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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
10
Nov08

4, 4, 3... e três suplentes

Maria João Brito de Sousa

Diga-se: - Futebol! - porque se trata

De assunto de importância capital

E de tão grande int`resse cultural

Quanto a saúde ou os bairros-da-lata!

 

Diga-se: - Futebol! - Tudo se explica

Nessa palavra curta e tão sonora!

- Foram ver futebol, foram-se embora...

Só "bola" e "pé", tal qual o nome indica...

 

Serviu-me, o futebol, para mostrar

Como um poema pode até cantar

As causas "mais maiores" deste universo!

 

Serviu-me, o futebol, p`ra poetar!

Como vêm não há que duvidar

Do imenso poder que tem o Verso!

 

 

Imagem retirada da internet

 

 

09
Nov08

(COM)TRADIÇÕES - O MESTRE

Maria João Brito de Sousa

Quem muito quer só perde o que não teve.

Eu falo-vos de sonhos, não de bens...

Ati, que nada queres e nada tens,

Eu digo que te admiro. A vida é breve.

 

Nada ter, mesmo nada, é ser tão leve

Que já nem ouve injúrias e desdéns.

Por nada teres eu dou-te os parabéns;

Ninguém pode cobrar-te o que não deves.

 

Repara, nada tens, mas és feliz.

Afinal pouca coisa contradiz

Aquilo que tu és na tua essência...

 

Atenta nas mil coisas que não perdes;

O teu valor é tudo o que tu medes,

Ó meu Mestre e senhor de outra inocência...

 

 

"The Dream" - Henri Rousseau

Imagem retirada da internet

 

08
Nov08

PERCURSO II e III

Maria João Brito de Sousa

I

 

Meu amor de água e sal, quanto eu sonhei

Ter-te só para mim, ter-te só meu!

Sonho de uma menina que cresceu

Assim que a luz chegou e eu acordei...

 

As asas que cortaste (ou que eu cortei?)

Quando enfim descobri que se perdeu

Essa estranha promessa de Romeu

À Julieta que em mim encontrei...

 

E o mundo, a vida, as noites acordadas

Usufruindo absurdas madrugadas

Em que te quis e nunca pude achar-te.

 

Tanta fome de mundo e eu... só sonho!

O cansaço, a rotina, o Mal (medonho!)

Erguendo-se entre nós, sempre a afastar-te...

 

III (O CAIS)

 

Há tanto céu em busca de ninguém!

Tanto mar para olhar e ninguém viu

O verdadeiro "Ser" nesse vazio

Do corpo que a nós todos nos contém...

 

Tanto raio de luz que esse sol tem!

E nem um, de entre vós a descobriu

Nos dias em que tendo fome e frio

Negando a própria luz, disse estar bem...

 

Mas são memórias, coisas que passaram,

Cicatrizes (mais umas...) que ficaram

Na sede de viver-se e fazer mais.

 

Já não olha pr`a trás. Em frente há vida.

Trabalha mesmo meia adormecida

Na pedra alucinada do seu cais.

07
Nov08

O POETA DE LISBOA

Maria João Brito de Sousa

Falou-vos de tricanas e varinas,

De marchas, manjericos e pregões.

Falou-vos do seu mar, das orações,

De velhas conversando nas esquinas...

 

Contou-vos das tabernas e cantinas,

Do fado, das guitarras, das canções,

Das palavras acesas, dos jargões

Na voz mal afinada dos ardinas...

 

Falou-vos de Lisboa, das colinas,

Das vielas, da Sé, das procissões,

Das causas e razões mais pequeninas

 

Que irão ultrapassando as previsões,

Dos bares, das noitadas, das "meninas",

Dos homens, das mulheres e das paixões....

 

 

"O Velho Guitarrista" - Pablo Picasso

Imagem retirada da internet

06
Nov08

O ESPÓLIO

Maria João Brito de Sousa

Eis o património que vos deixo:

O meu amar-demais em verso e cor!

Nada tenho de meu senão amor

Nada me faz mais falta. Não me queixo.

 

Há bens que são pesados como seixos:

Não nos deixam voar, trazem-nos dor.

Há outros que se acabam por impor,

Guiando as nossas vidas, como um eixo.

 

O meu imenso espólio, no entanto,

É bem mais leve que uma só moeda,

Não vos pesa nem queima como brasa,

 

Ecoa pelas horas como um canto,

Não tem aspirações, não teme a queda

E não ocupa espaço em vossa casa...

 

 

"O Passeio", Marc Chagall

Imagem retirada da internet

 

 

 

05
Nov08

DOS DIAS EM QUE OS SONETOS NASCEM, O MUNDO SORRI E OUTRAS DIVAGAÇÕES

Maria João Brito de Sousa

Há dias, - tantos dias... - em que os dedos se me contorcem em torno de inexistentes canetas e eu fico num confronto desigual com a dor física que vai mordendo, insistentemente, o anestesiado manto em que me envolvo. 

