora dos sentidos

E é de pétalas que teço os meus vestidos

Que mudam consoante esteja o clima…

 

Depois, morrendo a luz que vem de cima,

Vergam-se os verdes caules, já rendidos,

Desistentes, talvez comprometidos

Pela luz de um luar que se aproxima

 

E devolvendo ao dia o seu calor,

Contemplo a Lua sob o céu estrelado,

Mergulho no luar e vou deitar-me,

 

Pois Sol e Lua…nem sei qual melhor...

Se ambos me  trazem presa ao seu reinado,

E ambos reluzem só pr`a cativar-me...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 24.07.2009

 

 

Imagem retirada da internet

 

NOTA - Soneto ligeiramente reformulado a 16.08.2015

 

 

23
Jul09

IDEOGRAMA

Maria João Brito de Sousa

 

 

Eu queria… eu queria tanto ser, da Lua,

Pequeno coração a palpitar,

Alimentado a raios de luar

Na representação de uma alma nua…

 

Eu fui, eu fui, do Sol, o raio ardente

A brilhar sobre o planeta inteiro,

Sereno, flamejante e verdadeiro

No derramar da Luz pujante e quente.

 

Também já fui montanha e gelo e fogo,

Raiz de lírio branco e de embondeiro,

Guelra de peixe e ovo pecador…

 

Serei um dia ideograma ou “logo”

De tudo o que já fui… “Eu” derradeiro,

De essência transmutada em puro amor.

 

 

NOTA -  A foto é especialmente dedicada ao meu amigo Fisga, do Planeta-Sol. Já tem umas semaninhas, mas eu estou com um problema de iagem para o qual não consegui - ainda! - arranjar solução...

 

 

22
Jul09

PARADIGMA

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

Via-se, sem se ver, sem se cuidar,

Paradigma de um espírito qualquer,

Acreditava ter em seu poder

A réstia da razão por apurar.

 

Traçou caminhos, ousou mergulhar,

Nunca, jamais, cuidou de se esconder

E fez tudo o que quis… sem o fazer

Pois tudo o que podia era sonhar…

 

Mas foi dono e senhor e transcendeu

Na Terra a condição do sonho seu

Resolvendo, afinal, o seu enigma.

 

[Não sei bem se foi cá, se foi no céu

Que o Poeta, em si mesmo, aconteceu

E se tornou, por fim, um paradigma.]

 

 

"Tête de Cheval" - Pablo Picasso 

Imagem retirada da internet

21
Jul09

NOS OLHOS DELES

Maria João Brito de Sousa

 

 

Já vi, nos olhos deles, a solidão

- na lágrima um poema a marinar… - .

Já vi, nos olhos deles, aquele pesar

De quem, no fundo, quer pedir perdão.

 

Apontei o olhar na direcção

De outros olhos dif`rentes no pensar,

Vi lágrimas em vez daquele olhar

Que os olhos que são deles tinham, então.

 

Já vi, nos olhos deles, o brilho imenso

De quem ousa sonhar, ir mais além,

De quem já exp`rimentou, um dia, a morte.

 

Nos olhos deles vi tudo o que não penso,

Vi tudo o que pensei e vi também

Que os meus partilham sempre a mesma sorte.

 

 

20
Jul09

PÃ E A GRAVIDADE DA MAÇÃ VERDE

Maria João Brito de Sousa

 

 

Revejo-te nos olhos de ninguém.

Das saudades, se existem, nem memória…

Terás, decerto, criado outra história

E eu, sozinha em mim, vivo-a também.

 

Sobrevivi à morte e fui além.

Passados uns anitos de vã glória

Por cômputo final, tenho a vitória

E a certeza de, agora, ser alguém.

 

Eu meço a vida noutros decibéis!

Sou a cópia de Pã com sua flauta

Numa floresta-mãe por inventar.

 

Desvendo os meus mistérios em papéis,

Dispenso os improvisos de outra pauta,

E vivo do que só eu sei criar…

 

 

Pág. 1/3

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