Nesses dias, - quase todos, quase sempre - retomo o sorriso de Maria-Sem-Camisa e nascem-me sonetos com a sonoridade das gargalhadas e do canto. As mãos, mesmo tolhidas, recusam a imobilidade imposta pela dor e procuram, tacteiam em torno de qualquer coisa que escreva. Qualquer coisa onde escrever. Nem sempre visíveis, porque inevitavelmente dispersos, os objectos acabam por me encontrar, quase sempre no limite do verso que nasce.

Dentro desses momentos há, sempre, outros momentos em que outras urgências se antecipam à minha própria urgência. Um dos gatos vomita. A cadela arranha a porta da rua num evidente apelo a um breve passeio, o cheiro a arroz queimado recorda-me o jantar dos cães, que estava ao lume...

São dias como outros quaisquer. Porque todos os dias são dias de dedos contorcidos sobre si, de teimosa ignorância da dor física, de sonetos que querem nascer, de gatos que vomitam, de cadelas e cães que necessitam e ir à rua e alimentar-se.

Todos os dias são, também, dias de pombos que necessitam de ser alimentados, de gaiolas-transportadoras  a limpar e desinfectar, de bebedouros que têm de ser lavados e enchidos da preciosa água da torneira.

Nem todos os dias, porém, são dias de eleições nos U.S.A. e nem todos os dias vemos um jovem negro de ideias arejadas tomar as rédeas do poder no "so called" Novo Mundo.

Também nem todos os dias se recebe um email de alguém que não vemos há anos e nos diz : "obrigada por quase tudo... ". Aí, os dedos, mesmo doridos, contorcidos em torno de inexistentes canetas, esquecem-se por minutos das suas limitações. Afinal nem todos os filhos têm muito que agradecer às mães. Mesmo com o "quase".

 

 

"Atlas" - Imagem retirada da internet

 

 

04
Nov08

O POEMA III

Maria João Brito de Sousa

E se o verso fosse obra de ninguém?

Se fosse um ser que existe só por si,

Independente, atento ao que escrevi,

Para ver se lhe assenta mal ou bem?

 

Se fosse, cada verso, um novo alguém

Que sonha a vida e que se prende aqui,

Que visse as mesmas coisas que eu já vi

E quisesse senti-las, ele também?

 

Se fossem, estes versos, sopro vivo

De alguém que espera, que quer ser activo

E que aguarda o momento de embarcar?

 

Se fosse o dar-lhe vida, o dar-lhe voz?

Se fosse um ser tão vivo como nós

Que só alguns soubessem aceitar?

 

 

"Essência" - Maria João Brito de Sousa, 1999

 

02
Nov08

DA AUSÊNCIA DO BEM

Maria João Brito de Sousa

 

Mal? O que é o Mal senão ausência?

Senão falta de luz e de calor?

Senão falta dessoutro imenso Amor

Em quem errou por falha ou imprudência?

 

O que é o Mal senão pura inclemência?

Senão a negação, senão a dor?

E, se esse Mal existe, o que é pior

Do que pesar, depois, na consciência?

 

O que é o Mal senão uma mentira?

Ou a própria Mentira, disfarçada

De coisa que te agrada e te apetece?

 

A Lua que em redor da Terra gira,

Tão vestida de branco e imaculada

Também recebe o Sol que nos aquece...

 

À Maria Luísa Adães

 

Pormenor de "O Grito", Edward Munsch

Imagem retirada da internet

 

02
Nov08

O PEQUENO MUNDO DOS CRIADORES DE AFECTOS II

Maria João Brito de Sousa

São pombos de telhado, simplesmente...

São cães, são gatos, é uma mulher

Num velho apartamento de aluguer

Que foi comprado noutro antigamente.

 

Depois veio esse afecto, tão pungente,

Forte, imp`rioso como outro qualquer

Que os fez fundir num só. E nem sequer

É lógico ou vulgar. É só dif`rente.

 

Pequeno-imenso mundo a palpitar

Neste meu espaço vivo, este lugar

Do qual não sei nem posso separar-me!

 

Pequeno-imenso mundo de criar

Afectos e alegrias! De sonhar,

De ser-me, dividir-me e depois dar-me...

 

 

O Pequeno Mundo dos Criadores de Afectos-

Maria João Brito de Sousa, 2006

01
Nov08

HUMANA CONDIÇÃO II (Origens)

Maria João Brito de Sousa

Pretérito-de-mim. Menos do que isso!

Quem sou se me não vejo em parte alguma?

Serei uma visão? Serei só espuma?

Desenho do que fui... ou só um esquiço

 

Do que de mim já fui, ente insubmisso,

Do que já fui e está escondido em bruma?

Aonde o meu batel, a minha escuna,

Aonde o corpo, a casa, o reboliço?

 

Aonde o Espaço-Tempo em que habitava

O barco, o meu corcel, a minha aljava?

Aonde o pau, a pedra, a chama acesa?

 

E, se me prolonguei, onde é que eu estava,

Se mesmo antes de mim já recordava

Um antes-de-ser-eu? Tenho a certeza!

 

Maria João Brito de Sousa - Dezembro,2008

 

 

Ao Artesão Ocioso

 

Imagem retirada da internet

 

Acabadinho de nascer! Peço desculpa por não responder já aos vossos comentários. Não tenho tempo...

 

 

 

 

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